O leitor escreve





Agricultura
Enquanto o grande a saudoso presidente Getúlio Vargas queimava café para melhorar o preço e trazer divisas para o País; enquanto os governantes europeus e de outros países subsidiam fortemente a agricultura; enquanto Bill Clinton, numa atitude inteligente e patriótica até paga aos agricultores americanos para não plantarem e assim manter os preços dos produtos agrícolas, Fernando Henrique Cardoso para forçar a baixa dos preços, coloca café em leilões públicos a preço vil e em condições vantajosas de pagamentos de 3 a 5 anos, para favorecer os seus ‘‘padrinhos’’ especuladores que nada produzem para o País, a não ser miséria.
Para piorar ainda mais a situação dos agricultores descapitalizados ao longo dessa ‘‘fantasia’’ que é o Plano Real, mantido exclusivamente pela agricultura, Fernando Henrique através de seus pregoeiros e arrogantes palacianos da Embrapa e do Ministério da Agricultura, distorce de forma vergonhosa, leviana e irresponsável a realidade da safra agrícola de 99/2000. Apregoa cinicamente, se não fosse trágico, grande safra de café e de soja, quando na verdade teremos no máximo 18 milhões a 20 milhões de sacas de café. E a safra de soja, também castigada pela grande seca que assolou e ainda castiga o País, está drasticamente comprometida. Realmente, os tecnocratas e burocratas que compõem esse catastrófico governo não conhecem sequer um pé de café e soja e estão matando a agricultura e com ela o Brasil.
Eles não possuem sensibilidade e nem capacidade para entender que a desvalorização cambial e a grande seca trarão dois anos difíceis para os cafeicultores, sem colheita; situação que se agrava com a alta dos insumos e inviabiliza a atividade produtiva dos agricultores. O agricultor não precisa de CPRS ou subsídios fantasiosos ou outras ‘‘farsas’’, que só servem para endividá-lo. Quer preços justos que lhe dêem condições de trabalho para produzir e viver com dignidade.
- FRANCISCO LOPES, advogado e agricultor, Cambé
Asfalto
Como cidadã pagadora de IPTU me encontro em pleno direito de reclamar publicamente depois de oito anos reclamando, três abaixo-assinados, várias ligações para o 156, que nunca atende, além de outras solicitações formais para a pavimentação de apenas três quadras da Rua Bruno Lobo (Bairro Alto, em Curitiba) entre as ruas Marco Polo e José Lins do Rego. A rua toda já se encontra com antipó aplicado, mas é esquecida ou dela fazem descaso. Só recebi promessas.
Estou danificando meu veículo quando tento sair da garagem de casa e caio dentro da grande valeta que ali se formou. Já tentei tampá-la por conta própria, mas foi inútil visto que escoa muita água de chuva por ser uma descida. Nós já temos esgoto, só falta a boa vontade de pavimentar essas quadras esquecidas, quando áreas de invasão, ou seja não-pagadores de IPTU, já receberam há muito tempo este benefício. Pergunto então à Prefeitura de Curitiba: será que para morar em uma rua asfaltada vou ter que me mudar para a favela?
- NADIR AP. SANCHES SEGALIO, Curitiba
Vestibular
Sobre a carta do leitor Joel Garcia, referindo-se ao vestibular de inverno da UEL, publicada nesta Folha do dia 18: sua indignação seria compreensível, não fosse ela fruto de uma análise equivocada aliada a uma absoluta desatenção para a realidade que nos cerca. Permita-me reproduzir alguns trechos da carta, um tratado inacreditável de sucessivos equívocos.
Entre outras barbaridades, o leitor sugere ‘‘que a UEL seja realmente de Londrina (...) que impeçam a avalanche de alunos de fora (...) que nada tem a ver com o município, com nossa cultura (...) deixam nossa cidade depois de formados (...) levando nossas vagas e impedindo que tenhamos uma elite intelectual’’ e por aí vai. Se formos ‘‘impedir’’ a tal avalanche de alunos de outros Estados, seria bom perguntarmos aos caingangues (moradores do pedaço há mais de 500 anos) se não seria a hora de nos mandarmos daqui, posto que todos nós fizemos parte de uma ‘‘avalanche’’.
Se estes novos ‘‘pioneiros’’ não têm nada a ver com nosso município e com nossa cultura, devemos dar graças a Deus, pois foi justamente essa ‘‘biodiversidade multicultural’’ que impediu que Londrina ficasse sem graça, e tão ‘‘animada’’ quanto um vilarejo qualquer. Se há casos de estudantes ‘‘de fora’’, que aqui se formam e depois vão embora, cabe perguntar quantos se formam lá fora e depois retornam para Londrina. E quantos aqui permanecem.
Só alguém que desconhece os mecanismos básicos da gênese das cidades poderia afirmar que ‘‘o comércio que se precipita com lucros passageiros esquece que um cidadão formado em Londrina aumentará e muito a renda per capita do município’’. Triplo engano! Primeiro, a frase não existe no dicionário do comerciante. Natais são passageiros e, lucro por lucro, os estudantes ‘‘de fora’’ deixam milhões de reais durante os anos que aqui permanecem. Já que sustentam boa parte do mercado imobiliário. Sem contar os livros, a alimentação, os bares, os cinemas, telefonemas, medicamentos... Se por um acaso esses equivocados modos de pensar atingissem um legislador menos preparado, Londrina ainda se chamaria ‘‘Três Bocas’’, um povoado de 200 habitantes lutando contra o barro.
- CHRISTIAN STEAGALL-CONDÉ, arquiteto, Londrina
Diário do Pré
O leitor da Folha que ligou para questionar a qualidade das crônicas de Paulo Briguet que me desculpe. Pode entender de futebol, mas não de crônicas. Desde a Copa América tenho acompanhado os belos textos de Briguet que exploram, de modo magnífico, os bastidores do futebol. Acrescentou Briguet uma nova roupagem à Folha Esporte, onde tantos outros talentosos jornalistas emprestam sua competência.
O futebol é visceral à cultura brasileira e os pensadores apontados por Briguet, e tantos outros não apontados, fazem deste esporte-arte uma inesgotável fonte de ‘‘viagens’’ antropológicas e sociológicas. Um primor a crônica sobre Fiori Giglioti. Só quem viveu a ‘‘época do rádio’’ do futebol pode compreender as fantasias alimentadas nos garotos do interior por este gênio do rádio esportivo. Pena pra frente, Briguet! Que a bola de sua esferográfica continue a balançar a rede de nossos neurônios.
- LUIZ CARLOS BRUSCHI, professor universitário, Londrina
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