O leitor escreve
O leitor escreve
Garnisés (1)
A Folha trouxe reportagem sobre os galinhos do Bosque publicada na última sexta e diz que um grupo de moradores próximos se queixa da permanência das avezinhas naquele local. Os que querem a saída dos bichinhos com certeza são pessoas com sérios problemas, como solidão, falta de amor, egoísmo e outros.
É Natal. É época de exame de consciência, de verificarmos os nossos desamores. Quem não é capaz de amar, culpa qualquer coisa por sua desgraça. Atém mesmo o canto inofensivo e poético dos galinhos. Aos que querem a saída dos galos, querem silenciar as manhãs do centro, querem trocar o cacarejar alegre do Bosque por buzinas irritantes, barulhos de motores e rostos fechados, vai uma sugestão: tentem observar as crianças que visitam o Bosque. Tentem olhar a harmonia dos galinhos, a beleza das mães garnisés tratando dos filhos. É necessário, porém, ter ouvidos capazes para ouvi-los. A presença dos galos no Bosque é uma marca da cidade. Pelo que sabemos, é a única cidade do mundo que tem um bosque no centro habitado por garnisés. Em nome dessa particularidade de Londrina, deixem os galos em paz!
- ERNESTO FERREIRA DE OLIVEIRA, Londrina
Garnisés (2)
Há pouco tempo, um galo de Arapongas ocupou diversos dias inúmeros espaços neste jornal. Hoje, para maior surpresa, vejo alguém implicando com os lindos garnisés do Bosque de Londrina, apesar dos muitos problemas sérios que enfrenta nosso País. Crianças no Nordeste morrendo de fome e em muitos lugares, sem mesmo um copo de água para mitigar a sede.
Principalmente nesta época que deveríamos comemorar a festa da fraternidade, não podemos ficar implicando com o canto do garnisé. No dia em que Pedro negou Cristo, o galo cantou três vezes e nem por isso Jesus condenou Pedro ou o galo. É importante que saibamos que no dia em que a natureza parar de cantar o homem não terá mais motivo para viver.
Não estou aqui procurando polêmica e sim defendendo a maior beleza, que é o canto da natureza. Vamos educar nossos sentimentos e aguçar nossos ouvidos para podermos ouvir o barulho das cascatas, a sonoridade que vem das matas e o canto lindo dos garnisés do Bosque. Que toda a natureza cante, para que também nós possamos continuar cantando e vivendo felizes.
- WELLINGTON SAMPAIO, Londrina
Garnisés (3)
Enquanto vemos milhares de famílias que saem à procura de sossego no campo, chácaras e pequenas cidades, ainda podemos deparar com a notícia que o canto do galo possa perturbar alguém. O ser humano às vezes não sabe o que quer. Sempre achei que o barulho dos veículos fosse mais perturbador do que o canto de uma ave. Estou torcendo para que estes coitados não sejam obrigados a deixar o Bosque ou até mesmo a responder um inquérito por perturbação pública. Espero que os vizinhos do Bosque sejam mais compreensivos e aprendam a desfrutar deste pobre despertador da natureza e que a AMA os deixe em paz e cuide de problemas mais importantes.
- JOSÉ LUIZ GOMES, Primeiro de Maio
SUS
Não me surpreenderam os ataques contra mim na carta Desconhecimento ou leviandade publicada neste jornal dia 12; pois quem não possui argumentos para defender-se tem por tática partir para o ataque, nesse caso, pessoal, e que relevarei. Também não esperava que a Associação Médica de Londrina se calasse ou usasse os fatos relatados para uma investigação séria dirigida para a melhoria da qualidade do atendimento à população.
Haveria inúmeros fatos a ser apresentados se todos os usuários do SUS ou carentes, como foram denominados, pudessem ser ouvidos e contar com a mesma atenção ora dispensada a médicos tão preocupados com a própria imagem, que mesmo sem saber se os fatos ocorreram daquela maneira estudam a possibilidade de interpelar-me.
A denúncia concreta já foi feita ao Ministério Público, que é o órgão legítimo para representar o povo e isento de corporativismo, com testemunhas e provas, pela cidadã que defende a igualdade de direitos para todas as pessoas que de tão sofridas, desprezadas e abandonadas, perderam a capacidade de se indignar, em detrimento de vantagens advindas de amizades, formação ou conhecimento.
Ou será que o exemplo de bom atendimento em Londrina é um acidentado dar entrada em um pronto socorro às 23h30 e ficar sangrando até 9 horas do dia seguinte para só então conseguir que façam uma sutura de 35 pontos na cabeça? E permanecer seis dias com uma fratura de antebraço até conseguir ver um ortopedista, mesmo internado em hospital?
Quanto a citada campanha pela saúde de Londrina, orquestrada pela Associação Médica, nós, da Comissão de Saúde do Centro de Direitos Humanos, já tivemos a oportunidade de conhecer a sua linha de atuação, por escrito e assinada, contra a votação da lei para ampliação da participação popular no Conselho Municipal de Saúde e consequente atendimento aos anseios dos segmentos sociais representativos da população, todos voluntários e não remunerados.
Com relação à remuneração pelos serviços, deprimente, segundo a descrição, mas não insignificante pois acordada pelos contratados, é sempre uma opção a não-vinculação ao sistema (há cidades no interior que embora ofereçam ótimo salário, não conseguem profissionais); o que não se admite é que isso seja uma justificativa para todas as práticas violadoras dos direitos humanos, principalmente a violação à dignidade. Pois o que é tratado não é difícil de cumprir, vide exemplo dos médicos que trabalham com amor à profissão e ao próximo, infelizmente cada vez mais raros.
É meu dever de ofício, ético e moral dar voz aos oprimidos conforme reza a Constituição Federal o advogado é indispensável à administração da justiça... e isso não é feito em plantões semanais de baixa remuneração, mas permanentemente e com a única e exclusiva recompensa de saber que a minha parte nessa obrigação, que é de todos, está sendo cumprida. Cumprimento esse que é provado no momento em que ilustres cabeças vestem suas carapuças.
A carta aponta as denúncias como responsáveis por não termos um sistema de saúde melhor. Ora, isso é o mesmo que dizer que o sistema seria perfeito se não existissem doentes! Realmente, ideal seria que ninguém precisasse de médicos, remédios e cirurgias, mas diante do que toda a imprensa, local e nacional, mostra-nos todos os dias, sou levada a acreditar que entre as pessoas que fazem acontecer e as que assistem acontecer, o missivista se enquadra dentre aqueles que nem sabem o que acontece.
Quanto à minha possível interpelação, estou à disposição para confirmar tudo o que presenciei, se disso resultar alguma atitude construtiva, e gostaria de sugerir que além do meu, fossem ouvidos também os depoimentos dos estudantes do 1º grau entrevistados na matéria Londrina passa de ano com nota 8, publicada neste jornal no último dia 10 a respeito da precariedade no atendimento de saúde.
- CLÁUDIA PROCHET, advogada, Londrina
Correção Foto publicada na edição de ontem da página 3 da Folha Economia é do prefeito de Arapongas, José Aparecido Bisca.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





