O leitor escreve
O leitor escreve
No ano que vem
O Réveillon traz mais esperança para o brasileiro, otimista por natureza. Ano que vem a coisa melhora, o dinheiro vai estar mais fácil, ano que vem será de fartura, ano que vem... Se alargarmos a prosa estaremos diante de um universo de esperanças e promessas: no próximo ano o cigarro será cortado definitivamente; aquele regime, tantas vezes adiado, também terá início depois do Réveillon; o livro que não foi lido; a visita ao compadre da cidade vizinha; a vida escolar dos filhos ganhará prioridade no rol dos compromissos; ir à Igreja com frequência e ser pontual em todas as situações.
Na política não poderia ser diferente. As decisões tomadas no decorrer do ano, geralmente demandam a entrada do próximo para se verificar os resultados. Até lá, já se esqueceu muito do que anteriormente foi decidido. O outro ano será de reformas estruturais e políticas, ajustes econômicos, dizem.
O que ficou pendente no futebol, terá múltiplas soluções no futuro próximo. Os adversários que se preparem. Os que se alegraram com a vitória neste ano findo comecem a tremer, pois, agora, a esperança fervilha no peito dos derrotados, os quais garantem às suas torcidas muitas alegrias no próximo.
E assim o nosso País vai vivendo. Sem muita preocupação, ou melhor, com pouca seriedade. Tudo vai sendo empurrado com muito otimismo para o ano-bom. Em consequência, de dezembro em dezembro, quase nada avançamos. (Nossa! Como pude escrever isso! Até parece que não sou tupiniquim! Não posso finalizar assim.)
Por que fazer uma afirmação dessas? Ainda mais neste momento de grande expectativa. É claro que avançamos. Vamos seguindo o percurso inadiável do tempo e a cada dia melhoramos enquanto nação jovem que somos. Alegria, esperança! Teremos um ano novinho pela frente e, com certeza, bem melhor que este... (Tenha calma, não endureça, leitor/ao pouco otimista; é o entusiasmo contagiante de final de ano que envolve estas últimas linhas!)
Acabei de reler este texto. Na verdade preciso melhorá-lo. Não ficou muito bom. Todavia vou deixar para o ano que vem. Isso! No ano que vem vou escrever melhor. Boas entradas!
- PAULO CEZAR BASILIO é professor em Pinhão (PR)
Balanço (1)
A maioria dos brasileiros tem o costume de manifestar suas opiniões, seguindo o rastro do que dita a mídia, principalmente a eletrônica. Utiliza as piores referências, encontradas no passado do próprio País, para dizer que este ano foi bom, porque apenas vê alguns frágeis lampejos de aquecimento da economia, evidenciada principalmente nas compras de final do ano. O próprio entreguista neoliberal, FHC, disse que 99 foi seu pior ano de governo. Logo ele, que é especialista em tampar o sol com a peneira junto ao povo. Quanto custa uma escola particular? Quanto custa um plano de saúde? Quanto custa uma compra de supermercado? E as aposentadorias? Como andam nossos velhinhos? E as empresas estatais pessimamente negociadas? E os pesados juros pagos mensalmente pela população às nações ricas, para sustentar o plano FHC?
Precisamos olhar pra fora do País, para os países ricos, ver como eles cuidam de suas populações e interesses. Teremos uma grande escola. Olhemos aqui para o nosso Norte do Paraná: cadê o trevo Cambé-Londrina? Alguém viu algo de novo em nossas estradas pedagiadas além de cobradores? José Richa, Álvaro Dias e Requião, duplicaram Curitiba-Ponta Grossa, Londrina-Maringá, Curitiba-Santa Catarina, com recursos diversos. Jaime Lerner, que não duplicou nada de interessante, utiliza agora rodovias já duplicadas, para pegar o dinheiro da população em porteiras bonitas e bem equipadas. E Londrina? Olha só o escândalo da Comurb! Que vergonha Londrina! Como vamos querer pleitear a cadeira de governador? Fica difícil com esse exemplo. Você acha que 1999 foi um ano bom? Pra quem?
- LAFAYETE DOS SANTOS LUZ, Londrina
Balanço (2)
Para o governo do Paraná o ano foi positivo, mas para os paranaenses foi negativo. O governo criou o ParanáPrevidência, continuou cobrando pedágio, tentouterceirizar as multas, e por fim deu um presente de grego para os motoristas, adiantando o IPVA. Não pagou o avanço dos professores, não aumentou o salário dos servidores. Esperamos que o ano 2000 seja melhor para os paranaenses, que pelo menos nossa opinião seja respeitada!
- AGNALDO B. NUNES, Cornélio Procópio
Mototaxistas
Gostaria que houvesse alguma forma de organizar a ação dos mototaxistas no centro da cidade, pois trabalho no comércio e não estou tendo condição de ir trabalhar de moto por falta de lugar para estacioná-la. Os espaços reservados para estacionamento de motos no centro da cidade, na verdade, já se transformaram em perfeitos pontos de mototaxistas havendo inclusive disputas entre eles para ocupar os melhores pontos. Não tenho nada contra o mototáxi pois até já usufrui deste serviço e também concordo que todos têm o pleno direito de trabalhar pois é um serviço honesto e com certeza ajuda a muitas famílias a sobreviver nesta época de crise. Creio, porém, que deveria haver uma melhor organização como a que existe entre os taxistas que trabalham legalmente em pontos designados com critérios e que não prejudiquem outros profissionais de outras áreas.
- JORGISNEI FERREIRA DE REZENDE, Londrina
Impeachment
Sobre a notícia Brigadeiro defende impeachment de FHC, publicada ontem: só gostaria de dizer ao brigadeiro Ivan Frota, que quem elege tem o direito de deseleger, porém ele não paga os meus impostos e tão pouco fala por mim ou pelo povo brasileiro até que seja eleito democraticamente para isso, e garanto que 650 pessoas não expressam a maioria percentual das forças armadas deste país e muito menos de sua população civil. Muito me estranha é que estes bastas só ganhem força em vésperas de ano eleitoral, a exemplo de outros passados!
Sr. brigadeiro acho que o senhor deveria refletir melhor, já que um homem de formação militar não deve se deixar levar pela emoção, e ver que este País há seis ou sete anos estava mergulhado no início do fim, e não conheço na história de países pequenos, muito menos continentais, que um governo tenha conseguido ajustar todo o processo político, econômico e social em tão curto período, não obstante que nunca houve tanta liberdade de imprensa no País como agora, o que logicamente provoca o acesso à informação a todos e revela nossas mazelas. Mas não nos iludamos, se suas idéias fossem compartilhadas por todos, seu partido seria muito maior e gozaria de expressão nacional. Voltar ao que era: nunca mais!
- JOÃO FRAZÃO GONÇALVES, Curitiba
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