O leitor escreve
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Mistérios
Apesar do grande mistério da vida, sabemos hoje da capacidade do homem em se adaptar em todas as regiões geográficas, e de potencialidade na transformação dos meios naturais, num esforço hercúleo em encontrar melhores formas no enfrentamento dos múltiplos desafios que a própria natureza lhe impõe para que haja reais condições de sobrevivência digna para todos.
O que o animal humano foi capaz de fazer até agora surpreende e até é capaz de maravilhar. Apesar de tantos equívocos, de tanta dor, de tanta injustiça e perversidade, existe uma vontade coletiva de acertar o passo, de resolver os problemas básicos da sobrevivência, de oferecer às gerações futuras soluções para o cultivo dos alimentos, a cura de doenças e o que é mais importante a superação da morte. Na realidade, toda tecnologia existente tenta dar respostas aos desafios de dois enigmas da existência humana: a dor e a morte.
Iniciamos agora o último ano do século XX, um século dramático, onde o homem vem tentando, de todas as maneiras, dar conta de decifrar o enigma da vida (não nos esqueçamos da revolução genética desde a descoberta do DNA, em 1953), e não desconhecemos as consequências da aplicação da engenharia genética para um novo tipo de sociedade e humanidade que deverão ser moldadas no próximo século. As tecnologias (com seu alto poder destrutivo) serão também capazes de garantir a dignidade da vida?
O ano 2000, realidade, começa sob uma grande indagação: o que faremos com tanto conhecimento sobre nós mesmos, conhecimentos esses que ampliam a dimensão do mistério da vida? Conseguiremos, com tanto conhecimento, garantir efetivamente melhores condições de vida para todos? Com certeza, o século XXI poderá ser mais dramático que o seu antecedente. Mas, será muito mais interessante a travessia dessa nova centúria, que poderá comprovar o que Shakespeare dissera em seu tempo: Há mais mistério entre o céu e a terra que a nossa vã filosofia.
- VALMOR BOLAN, sociólogo, São Caetano do Sul
Árbitros
A Fifa, entidade que controla o futebol no planeta, decidiu convocar um único árbitro ou assistente brasileiro para o Mundial de Clubes, que ora se realiza no Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro), já que é de praxe a entidade convidar árbitros de países que promovem competições, a exemplo do que ocorre na Copa do Mundo. Pelo menos na administração do brasileiro João Havelange sempre houve prestigiamento de árbitros brasileiros em eventos desse quilate. Pelo jeito o atual presidente da Fifa, o suíço Joseph Blatter, e o secretário-geral da entidade Michel Zen-Rufinen não morrem de amores pelo futebol brasileiro. E decidiram convidar para dirigir os jogos desse Mundial de Clubes os seguintes árbitros. Serguei Ufimtsev (Kuwait), William Mattus (Costa Rica), Horacio Elizondo (Argentina), Oscar Ruiz (Colômbia), Derek Rugg (Nova Zelândia), Stefano Braschi (Itália) e Dick Jol (Holanda). Para a maioria esmagadora da mídia esportiva e até mesmo na própria CBF, foi uma atitude deselegante da entidade máxima do futebol mundial, para com o futebol tetracampeão do mundo.
O que se procura passar à opinião pública brasileira é que fomos esquecidos e que nossa arbitragem, merece maior respeito. Ouso discordar. A Fifa age com extremo profissionalismo e seriedade em tudo o que faz, daí a não inclusão de nenhum árbitro ou assistente nesse Mundial de Clubes. A arbitragem brasileira parou no tempo e desde o lamentável episódio Ivens Mendes, nunca mais conseguiu se aprumar. Tanto é verdade que o único árbitro que obteve destaque no Campeonato Brasileiro pretérito foi o paulista Oscar Roberto Godoy.
Nossa arbitragem está viciada em erros primários, de paternalismos e dependente dos presidentes de federações e clubes. Na maioria dos jogos realizados em solo brasileiro os árbitros não conseguem dirigir as partidas com absoluta insenção, a condição física daqueles que são considerados os principais nomes da arbitragem nacional é duvidosa e nos aspectos técnicos e disciplinar, não há um mínimo de uniformidade. Só observo uma saída: a profissionalização do árbitro de futebol no Brasil a exemplo do que já vem acontecendo na Alemanha, Espanha, Inglaterra e Itália
- VALDIR DE CÓRDOVA BICUDO, ex-árbitro de futebol, Londrina
Combustíveis
Chega a ser piada, ler que o ministro Rodolfo Tourinho (Governo quer abrir mercado de combustíveis 05/01), está tomando medidas para que as distribuidoras possam atuar no segmento varejista, com o intuito de diminuir os preços. Estará ele sim entregando de vez nossos estoques estratégicos na mão de empresas multinacionais, de capital em sua maioria estrangeiro, e que trabalham com uma estrutura enxuta, mas que auferem a si próprios imensos lucros. Medida demagógica, visa novamente jogar a culpa pelos preços dos combustíveis nos postos revendedores.
Com esta medida, o sr. Ministro conseguirá uma diminuição de apenas 10 centavos no preço dos combustíveis, margem média hoje da maioria dos postos. Deveria ele sim pedir o fim das distribuidoras e liberar os postos para a compra diretamente da refinaria. Assim conseguiríamos baixar o preço em pelo menos 20 centavos e tirar um elo da cadeia que somente existe para abusar do revendedor e por conseguinte do consumidor. Infelizmente novamente o revendedor, que gera empregos e paga impostos (muitos) é novamente o culpado da ingerência das pessoas que estão no poder.
Deveria o sr. Ministro, fazer diminuir o PPE, parcela de preço específica, que já na refinaria faz a gasolina de R$ 0,34/litro para mais de R$ 0,60/litro conforme a própria ANP divulga em sua página na internet. Deveria o sr. Ministro explicar porque o próprio governo usa como base de cálculo para o ICMS sobre a gasolina o valor de R$ 1,41/litro. Deveria também o sr. Ministro informar a população que, enquanto o Brasil paga esse valor absurdo pela gasolina, o nosso excedente é exportado por somente R$ 0,34 para países vizinhos e Estados Unidos. Seria de muito bom tom se alguém do governo explicasse tudo isso. Mas com certeza não aparecerá ninguém para isso. Assim como nunca apareceu ninguém para explicar a CPMF, o pedágio, o IPVA, etc. Vivemos em tempos difíceis, que em nada diferem da ditadura. A forma velada como a população tem acesso às notícias é a maior forma de censura imposta a ela.
- LUIZ CARLOS PIELAK, proprietário de posto de combustíveis, Londrina
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