O LEITOR ESCREVE
Tributo a policiais
Muito triste e comovente a cena estampada na primeira página da Folha de sábado, 31 de maio: estendido no chão estava o corpo do soldado Freire, vítima fatal do assalto ao Posto do Banestado na UEL e, ao seu lado, outro policial chorando diante daquela fatalidade. Obviamente, tudo o que se disser para eufemizar a fatalidade não trará o desejado consolo a seus familiares. Nem por isso se deve minimizar a tragédia, aceitando passivamente o resultado como decorrente do risco inerente à profissão. A sociedade, com razão, não perdoa e reage, com indignação, quando o policial se encontra no centro de acontecimentos como agente de conduta ilícita, desviando-se da sua missão. Deve repudiar, também, com veemência, quando o policial, no cumprimento do seu dever, tomba como vítima de atroz ação criminosa.
No caso em referência, o soldado Marcos Freire, como também o soldado Roque Moniz (baleado na coxa esquerda), cumpriam serviço de segurança no Posto do Banestado da UEL. Consta que houve luta corporal. Não negligenciaram na missão que lhes foi incumbida. Lutaram. Um morreu e outro restou ferido. Não devemos banalizar a morte e a lesão dos policiais. Ao contrário, é o momento oportuno para colocar em evidência o destemor e o alto senso de responsabilidade no cumprimento do dever com que se houveram os policiais, honrando as vestes militares. Prezada senhora Dileá e seus filhos Dérik, Duene e Duliam: Marcos Freire morreu na defesa do interesse público. Deu sua vida na defesa de outras vidas. Morreu com dignidade. Toda a comunidade londrinense, por certo, está chocada com sua morte e, cada um, no silêncio da meditação, solidário na dor, lhe estará tributando todo o reconhecimento e gratidão pela missão cumprida. Que signifique esta mensagem um tributo a Roque Muniz e à memória de Marcos Freire, dos quais esposa, filhos, pais e irmãos certamente se orgulharão. Para sempre.
- ANTÔNIO WINKERT, promotor de Justiça de Defesa da Saúde do Trabalhador da Comarca de Londrina
Segurança bancária
O Sindicato dos Bancários, juntamente com o Sindicato dos Vigilantes, vem alertando, há muito, para o crescente índice de violência bancária em Londrina e região. Os bancos reduziram recentemente, em Londrina, o horário de atendimento ao público, em detrimento do restante da cidade. São os maiores exploradores de mão-de-obra através das horas extras trabalhadas e não pagas. Foram nacionalmente brindados com o Proer, concessão não disponível para outros ramos da economia, nem à saúde ou educação, sem falar nos precatórios, onde grandes bancos apareceram na ponta de vergonhosos esquemas.
Recursos e denúncias já foram insistentemente encaminhados às diversas instituições afetas à segurança bancária, mas, como mais uma benesse concedida aos banqueiros, estes também não são importunados nessa área. Após tal cadeia de omissões, transparecia-nos que se aguardava uma senha para agir e, macabramente, seria uma vida humana? Ou ainda não será suficiente para transpor a barreira imposta pelo poderoso lobby dos banqueiros? O conjunto da sociedade, que é quem mantém os bancos à custa de altas tarifas, escorchantes taxas de juros e, nem sempre desfrutando de bom atendimento, não pode continuar assistindo a esse setor tripudiar sobre seus direitos, devendo exigir mais de quem tem tantos privilégios.
- JOSÉ FRANCISCO DA SILVA, presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina e região
Freire
Seu nome não poderia expressar nada melhor. ‘‘Freire, s.m., irmão, membro de qualquer ordem militar. Freire de Cristo...’’ Marcos da Silva Freire, no cumprimento dessa ordem militar, tão questionada por muitos, em mal traçadas linhas deixa-nos um recado de que devamos acreditar de que nem tudo está perdido. Melhor mensagem seria se, no dever cumprido, não tivesse que, em troca desse cumprimento, entregar sua vida, deixar sua esposa e filhos. Um preço inestimável para um amanhã esquecido por nós, mas inesquecível para seus entes queridos. Contudo, Diléa, essa dor persistirá enquanto a violência prevalecer em nosso meio social.
- JULIETA ARSENIO, psicóloga da Penitenciária Estadual de Londrina

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