O leitor escreve





Polícia Militar (1)
Corretíssima a ação da PM na desobstrução (de populares, na segunda-feira) da Av. Brasília, em Londrina. Criou-se no Brasil a impressão de que qualquer um pode bloquear rodovias, ameaçar seus usuários, atrapalhar a vida de todos, e tudo fica por isso mesmo. Não discuto o mérito da questão que motivou o protesto, o lamentável e trágico atropelamento de uma criança, e sim seus métodos. O bloqueio de rodovias é a forma mais baixa e vil de manifestação, pois prejudica quem não tem nada a ver com o problema. Existem outros métodos para se resolver problemas.
Poderia se ter formado uma comissão para discutir o problema com as autoridades, levar o assunto à imprensa, sensibilizar a comunidade. E agora várias pessoas vêm criticar a PM pela violência. Violência de quem? De quem cumpre sua missão constitucional ou de quem se recusa a liberar uma via pública? O que se espera? Se com o diálogo não se resolve, as autoridades têm a obrigação legal e moral de restaurar a ordem. E se o uso da força é o único meio, que se use. Nossas autoridades têm que perder o medo de agir, duramente se necessário, para garantir que os direitos de uma maioria não sejam usurpados e violados por uma minoria, incitados por ‘‘líderes’’ despreparados e que, na maioria das vezes, nunca respondem por suas ações.
- HWIDGER LOURENÇO FERREIRA, Ibiporã
Polícia Militar (2)
O problema não está em recolher ou não as balas de borracha (será que a PM vai passar a usar munição normal?). Precisamos reeducar o nosso policial, pois há necessidade de que ele tenha consciência de que deve cumprir a lei e proteger o cidadão, inclusive favelados e pobres em geral. Acredito que grande parte do problema seja ocasionado pela impunidade gerada pela famigerada Justiça Militar, pela truculência, arbitrariedade e arrogância de nossos governantes, especialmente do secretário de Segurança Pública.
- PEDRO ANTONIO SIMÕES, Votuporanga (SP)
Polícia Militar (3)
Parabéns ao jornalista Luiz Geraldo Mazza. A sua coluna de ontem retrata uma verdade: a Polícia só age como força, quando não há outra alternativa. Gostaria que se criticasse o parâmetro apontado pelo governo, não é a natureza da manifestação, espontânea ou programada, que pauta, ou deve pautar, a ação da PM, é a violência dos manifestantes. A Guerra do Pente, por exemplo, foi espontânea. Se a PM não usar balas de borracha, o Exército vai usar baionetas, vide Itaipu 1974! Não se pode deixar que a cidade seja destruída, por mais que os manifestantes tenham razão. A maioria da comunidade, incluindo aí os seus bens, tem que ser protegida. O policial recebe seu salário para proteger a população, não para ser massacrado por ela. Caso não se puder usar armamento não letal, a alternativa é a omissão, ou pior, o emprego de armas letais, aí sim uma tragédia.
- CÉSAR ALBERTO SOUZA, subcomandante da Cia. de Choque em Curitiba
Polícia Militar (4)
Exigir o fim da violência não basta para conter o crime em Londrina. De que serve dotar a Polícia com viaturas e armas quando eles sentem prazer em usá-las contra a própria população que contribui com impostos para a compra das armas? Devemos nos manifestar e lutar pela liberdade de expressão e da imprensa, o que de fato está sendo esquecido pelas autoridades. Porque nossas polícias não correm atrás de bandidos e assaltantes de verdade que possam trazer riscos às pacatas vidinhas destes que gostam de acertar aleijados e jornalistas trabalhadores em manifestos populares que reivindicavam apenas o óbvio e intrinseco a região de baixa renda social?
- THIAGO ALMEIDA CARDOSO, Londrina
Sem-terra
Os 500 anos do Brasil se aproximam e a história dos ditadores e das elites que governam se repete. O governador do Paraná Jaime Lerner e seus aliados sepultaram a democracia e a legitimidade de seus governos. Na madrugada de 27 de novembro último, os trabalhadores rurais sem-terra foram despejados do Centro Cívico de Curitiba de forma violenta e arbitrária como se fossem lixo e não pessoas, enquanto os governantes assistiam a tudo com cinismo e imoralidade.
Durante esses meses acampados na praça eles nos deixaram o melhor exemplo de solidariedade, garra e resistência na luta por um mundo melhor. E Lerner se aliou aos latifundiários e poderosos. Estou indignada com a violência e o terrorismo desse governo contra o povo. Reforma agrária é a única saída para o fim da miséria e o abandono dos trabalhadores paranaenses e brasileiros.
- NEIVA DA SILVA, auxiliar de enfermagem, Curitiba
Lerner
Sobre a entrevista publicada na edição do dia 6, sob o título ‘‘Conservadorismo ameaça ciclo Lerner’’, com o sociólogo Ricardo Costa de Oliveira, cumpre-me cumprimentar pelo excelente estudo. Faço apenas duas colocações para colaborar com o autor. O projeto geopolítico de poder não foi só dos conservadores, mas dos liberais também, pois sem o apoio destes seria impossível o acordo de neutralidade da comarca, espremida entre a Revolta Liberal de Sorocaba (SP) e os Farrapos no Rio Grande do Sul. Na verdade, o sentimento autonomista não era projeto de um só partido, mas uma unanimidade monolítica. Outrossim, o governador nomeado, Haroldo León Peres, não era militar, como constou da entrevista, mas advogado militante na comarca de Maringá.
- TÚLIO VARGAS, Curitiba
Futebol
Sou torcedor atleticano e fico envergonhado com o que acontece no ‘‘tapetão’’ e nos gramados dos ‘‘euricos’’ para proteger interesses de alguns clubes ditos ‘‘grandes’’, que levam de 6 x 1 no campo e ganham 3 pontos. Isto é, o meu Atlético ganhou de 4 x 1 do São Paulo e levou os mesmos 3 pontos de Botafogo e Internacional. Em 1997, ao final da competição, o Atlético foi punido pela CBF com a perda de 5 pontos. Se a mesma punição tivesse sido aplicada ao São Paulo, ele teria mudado a história da competição, mudaria os 8 classificados e provavelmente um dos rebaixados.
Futebol é bola na rede e gol, e tapetão é recurso para aqueles que não têm capacidade técnica, nem time decente para disputar em campo um campeonato. E o Paraná Clube, que não teve seus pontos do jogo contra o Vasco? E o Coritiba, rebaixado tempos atrás por se recusar a aceitar um jogo imposto pela CBF em Juiz de Fora? No mesmo ano, o Vasco também se recusou a jogar contra o Joinville e foi acatado. Futebol não é política. Este é um desabafo de torcedor que gosta do futebol nas quatro linhas, e frequentador orgulhoso da Arena da Baixada.
- EDINEY CESAR SOARES, Curitiba
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