O leitor escreve





Governo e sem-terra
É triste ver a forma como o governo Lerner trata das questões sociais no Paraná, ao contrário do tratamento dado às grandes empresas multinacionais. Ao invés de enfrentar essa questão que hoje tem reconhecimento tanto nacional quanto internacional (até mesmo o presidente do banco mundial pronunciou-se a favor da realização de uma ampla reforma agrária no Brasil), ele procura varrer para debaixo do tapete, ou melhor eliminar inclusive o tapete.
O caso da praça do Centro Cívico é emblemático. Em vez de tentar enfrentar o problema discutindo com os agricultores sem-terra (que tomaram a praça durante cinco meses), o governador Jaime Lerner busca eliminar um espaço utilizado para manifestações de protesto as quais sua política provocou, com a utilização de métodos de ilegalidades e até mesmo de tortura durante os despejos.
Será que algum gênio do Palácio e da ‘‘isenta’’ imprensa paranaense acredita que cercar a praça do povo para que a parte mais organizada dele não tenha mais acesso para protestos vai conseguir parar os protestos? Ataca-se um efeito ao mesmo tempo em que segue de fato a única política de Lerner aos sem-terra: a repressão (novos despejos foram feitos às vésperas do Natal e agora no início do ano). O Herodes paranaense deu um grande presente aos cristãos sem-terra...
Qual é proposta desse governo, afinal, para a questão agrária? A quem enganam com o simulacro de assentamento das vilas rurais? Esse programa poderia ter sua importância e adequação mas vem se tornando peça de campanha (eleitoral e anti-reforma agrária). Com o controle do Incra pelo governo estadual qual a política que se implantou? Nenhuma, a não ser um ataque frontal ao MST. isso basta para construir uma política agrária para o Paraná?
Que responda quem tiver juízo...
- PEDRO CHRISTOFFOLI, Curitiba
Pobreza
O estudo da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) demonstrou que 100 milhões de pessoas na América Latina e Caribe são pobres. Em 13 países o povo não tem acesso a grande parte dos serviços básicos, como educação, saúde, água potável. Os países que compõem este cinturão de pobreza são: Belize, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Jamaica, Nicarágua, Peru e República Dominicana.
O estudo conclui que ‘‘embora a maioria desses países tenha aumentado o gasto público social durante a década de 1990, o esforço foi claramente insuficiente’’. Para a Cepal, falta avançar muito em termos de qualidade nos serviços sociais. No estudo o documento afirma que o Brasil, por exemplo, perde para Belize em termos de gastos percentuais per capita no acesso aos serviços sociais. Mas, o Brasil está melhor colocado do que o restante dos países citados e pesquisados em termos globais.
O país que menos gasta em questões sociais é a República Dominicana. O Cepal ainda afirma que ‘‘os países desenvolvidos deveriam realizar esforços adicionais para ajudar as nações em desenvolvimento a terem acesso aos serviços sociais básicos e com certeza seriam reduzidos os índices de pobreza’’.
- NATALÍCIO JOSÉ WESCHENFELDER, padre em Palmas (PR)
Imprensa
Há algum tempo a gente tinha que pensar um pouco antes de ligar o televisor, para assistir um noticiário, ou pegar um jornal para ler. Era só notícia ruim. Parece que quanto mais sofrimento, miséria, morte e sangue, maior era o destaque dado ao fato. Como se não bastasse, também havia os filmes violentos, as brigas nos estádios de futebol, as falcatruas e patifarias embutidas nas novelas e até mesmo nos desenhos animados. Raramente era vista uma notícia boa que pudesse despertar nas pessoas o interesse de uma conduta melhor.
Mas hoje vejo com alegria que as coisas estão mudando para melhor, os noticiários estão veiculando cada vez mais o trabalho de voluntários anônimos que isolados ou pertencentes a alguma organização estão trabalhando no sentido de melhorar a sociedade, mudar o mundo para melhor. Esse trabalho é maravilhoso porque incentiva esses grupos a se multiplicarem a ponto de que num curto espaço de tempo venceremos a fome, a miséria, o analfabetismo, o baixo nível do ensino e tantas outras mazelas que assolam nosso País.
Parabéns aos dirigentes dos meios de comunicação que estão despertando no cidadão a consciência de sua força, não aquela que só espera do governo, mas a que arregaça as mangas e vai à luta. É assim que se mudam a coisas para melhor. Nosso potencial humano é imenso, só precisamos despertar para isso, e a mídia é o grande instrumento. Já se disse que a imprensa é o quarto poder, e é de fato pela capacidade de influenciar as pessoas.
- SILVÉRIO DA SILVA, Londrina
Sociologia
As relações sociais estão degenerando por não serem levadas a sério. A questão de gênero é apenas mais um índice que dá boa vendagem. A inexistência do ensino de sociologia no 1º grau, a falta de amparo, como ocorreu na Europa, para diversas profissões e para a de sociólogo, criam uma falta de conhecimento sobre o significado da sociologia no dia-a-dia. Consequência desta falta de conhecimento científico é a violência com que uns tentam impor aos outros seus juízos de valor, sem democracia, sem respeito, por pura ignorância do que está por trás da comunicação entre pessoas.
Sem dúvida que outras disciplinas podem colaborar neste sentido, mas a sociologia faz muita falta, pois aqui estão pesquisas e reflexões fundamentais para melhorar a postura de todos frente a cada um e a si mesmo, em última instância. Que cada escola, cada professor, cada diretor, cada político em seu respectivo mandato colabore para aperfeiçoar o nível de conhecimentos das questões relacionadas com o relacionamento humano, especialmente a divulgação da vasta produção sociológica.
- JOSÉ CARLOS COSTA HASHIMOTO, Curitiba
Solidariedade
Parabéns a Luiz Sallim Emed, que soube trazer para os dias de hoje, em seu artigo publicado no dia 7, um pouco daquilo que a Família de Nazaré sofreu em seu tempo. Oxalá os leitores, principalmente aqueles que possuem ‘‘princípios éticos e humanitários’’ e que são essenciais à sociedade (médicos, dentistas, advogados, políticos, governantes, professores, entre outros), possam ter ‘‘o espírito, o compromisso e a atitude’’ da jovem doutora, que, deixando a ceia natalina, junto aos seus familiares, foi ao encontro daquela senhora necessitada, próxima de dar à luz ao seu filho, demonstrando espírito de solidariedade, amor, dedicação e profissionalismo. O resultado: a paz interior por ajudar o irmão e a satisfação pelo dever cumprido.
- WAGNER LUIZ KRELING, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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