O leitor escreve





O bug
Sexta-feira, 31 de dezembro de 1999, todos aguardamos com ansiedade a grande virada, novos tempos se aproximando, tudo novo, as esperanças renovadas, as alegrias, as confraternizações, etc. Uma expectativa nos enche ainda mais de ansiedade – o bug do milênio – tão esperado por todos. ‘‘Mas não se preocupem, todas as precauções foram tomadas, milhões de reais foram investidos para que nada aconteça nos aeroportos, bancos, hospitais, bolsas de valores, hidrelétricas, abastecimento de água, e tantos outros serviços.’’ Estas foram as palavras mais ouvidas nas últimas 48 horas.
Sábado, 1º de janeiro de 2000, pego a minha bicicleta às 7h30 e vou dar uma volta pela cidade, verificar os estragos do bug do milênio, observar o que aconteceu, afinal de contas moro aqui em Londrina, não na Austrália, Japão, Rio de Janeiro, e tantos outros locais que estiveram o dia todo na mídia quase me fazendo esquecer de minha terra vermelha.
Mas de repente, que coisa estranha, nada aconteceu, tudo tão igual. Inclusive o ‘‘bug do milênio’’ continuava deitado ali no calçadão, perto do coreto, nos bancos das praças centrais...aqueles mesmos mendigos de sempre, a mesma fome, a miséria, o descaso, o descomprometimento social para com o ser humano. Mais uma vez, conseguimos terminar um ano, e o que é pior sem dar fim ao ‘‘bug’’ que a 2000 anos acaba com a dignidade humana.
Milhões de reais em equipamentos, que, embora auxiliem o homem, não se nega isso em momento algum de nossa história, mas que nunca auxiliaram a derrotar a ganância e o descaso. Afinal, para que servem equipamentos que apenas alguns têm o direito de utilizar e ter benefícios? O que aquelas pessoas ali jogadas pelas calçadas ganham com isso? Quantos milhões foram investidos para reverter essa situação? Ainda há tempo para mudar.
- JOSÉ CARLOS BERALDO, professor, Londrina
Promessas
Quando o presidente Fernando Henrique Cardoso lançou sua campanha para a Presidência, ele se comprometeu, através de sua palavra, que dentre outras prioridades iria diminuir e simplificar a pesada carga tributária que tanto emperra o progresso de nosso País. E passados todos esses anos do seu governo, o que temos? Um quadro exatamente ao contrário daquilo que nos foi proposto. O governo federal aumentou a alíquota de vários impostos já existentes e ainda criou outras aberrações tais como a CPMF.
Os governos estaduais por sua vez pegam carona no exemplo e na falta de sensibilidade do governo federal e também geram os seus monstros: taxas extras para equipar a polícia como fizeram em Minas Gerais e São Paulo; antecipação de royalties de Itaipu, antecipação do IPVA, e pedágios em rodovias já construídas com o dinheiro público, no caso do Paraná. São arbitrariedades que além de comprometer administrações futuras, mina ainda mais o bolso do povo, contribuindo para o enfraquecimento da economia privada, gerando com isso mais desemprego, miséria e violência.
Diante de tantas mentiras, engodos e promessas não cumpridas, o que mais magoa é saber que eles são nossos representantes. E quando nos perguntamos por que suportamos a tudo isto calados, dizem que somos um povo pacífico e ordeiro. Será que somos realmente, ou estamos pagando o preço de nossa omissão e covardia?
- LUIZ SILVIO BAPTISTA, comerciante, Cornélio Procópio
Fogos de artifício
Mais um ano-novo que chega e mais pessoas queimadas por fogos são atendidas nos hospitais. E ninguém, mas absolutamente ninguém, é capaz de tomar qualquer atitude. No balneário de Matinhos, nas proximidades da prefeitura, durante todo o dia 31 uma pessoa inconsequente soltava rojões denominados ‘‘treme-terra’’. E este é realmente seu resultado tamanho o poder da explosão. Como pode uma pessoa armazenar tanta quantidade de explosivo (pólvora) em sua casa sem maiores problemas? Quanto de pólvora existe em cada foguete deste? O artefato, constituído de uma vara de madeira de aproximadamente 1 metro sobe a aproximadamente 30 metros de altura e explode em um único ‘‘tiro’’. A vara, juntamente com o envólucro do explosivo, caem, daquela altura, sobre qualquer um ou qualquer coisa. Imaginem isto sobre a cabeça de um criança despencando de 30 metros de altura ou mais.
O mais curioso, senão cômico, são as instruções no invólucro: proibido a venda para menores de 18 anos e a pessoas alcoolizadas. Imagino que durante o dia 31 estavam todos sãos. Recomenda-se ainda, utilizar o produto somente em lugares abertos, no mínimo a 50 metros de pessoas, veículos, animais, edificações, rede de eletricidade, postos de combustíveis e demais inflamáveis ou explosivos... Nem na praia, onde foram lançados com apoio das autoridades, estas condições são obedecidas! Está na hora de se fazer algo. Para tal, apelo à Folha para que faça investigação criteriosa sobre a quantidade de pólvora existente em cada artefato; o comércio de tais ‘‘bombas’’, os gastos resultantes dos feridos com fogos. Quem sabe assim alguma autoridade acorde para tamanho absurdo onde nós contribuintes temos que pagar atendimento médico sem ter mesmo vendido algo. E o pior é não poder, nem com nosso dinheiro, devolver a mão à uma criança ou a vista a um trabalhador.
- SERGIO R. MALUF, analista de sistemas, Curitiba
Editorial
O editorial ‘‘Doença não tira férias’’, retrata com absoluta fidelidade as razões do caos na saúde. Parabéns pela análise tão séria e pela coragem em publicá-la. A imprensa livre e compromissada com a verdade é um meio fundamental na transformação da sociedade.
- ICANOR ANTONIO RIBEIRO, cardiologista, Londrina
Caminho das águas
Nas ‘‘praias do universo as águas se buscam’’ em ritmo da harmonia, levando e trazendo tesouros, nas variações de ondas e marés; estrelas do mar cintilam ao brilho dos raios primeiros, há paz na natureza recomposta e nos corações. As agendas nossas do ‘‘dia-a-dia’’, com o toque do vento, rapidamente têm as páginas viradas, dias e noites se ultrapassam em ciclo quase... completo. Orvalho divino é soprado nos ressecados corações e como névoa suave devolve o equilíbrio e a paz, e bênçãos desfazem enganos.
Notas musicais se expandem no silêncio e o mundo se rende ao encanto próximo; num canto da casa da chácara ou apartamento, onde um pinheiro simbolizou com luzes e enfeites a especial chegada, ‘‘flashs’’ explodiram, trazendo ao ambiente sorrisos que dançaram sob o comando do amor, lindas crianças se identificando com adultos que nunca viram, visitantes se sentindo parte de uma grande família até então desconhecida, na grande comitiva dos peregrinos da esperança, agora pérolas incrustadas na história da vida.
Daquela agenda terna e real a última das páginas foi virada, a maré baixou, nossos pés tocaram qual macio veludo, as areias do infinito... Nossas mãos dadas, olhos fixos no horizonte, o champanhe, ou o refrigerante comum preparados, roupas brancas ou não, e o sorriso refletindo os primeiros raios da verdade que sempre segue a direção e a limpidez do caminho das águas.
- LUIZ EDGARD BUENO, escritor, Londrina
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