O leitor escreve
O leitor escreve
Londrina 65 anos (1)
Prezado diretor de Redação: meus cumprimentos pelos cadernos especiais publicados hoje (ontem) pela Folha. Trabalhos como esse engrandecem a cidade e valorizam a prática de um jornalismo voltado para nossas referências históricas. Cada londrinense que, como eu, participou da colonização da cidade, viu as ruas se transformarem em avenidas e casas em edifícios, deve se emocionar ao ler e ver essas mudanças nas páginas do jornal. E reaprender, também, com o nosso passado de lutas, a vencer os desafios do presente e do futuro para a construção de uma sociedade melhor.
Parabéns à diretoria e à equipe de jornalistas que contribuiu para essa edição histórica. E parabéns a Londrina, que proporciona a todos um material tão fértil e tão rico capaz de fazer das páginas da Folha retratos perfeitos de uma história maravilhosa.
- EMÍLIA BELINATI, governadora do Estado em exercício
Londrina 65 anos (2)
Quero externar os mais efusivos cumprimentos a todos os profissionais que estiveram envolvidos na realização do caderno especial editado neste dia 10 de dezembro, comemorativo aos 65 anos de emancipação política de Londrina.
Foi esta a melhor edição alusiva ao aniversário de Londrina já apresentada nos 52 anos de Folha de Londrina, o que apenas confirma que este jornal continua a progredir, atingindo hoje um patamar excepcional que, tenho certeza, será superado no futuro, porque esta brilhante equipe melhora em cada edição.
- JOÃO MILANEZ, Londrina
Londrina 65 anos (3)
Londrina completa 65 anos de vida. O que dizer de uma cidade de tão pouco tempo de existência? Aí é que está o ponto: temos muito a dizer sobre ela. Londrina nasceu no meio do nada, onde ainda não havia exploração no Norte do Paraná. Teve seus dias difíceis. Meus avós, pioneiros da cidade, me contaram o sofrimento que era viver em Londrina na década de 30.
Hoje, mais de 60 anos depois, se eles ainda estivessem vivos, contemplariam uma cidade atuante, moderna, mas sem esquecer seu passado, com problemas, mas com coragem para resolvê-los. Isto é Londrina. Morei 23 dos meus 26 anos em Londrina, me ausentando para terminar meus estudos em Campinas.
E é aí que acontece uma coisa muito interessante. Quem sai de Londrina e vai para outra cidade, como eu fiz, estranha, não consegue se adaptar, como foi o meu caso. No caso inverso, quem vem a Londrina acha esta cidade muito mais acolhedora que outras. Acha o povo especial, educado e com muita vontade de viver. E é por isso que estou voltando para Londrina nesse final de ano e será para ficar, pois a cidade me chama e não sei como explicar isto. Mas a verdade é que estou voltando para minha cidade, onde chamo, sem medo de dizer, lar. Parabéns Londrina.
- ANTONIO RICARDO Z. NASCIMENTO, Campinas (SP)
Templo dos livros
Há um ano o empresário Antonio Ermírio de Moraes, em artigo publicado por vários jornais do País, lamentava o fechamento da biblioteca do Instituto Agronômico de Campinas. Dizia o empresário que no Brasil a última coisa que pode fechar são os templos dos livros. Ele citou o exemplo dos Estados Unidos na crise de 1929, quando as bibliotecas ficavam lotadas de desempregados que se esforçavam em adquirir novos conhecimentos até que conquistassem novo posto de trabalho.
No Brasil, as bibliotecas públicas, sobretudo as municipais, continuam esquecidas pelas autoridades. Com raras exceções, elas são tidas como instituições supérfluas, merecedoras de pouca atenção e raros investimentos. O que se vê são campanhas esporádicas incentivando a doação de livros. Bibliotecas não precisam de doação, e sim de investimento. Na maioria das vezes a população sequer possui livros para doar, não os adquire, já que não faz sentido investir em cultura num país em que o próprio governo a despreza. E o descaso com a biblioteca pública retrata muito bem esse desprezo.
Bibliotecas exigem espaço amplo, bem arejado e com boa iluminação. Exigem acervo de livros atualizados, revistas e jornais, além de computadores conectados à Internet, tudo à disposição do público frequentador. Profissionais qualificados são fundamentais na organização e conservação do acervo. Deverá haver ainda um mural onde se anunciará eventos culturais de interesse da comunidade. Tudo isso não custa mais do que aquilo que se gasta numa única campanha eleitoral.
As bibliotecas públicas de Londrina e Maringá são as melhores da região. Em Apucarana, a Biblioteca Monteiro Lobato continua esquecida pelas autoridades. Havia um projeto muito bom de renovação e ampliação da biblioteca, elaborado pela administração passada, mas parece ter sido engavetado pelo prefeito atual.
- ROBERTO CARLOS SIMÕES GALVÃO, Apucarana
Inadimplente não é sonegador
A sonegação das contribuições previdenciárias tem merecido espaço nos jornais, com a regulamentação da reforma previdenciária, principalmente com a criação do fator previdenciário, que aplicou um ajuste duríssimo aos futuros aposentados do INSS. Gostaríamos de tratar da sonegação como fator de deslealdade na concorrência entre as empresas. Os contribuintes muitas vezes não pagam as contribuições previdenciárias porque os seus concorrentes não pagam.
Existe gente especializada em mostrar para a empresa como se faz, como é melhor não pagar. Isso eu ouvi de empresários. Tenho de fazer isso porque o meu concorrente faz e se eu não fizer vou à falência. Com efeito, nem quadro como esse o poder competitivo da empresa no mercado é função, em parte, da sua habilidade em evadir-se do pagamento das suas contribuições previdendiárias. A deterioração do clima competitivo é causada, muitas vezes, pela facilidade da sonegação. Se o risco de ser pego pela fiscalização é baixo, o grau de cumprimento espontâneo do dever fiscal declina. O instinto da sonegação no Brasil é altamente desenvolvido, o que produz uma erosão da ética comportamental.
A sonegação compromete os programas sociais, corrói a ética comportamental, sacrifica os contribuintes honestos; enfim, provoca um sentimento de que é péssimo negócio ser adimplente nas relações com o Estado. Finalmente, há uma luz no fim do túnel. A Lei 9.876, que altera o artigo 35 da Lei 8.212/91, preconiza que a multa para os sonegadores será o dobro da aplicada aos meramente inadimplentes. Vale ressaltar que os inadimplentes são os contribuintes honestos que, por razões alheias à sua vontade, não conseguem honrar seus compromissos nos vencimentos estipulados.
A lei em tela, assim, era uma das maiores distorções que existiam na legislação previdenciária, pois igualava os inadimplentes aos sonegadores. A partir de agora, os sonegadores pagarão caro pelo seu ato de comprometer os programas sociais no Brasil. A fiscalização previdenciária, que há muito tempo lutava por esse dispositivo, saúda os contribuintes honestos por essa vitória.
- ÁLVARO SÓLON DE FRANÇA, auditor fiscal da Previdêsncia Social, Brasília
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