O leitor escreve





Cobertura
Gostaria de parabenizá-los pela excelente cobertura dada à questão do MST. Sou estudante de Comunicação-Publicidade da UFPR e estou fazendo uma pesquisa sobre reforma agrária. Fiquei surpresa com a quantidade de conteúdo do site da Folha, que além de completo é extremamente organizado, garantindo fácil localização do tema desejado.
- PATRÍCIA APARECIDA MAES, Curitiba
O enganado
No seu artigo na Folha intitulado ‘‘Malabaristas da política’’, Gaudêncio Torquato conclui que atualmente os atores da política não enganam mais como antigamente. O político com domínio do verbo no palanque ou na tribuna parlamentar não engana o eleitor da classe média porque este é mais politizado e vota consciente da mentira bem contada com sabor de verdade. Também não engana o eleitor pobre ou miserável porque estes não dão o voto acreditando na promessa do candidato, mas pelo que o candidato ofereceu de concreto, como botina, dentadura etc.) O eleitor que decide uma eleição não está com o pensamento voltado aos programas de governo apresentados pelo candidato e muito menos com sua capacidade administrativa.
O Brasil carente é o da indústria da seca, da fome, do desemprego, da imunidade parlamentar, do analfabeto político e do voto com a barriga, da desigualdade social. O eleitor brasileiro nunca foi enganado. A realidade brasileira, talvez do mundo todo, é que o poder econômico é quem dita as regras e o destino do povo. O homem público brasileiro defende primeiro a si e familiares para depois, na ordem de valores reais, o grupo econômico que bancou sua campanha e, por último, mostra-se em defesa do povo. Sempre foi assim e assim permanecerá. Não haverá fato novo a comemorar e muito menos dizer que os atores da política não enganam mais como antigamente.
- JOSÉ CARLOS SIMIONI, Ribeirão Claro
Perigos no esporte
Há cerca de vinte anos, aos 14 de idade, obeso, pesando por volta de 85 quilos, comecei a praticar esporte (caratê) visando, além de emagrecimento saudável, o ganho de maior disciplina e autoconfiança. Após um ano de treinamento, alguns quilos mais leve, ganhei minha primeira medalha em competição.
Só que o entusiasmo do ‘‘professor’’ de caratê aliado a meu próprio entusiasmo e ingenuidade de adolescente na época, levou-me a querer mais. Daí para frente, até por volta dos 25 anos de idade, vieram mais e mais competições, as quais exigiam treinamentos extenuantes, exercícios altamente lesivos e sem orientação. Somando-se a isto muitos técnicos (ou ‘‘professores’’ como gostam de ser chamados) despreparados, malformados e não conhecedores do mínimo necessário que se espera que conheça um professor de educação física, o resultado foram lesões, muitas lesões músculo-esqueléticas que comprometeram, comprometem e irão comprometer para sempre minha qualidade de vida.
Hoje, após sair de mais uma sessão de fisioterapia visando amenizar dores crônicas que tiram o sono e não me permitem sequer caminhar algumas centenas de metros, pego-me pensando: por quê? Por que o exercício físico, algo que deveria me trazer mais saúde, livrando-me do sedentarismo e amenizando o estresse da vida moderna transformou-se em meu calvário? A resposta é uma só palavra: ‘‘Incompetência’’. Sim, incompetência do ‘‘professor’’ que embora fosse formado, não sabia distinguir entre exercício físico para a saúde e esporte competivo. O ‘‘professor’’ que deixou que me envolvesse no mundo da competição sem me permitir conhecer a diferença entre o que é ser ‘‘saudável’’ do que é ser ‘‘atleta’’, deixando-me pensar que as duas palavras fossem sinônimas.
O ‘‘professor’’ desconhecia que o ser humano é um ser biológico constituído por células que se desgastam e são lesadas se forem inadequada e excessivamente submetidas por horas a fio a exercício físico extenuante. O ‘‘professor’’, que se utilizando de seu ‘‘aluno’’ para promover sua academia, clube ou se autopromover esqueceu-se que a vida não termina aos 30, que muito provavelmente este indivíduo teria mais quarenta ou cinquenta anos de vida pela frente e que esta vida teria que ter uma coisa chamada ‘‘qualidade’’ sem lesões degenerativas precoces de coluna, joelhos e outras articulações.
Senhores pais, abram bem os olhos, vejam bem onde seus filhos estão praticando esporte e não apenas a formação, mas sobretudo o conhecimento científico do ‘‘técnico’’ ou ‘‘professor’’. A incompetência profissional pode custar para seus ‘‘alunos’’ (suas ‘‘vítimas’’) sua qualidade de vida futura, a qual não há dinheiro, medalha ou troféu no mundo que possa pagar.
- JOSÉ LUCIANO TAVARES DA SILVA, Londrina
Aposentadoria
O Senado aprovou, dia 17 de novembro, o projeto de lei que cria o fator previdenciário, instrumento que visa reduzir o valor dos benefícios dos futuros assentados. Na votação do plenário, o governo presidente Fernando Henrique Cardoso obteve maioria absoluta dos votos, aprovando o projeto por 56 votos a favor e 22 contra. O fator leva em conta a idade, o tempo de contribuição, a expectativa de vida e a alíquota de contribuição. Agora, cabe ao presidente FHC sancionar essa mudança nas regras de cálculo da Previdência e consumar mais um golpe nos trabalhadores.
Os partidos de oposição ao governo estão aguardando a publicação da nova lei no Diário Oficial da União para ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF) com ação de inconstitucionalidade. Com o fator previdenciário, o trabalhador vai ter que ultrapassar os 35 anos de contribuição se quiser receber benefício igual ao que receberia pelas regras atuais. Quanto mais cedo se aposentar, menor será o valor da aposentadoria.
- ANTONIO CARLOS DE MELO, Porecatu
Crescimento econômico
Concordo com a opinião do professor Ricardo Prochet, expressada no artigo ‘‘Falando de emprego’’, publicado dia 3 na Folha. O crescimento econômico sustentado criou um inusitado problema para os Estados Unidos, a falta de mão-de-obra disponível que pode se transformar em inflação de custos. Devemos priorizar o crescimento econômico sustentável.
- GEORGE PROCHET, Assis (SP)
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