O leitor escreve
O leitor escreve
Protesto
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Londrina repudia a violência da Polícia Militar contra populares que estavam na BR-369, em Londrina, reivindicando mais segurança na rodovia, depois da morte de um adolescente.
Além de agredir os manifestantes com balas de borracha e bombas de efeito moral, a PM atirou balas de borracha contra quatro profissionais da imprensa que trabalhavam na cobertura do protesto. Foram atingidos os repórteres Fábio Silveira (Jornal de Londrina) e Keila Lima (TV Coroados). O operador de VT da TV Londrina, Paulo Roberto Ferreira, escapou por pouco, e o repórter cinematográfico da TV Londrina, Roni Oliveira, conta que um PM mirou e disparou dois tiros contra ele, mas não acertou.
A Polícia Militar, mais uma vez, mostra o despreparo em lidar com manifestações populares. A PM esquece que vivemos numa democracia, em que as pessoas podem demonstrar indignação diante de situações violentas, como foi o atropelamento e a morte do garoto. Em vez de garantir a segurança, a PM promove violência.
O repórter Fábio Silveira afirmou que se identificou como jornalista e fez gestos para a polícia parar. Mas o policial não parou. Segundo Fábio, o PM mirou e atirou contra as pernas dele. Uma bala de borracha também atingiu a cabeça de Fábio. Na Santa Casa, onde ele foi atendido, a médica disse que o jornalista teve muita sorte. Ele poderia ter sido atingido nos olhos e ter ficado cego, como aconteceu com duas pessoas em Brasília (DF), também vítimas da PM. A repórter Keila Lima, que passou por uma cirurgia dias atrás, foi atingida na perna.
Os jornalistas estavam apenas trabalhando. Mas a Polícia age sem pensar. As atrocidades cometidas pela PM do Distrito Federal não foram suficientes para que o comando da PM de Londrina adotasse outra forma de tratar a população, que não seja a violência.
O sindicato já solicitou à assessoria jurídica que estude as medidas que podem ser tomadas, para que seja movida uma ação contra a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar.
- CARINA PACCOLA, presidente, Londrina
Aids (1)
Num país de dimensões continentais como o Brasil, formado pela miscigenação de diferentes raças, ainda impera uma gama imensa de discriminações. É com a precípua intenção de minorar discriminações e neste caso específico contra os empregados portadores do vírus HIV que está em tramitação o projeto de lei, de nº 267/99, de autoria do senador Lúcio Alcântara.
O projeto pretende alterar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), fazendo inserir nesta a estabilidade do empregado portador do vírus HIV, que não poderá ser despedido senão por motivo de falta grave ou circunstância de força maior, devidamente comprovadas.
Conforme afirma o senador Lúcio Alcântara, os dados atualizados, obtidos junto ao Ministério da Saúde, indicam que, em 1998, o Sistema Único de Saúde (SUS) procedeu a 25.240 internações, tendo atendido no total, 57.800 pacientes. Esses números já nos dão a dimensão da grandeza do fenômeno e da quantidade de aidéticos ou mesmo de meros portadores do HIV.
Inúmeras decisões judiciais já vêm reconhecendo os direitos dos aidéticos e dos portadores do HIV. A discriminação no trabalho, mediante demissão, vem sendo coibida através de sentenças que determinam a reintegração do empregado. O argumento básico utilizado nesses atos refere-se ao fato de que a demissão obsta o direito à aposentadoria por invalidez, em via de ser adquirido pelo emprego.
- PAULO GOMES JÚNIOR, procurador do Estado em Foz do Iguaçu
Aids (2)
Nos últimos tempos, a mídia escrita e falada pronunciou-se, finalmente, sobre o assunto Aids, esquecido por meses. Utilizando velhos ditados populares como quem não é visto, não é lembrado; a memória do povo é curta, sabemos que o assunto Aids tornou-se, talvez, sem importância, frente a outras manchetes, como guerras, políticos corruptos, fugas na Febem etc. Porém, o vírus da Aids não foi eliminado, está entre nós. E, se há adolescentes grávidas, com certeza a prevenção mais eficaz até o momento não foi utilizada. Onde estão os educadores, pais, profissionais da saúde, chefes de Estado, neste momento em que as estatísticas mostram o crescimento do número de casos novos?
A mudança do paradigma, inclusive médico, indubitavelmente foi o grande marco deste século. Houve o surgimento de uma doença estranha, vinda não se sabe de onde, atingindo jovens, primeiramente homossexuais e usuários de drogas injetáveis, e, agora, surgindo em mulheres monogâmicas e crianças. Ah! O preconceito. Este grande vilão que retarda o trabalho de prevenção, pois quanto antes é realizado o teste AHIV, mais precocemente é possível instituir a terapêutica adequada. Quanto mais precocemente uma gestante obtiver o diagnóstico de que teste de AHIV no pré-natal, mais chances terá de um bebê saudável, não portador.
O assunto Aids deve ser discutido diariamente nas escolas, na roda de amigos, no trabalho, nos bares, na TV, nas rádios, para nunca ser esquecido. Pois, eu e você também podemos vir a ter Aids.
- ROSEMARIE ELISABETH SABOTA, médica, Curitiba
Universidade
Dezembro de 1999. É antes o começo do que o final. Se se chegou ao final do ano, chegou-se, também, ao começo, em que nos cabe entrar com o ânimo pleno de determinação, esperança e ousadia, voltados sempre para Aquele que é o autor de tudo quanto nos cerca e autor de nós mesmos. A nossa Pontifícia Universidade Católica do Paraná que, em 14 de março de 1999, completou 40 anos de existência, põe-se a considerar o que neste breve e longo período, realizou, deixou de realizar, acertou e errou para, humildemente, numa revisão crucial, reaver, reinventar e planejar os caminhos a seguir, tendo em vista novas realidades, as que se prevêem e as que se podem criar.
Tudo, entretanto, sem perder o espírito cristão e o idealismo daqueles que, 40 anos passados, disseram: Vamos fundar uma universidade católica, que católica seja em seus princípios e fins. Pedimos a Deus e à Nossa Senhora do Rocio, que é a reitora perpétua da UCPR, que, mais do que nunca, estejam presentes neste Natal e durante os 366 dias do Novo Ano. Feliz Natal e próspero Ano 2000 a todos os habitantes do Paraná e do Brasil.
- LEOPOLDO SCHERNER, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná
Correção Na reportagem Estética sem fronteiras, publicada na edição de ontem da Folha2, foi citado o nome de Ruffino Maki. Na verdade, a referência é a dois artistas: Antonio Ruffino e Maki Kitamura.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





