O leitor escreve





Descaso
Presidente não é qualquer um. Ele ou ela, por um lado, tem mais prerrogativas e autoridade que os outros. Por outro lado, porém, multiplicam-se as responsabilidades. Ao presidente compete, acima de tudo, coordenar e orientar as ações dos seus subordinados através da sua palavra e, principalmente, através do seu exemplo. Infelizmente, no governo de hoje, muitos que ocupam presidências abraçam bem forte os seus direitos e esquecem suas obrigações de líder.
O atual presidente da Câmara, Michel Temmer, não compareceu ao primeiro dia da convocação extraordinária do Congresso. Ora, como dizem os mais antigos, ‘‘a tropa é o espelho do chefe’’. Se o cacique não aparece, com que autoridade a Nação pode exigir a presença dos demais parlamentares? É claro que essa falta não será descontada do seu ‘‘adicional’’ de R$ 24 mil, assim como aconteceria com qualquer outro que fosse um simples funcionário mortal.
Duas das causas dessa falha injustificável são com certeza a falta de respeito para com o povo, que nunca esteve tão sozinho e impotente, e a absoluta certeza da impunidade que reina, também, no seio do Congresso. Vivemos numa época de trevas, em que o descaso com a Justiça é uma constante que começa de cima para baixo. E nós que estamos embaixo, a quem iremos recorrer? Afinal, vivemos numa democracia ou numa ditadura elegível? Só nos resta orar e esperar que Deus, nosso Criador, modifique o coração e a mente dos homens que os partidos políticos colocam para nos presidenciar.
- ALEXANDRE FONSECA DE MELO, funcionário público, Brasília
Eleições
E aqui vamos nós, para mais um ano eleitoral. Além da centena com três zeros, o ano 2000 chega trazendo mais uma novidade: a possibilidade de reeleição dos prefeitos. Os atuais ocupantes do cargo se dividem, nesse momento, em três grupos: tem aquele dos atacantes, que já decidiram concorrer novamente pois estão com a bola cheia; existe a ala dos cansados, que já caíram na real e pedem substituição pois estão com a bolinha tão murcha que não entusiasmam nem a companheirada; e aumenta a turma dos dribladores, que fazem que não vão, mas estão loucos para ir. Claro, existem outros grupos em formação, só que pouco expressivos nessa fase inicial do campeonato.
O curioso é que em qualquer um desses grupos – atacantes, cansados ou dribladores – pode-se achar integrantes que acredito terem errado de competição: ao contrário de eleição, só podem estar participando de concurso de miss. Chego a essa conclusão pela disposição – e tempo – que alguns prefeitos têm para marcar presença em eventos pseudo-chiques e nada populares, receber troféus distribuídos sem qualquer critério ou conseguir aparecer alguns minutos na televisão, mesmo que seja a cabo (que significa elite), apenas mediante entrevista paga.
Atenção, prefeitos! Já estamos em ano eleitoral. Nesse concurso, quem vai escolher o vencedor é um júri composto por todos os eleitores do município, pessoas inteligentes, atentas e que não se deixam impressionar por roupas finas e elegantes. Mas, quem quiser agradar apenas a um júri menor, pode continuar seu alegre desfile para essa comissão de seis ou sete indivíduos. Com certeza receberá aplausos. Afinal, trata-se de um concurso de miss.
- PAULO ROGÉRIO DI VICENZI RODRIGUES, Londrina
Propaganda barulhenta
Sábado, dia 8, nossa Rua Borba Gato, próximo da Rua Mato Grosso, foi invadida por infernal barulho publicitário vindo de um caminhão, do tipo ‘‘trio elétrico’’, cujo som ultrapassava certamente 80 decibéis, e no qual havia enorme faixa dizendo ‘‘Não fique sem a HBO, telefone para o número tal’’. Telefonei, protestando contra aquela verdadeira perturbação do sossego público, promovida pela Direct TV. Como se pode entender que empresários ligados a um produto de alta tecnologia enveredem por um tipo de publicidade primitiva, desrespeitosa, poluidora, como se fossem ‘‘caipirões’’ que enchem um caminhão de melancias e vêm para a cidade a fim de vender o seu produto.
Aliás, Londrina está sendo agredida, cada vez mais, pela poluição sonora. No ano passado, um médico e pesquisador da Universidade Estadual de Londrina (UEL) deu um brado de alerta contra o ruído urbano que assola bairros londrinenses, verificando preocupante queda de nível auditivo em pessoas jovens. Isto é perda de qualidade de vida. O ruído urbano é um grande fator de estresse. A cidade não pode permitir que, aos ruídos nocivos provenientes do trânsito, ainda venha se juntar a publicidade ruidosa, por meio de carros de som, desrespeitando o direito que todos temos ao silêncio. Isso mesmo: do mesmo modo como temos direito ao ar puro, à água potável. Isso é condição básica de saúde. O que fazem a respeito nossas autoridades do meio ambiente?
- HENRIQUE MOROZOWICZ, compositor, Londrina
Vestibular
Sobre a reportagem ‘‘Calma marca primeiro dia de provas da UEL’’ publicada ontem: tranquilidade aparente fora das salas, intranquilidade real dentro delas. No Centro de Educação Física (CEF), um calor abafado de mais de 40ºC tomou conta das salas internas do ginásio durante o primeiro dia de provas, provocando um enorme desconforto dos vestibulandos! Segundo a coordenadora do CEF, providências ‘‘sérias’’ serão tomadas: ‘‘Provavelmente vocês farão as outras provas em outro lugar. Hoje não dá tempo de mudar as carteiras.’’
- DANIEL ZEMUNER TRINDADE, vestibulando, Londrina
Lixo e nascentes
Sabendo que o prefeito de Rolândia, José Perasolo, está diante de um impasse sobre o lixo da cidade, colaboro com duas sugestões: 1º) Ter uma atitude superior e reconhecer que a área escolhida para a construção do novo depósito de lixo é totalmente inadequada por estar entre duas nascentes de rios e denominar a área desapropriada como ‘‘área de preservação de nascentes’’, como é feito na Europa, onde os aterros sanitários são proibidos e as nascentes respeitadas; 2º) Não reconhecer a má escolha da área e insistir na destruição do Rio Águia e do Rio Caiuby, fato inédito em qualquer construção de depósito de lixo; isso será matar dois rios com uma só cajadada.
Na primeira opção, seu nome será lembrado como pessoa responsável, preocupada com o futuro e a preservação do meio ambiente, que será herdado pelas próximas gerações. Na segunda opção, seu nome será lembrado como a pessoa responsável pelo ato criminoso de destruir dois rios de uma só vez, coisa inédita e inacreditável que ainda possa acontecer às vésperas de um novo milênio, quando a preservação do meio ambiente e a preservação de fontes de água potável são uma preocupação mundial. A decisão sobre a reputação do seu nome no futuro é sua. Eu apenas vou cantar em verso e prosa a sua escolha.
- REGINA MARIA HIRSCH KEMPF, Rolândia
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