O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Turismo sexual
Concomitantemente à campanha para reprimir o turismo sexual, o Brasil deveria parar de mandar irresistíveis convites aos prazeres da carne, via satélite, aos demais países do globo. Praticamente todos os nossos programas de televisão são captados no exterior. Sabemos que nem todas as mulheres que protagonizam a coreografia dos atuais porno-sambas (dança do tchan, boca da garrafa, pirulito, etc.) são mercadoras de seu corpo, porém, é de se exigir que os estrangeiros pensem assim? Registre-se que todos temos exemplos (na própria família) de crianças e pré-adolescentes que se julgam o máximo em fazer as tais danças pornográficas.
O nosso tradicional carnaval, por sua própria magia e cenário, é compreendido interna e externamente sob a ótica cultural. Mas qual a conclusão que chegam os demais habitantes do planeta ao deparar, na tevê, com imagens de nossas garotas brasileiras (fio dental e corpos esculturais) requebrando frenética e eroticamente, em ritmo de samba, sobre uma garrafa no chão entre as pernas? Essa moçada pensa que está inventando algo novo quando, na realidade, essas danças eróticas vêm de tempos imemoriais. Porém, outros povos de cultura (e educação) mais esmerada, confinam essas coisas em lugares próprios (cabarés, casas noturnas de shows, boites, etc.) geralmente não acessíveis a menores. Nada de novo! Apenas tais coisas foram retiradas dos porões da vida noturna brasileira, onde também estavam até então confinadas, e trazidas a público, fomentadas por meios de comunicação mobilizados por interessados comercialmente nessa fatia do mercado.
- ELIAS MATTAR ASSAD, Curitiba
Paranóia da reeleição
Essa obsessão paranóica em se reeleger lembra o golpe do Estado Novo, perpetrado por Getúlio Vargas. Naquele tempo o mundo ainda não era uma aldeia global; a mídia claudicava lenta, não era eletrônica, televisiva, instantânea. Agora é preciso salvar as aparências - não é preciso fechar o Congresso! - basta comprá-lo! Os Poderes Judiciário e Legislativo são manipulados como fantoches, com pulso férreo, transformando o estado de direito numa figura de retórica. Os servidores civis do Poder Executivo são massacrados impiedosamente, sem um centavo de reposição da inflação, durante 29 meses, como se fosse o bode expiatório! Assim, sobra mais dinheiro para comprar os venais canalhocratas do Congresso, sem precisar fechá-lo, a fim de manter essa farsa de democracia - é preciso salvaguardar as aparências perante a opinião pública internacional.
O Congresso não faz a reforma do Código Penal porque, se o fizesse, talvez algumas dezenas de congressistas certamente desceriam a rampa algemados. Há uma lista de 34 canalhocratas que o STF não consegue processar por causa do benefício da imunidade parlamentar, que a máfia solidária do Parlamento se empenha em resguardar. A cúpula do governo está podre! - a nação, desencantada, tem de aspirar os miasmas deletérios que se exalam de Brasília, empestando todo o país!
- ANTÔNIO DONATZ RIBEIRO DA SILVA, Curitiba
Casa própria
Há momentos em que a ânsia da mudança, por si própria, é inexorável. A roda dágua só gira quando cai o último pingo no último caneco. Pois caiu. O 66º Encontro da Indústria da Construção demonstrou, tecnicamente, que o construtor brasileiro está promovendo uma revolução silenciosa nos meios de produção. E quer mudança. A questão tecnológica, o desmonte da armadilha trabalhista, a revisão dos processos e dos paradigmas, são fatores em evolução e mudança. Mas, vindos de algum lugar do passado, flashes dão a impressão que a realidade é outra. No segundo dia do Enic, o ministro Kandir, perante uma platéia incrédula, fez seu discurso. Vendeu números como Malba Tahan, levantou-se e evadiu-se. Como se fosse ele quem, chegando de longe, com 16% do PIB nos ombros, estivesse cansado demais para dar explicações. Não respeitou ninguém, muito menos o tema em discussão: Habitação, um direito do cidadão, que soou sarcástico quando dito por ele. As pessoas não mudam. Tergiversam, como Collor. A tática é a mesma: escuta, aceita e ignora os alertas de quem, na prática, constrói o Brasil. Mais um que aprendeu, com o homem da CEF, a participar da indústria da notícia, para sair no Jornal Nacional.
- ROBERTO LUIZ VALENTE, presidente da Ademi-PR, Curitiba





