O leitor escreve





Tragédia no Litoral?
O Brasil tem uma triste tradição: é preciso que aconteçam tragédias de grandes proporções, envolvendo a perda de muitas vidas, para que as autoridades tomem providências. Infelizmente, se nada for feito, qualquer dia este jornal exibirá em sua capa a triste manchete: ‘‘Barco vira e mata dezenas de pessoas no Litoral paranaense.’’ O barco que faz o transporte de moradores e passageiros entre Guaraqueçaba e Paranaguá, passando pela Ilha das Peças, é um exemplo de negligência com a vida humana e desrespeito total a todas as normas de segurança.
Dias atrás, tomei o barco para voltar de Guaraqueçaba a Paranaguá e pude constatar estes problemas. A embarcação tem capacidade para 110 tripulantes e conta com 96 coletes salva-vidas. Pois bem. O barco já sai de Guaraqueçaba com sua capacidade máxima, afora as bagagens. Ao chegar na Ilha das Peças, cerca de 50 pessoas entraram no barco, sem nenhum controle por parte do cidadão que se dizia comandante ou responsável (?) pela viagem. Mais gente (incluindo bebês e idosos) e mais bagagem pesada, como aparelhos de som e televisores.
Tomados pelo pânico de que o barco afundasse, alguns tripulantes trataram de garantir seus coletes salva-vidas. Uma senhora de Curitiba, revoltada com a superlotação, chamou a atenção do comandante (?) e ameaçou denunciá-lo. O sujeito foi grosso com esta senhora e disse que se ela não estivesse satisfeita, poderia desembarcar ali mesmo.
Nas proximidades da Baía de Paranaguá, esta senhora ligou, do seu celular, para a Capitania dos Portos. Quando o barco atracou, dois oficiais, alertados pela senhora, fizeram a contagem dos passageiros e constataram a superlotação. Anotaram as irregularidades e, creio, apenas notificaram o comandante da embarcação.
É digna de elogios a ação eficiente da Capitania dos Portos, mas esta fiscalização precisa ser realizada na saída da embarcação, em Guaraqueçaba e também na Ilha dos Peças. Além da superlotação, várias pessoas estavam fumando e consumindo bebidas alcoólicas durante o trajeto, num desrespeito total às normas de segurança num barco. Os habitantes locais, por dependerem deste meio de transporte, sujeitam-se ao perigo e não se atrevem a questionar a segurança na embracação. Uma fiscalização mais enérgica e um mínimo de conscientização e respeito pela vida por parte da empresa que faz este trajeto ajudariam a evitar aquela que pode ser a maior das tragédias no nosso litoral.
- FÁBIO PINHEIRO, jornalista, Curitiba
Pedágio
O tal ‘‘impasse’’ entre o governo – diga-se de passagem o grande culpado por esta situação e o cartel de concessionárias das rodovias paranaenses – tem cheiro de coisa premeditada. Ou seja, elas cobram pedágio, não aplicam nada em obras e ainda estão falando em um aumento absurdo. Enquanto isto, recurso aqui, liminar ali, o tempo vai passando e chega o grande objetivo final, ou seja, largar o abacaxi para o novo governo.
- ALVARO JOSÉ MANCHINI, Londrina
CPIs nas prefeituras
O ano de 1999 já se foi e não deixou saudade. Marcado pela crise econômica, que colocou o País na condição de ‘‘bola da vez’’ do jogo financeiro mundial, e pelas manobras inconsequentes feita pelo governo FHC, numa tentativa obsessiva de segurar o real custe o que custar, no ano passado os brasileiros alimentaram expectativas quanto ao futuro.
Sem bug e com dinheiro a menos no bolso, a população assistiu em 99 aos escândalos das privatizações das empresas de telecomunicações, vendidas a preço de banana, ou melhor doadas de bandeja aos grandes grupos econômicos mundiais; o crescimento do desemprego, a escalada da violência nas cidades e a instalação de CPIs nas prefeituras de São Paulo, Guarulhos e em Londrina, onde as estimativas apontam para um rombo de R$ 30 milhões nos cofres públicos.
Todo esse dinheiro deveria ser revertido em benefício para o povo, melhorando as condições de saúde, educação e no combate à violência. A ganância e o egoísmo são causas de injustiças sociais, que não deixa o povo crescer. Pela falta de consciência fraterna e de igualdade, a minoria detém nas mãos o poder econômico e a sustentação de um luxo supérfluo, constituindo um insulto à miséria da grande maioria. Tudo isso fere brutalmente os direitos humanos, e é contrário aos desígnios de Deus e a honra a Ele devida.
- ANTONIO CARLOS DE MELO, bancário, Porecatu
Futebol
Quero manifestar minha opinião em relação ao contido no artigo escrito pelo jornalista Walmor Macarini, intitulado: ‘‘Olha a palavra, Candinho!’ Penso de forma diferente. Achei-o totalmente equivocado. Ainda não tive o privilégio de conhecer pessoalmente Wanderley Luxemburgo e Candinho, contudo, o que basta e interessa é conhecer o resultado de seus trabalhos e realizações.
Candinho, humildemente, como é de seu feitio, externou uma opinião inteligente e responsável, porque a ‘‘melhor maneira de demonstrar respeito pelo adversário, é se preparar para enfrentá-lo’’. No ambiente da Seleção, com certeza, as ações internas estão sendo precedidas por fortes convicções, na medida que cada jogador conhece a sua capacidade, sua importância e o seu valor. O adversário também sabe do nosso poderio. Eles (dirigentes e jogadores) sabem o que querem, porque tanto Luxemburgo como Candinho, têm capacidade de converter idéias em coisas concretas, que é o segredo do sucesso.
Eles sabem trabalhar com o emocional dos jogadores. O Candinho está certo quando a chance é de 20%, porque esse percentual é assim para todos os participantes. Na Seleção, infelizmente, diferente de algumas áreas, é que a pessoa tem de continuar sendo sempre um sucesso. O futebol é feito de erros e acertos. Ser bem-sucedido só não basta: os outros também precisam fracassar. Luxemburgo e Candinho não têm somente desejos (o que só os torcedores possuem). Eles são grandes espíritos, buscam objetivos. Vão em frente. O rumo está certo e o trabalho é muito bem-eito. Se a Seleção, eventualmente, fracassar, ela também não sairia vitoriosa em outras mãos.
- CLAUDINÊ DE OLIVEIRA, funcionário público estadual, Londrina
Diário do Pré
Prezado Paulo Briguet (da Folha): segundo você mesmo, a palavra craque deve ser usada somente para quem o merece, e gênio para um grande lance a cada dez anos. Espero que você cumpra a promessa e, mais ainda, divulgue este compromisso com outros cronistas esportivos, principalmente da televisão. Tenho certeza que os comentários de futebol e outros esportes seriam mais honestos e menos recheados de jargões ou, até mesmo, de outros interesses nem sempre publicáveis. É por isso que digo a você, craque do jornalismo, continue fazendo suas jogadas geniais, articulando bem o meio-de-campo, recuando na hora certa, mas sem deixar de ir ao fundo em busca do gol e principalmente, jamais perca a humildade e se esqueça de nós na torcida. Parabéns.
- MARCELO LEAL, Londrina
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