O leitor escreve
O leitor escreve
Funcionalismo estadual
Professores, funcionários de escolas, servidores públicos em geral do Paraná estão condenados à morte. Isto não é figura de retórica. É a verdade nua, crua e cruel. Milhares de funcionários estão sem atendimento médico porque o governo do Estado desde fevereiro não paga os hospitais. Há o caso de uma professora aposentada, sofrendo de câncer em fase terminal, que foi recolhida num quartinho de fundos da casa de uma vizinha, para que não morra no mais completo abandono.
Que mal fizemos nós, senhor Jaime Lerner? Provavelmente, em se tratando de professores, o mal maior foi termos acreditado em suas promessas mirabolantes. Que este desencanto com Lerner não sirva de júbilo para os outros que passaram pelo Palácio Iguaçu nos últimos doze anos, pelo menos. O IPE (Instituto de Previdência Estadual) vem sendo há muito vilipendiado. Foi sendo lentamente sucateado, até chegar no estado moribundo que hoje se encontra. Os últimos governantes, sem exceção, deixaram de repassar ao IPE o que lhe era devido. Houve até um governador, que diante do enorme débito com o pobre instituto, enviou mensagem à Assembléia propondo anistia da dívida. E os deputados da época, os governistas, subservientemente aprovaram.
Não temos mais a quem gritar. Não temos mais a quem apelar. O movimento sindical clama e protesta, mas a sociedade parece estar anestesiada. Parece que clamamos num deserto. O governador Lerner, ao não pagar os hospitais, condena a nós, servidores públicos, a uma morte lenta. Não há meios-termos possíveis. Vivemos em meio a uma guerra, porém com uma diferença. Um lado desse conflito está totalmente desarmado. Promove-se, então, um massacre.
Qualquer dia teremos de invocar a lei de proteção aos animais, tal como fez o grande advogado Heráclito Sobral Pinto, vendo infrutíferos seus apelos para defender Luiz Carlos Prestes. Se alguém achar que isto é conversa de sindicalista de oposição, que pergunte aos hospitais do Paraná; consulte os médicos e veja como eles estão se sentindo, vendo seus pacientes do funcionalismo público minguando à sua frente, sem que possam fazer nada. Governador Jaime Lerner! Morituri te salutant! (Os que vão morrer te saúdam!)
- ROMEU GOMES DE MIRANDA, presidente da APP-Sindicato, Curitiba
Falta dágua
Faz bastante tempo que as empresas de saneamento do Brasil funcionam como meras quebradoras de galho de políticos, de governos estaduais e municipais, gerando, portanto, um déficit muito grande, pois algumas destas não conseguem nem mesmo pagar folha de pessoal com a arrecadação. Além do mais, com o crescimento desordenado dos grandes centros urbanos e com milhões de miseráveis, fica muito difícil para as empresas de saneamento controlar o consumo e o destino final dos dejetos. Então, quando se fala em aumento, o PT é o primeiro a ser do contra, mas em contrapartida não apresenta uma proposta para que elas funcionem como tal. Por isso, alguém tem que pagar por quem não pode pagar e esse alguém é o governo (federal, estadual e municipal).
- CRISTOVAM TEIXEIRA FILHO, São Luís (MA)
Surdos
A educação bilíngue aos surdos é considerada como a responsabilidade assumida pelos professores, intérpretes, monitores, religiosos, mais outros, e principalmente pelos pais, para que eles possam obter um melhor aprendizagem em vários aspectos. O bilinguismo é uma expressão clara e aberta de comunicar em duas línguas, que é a sinalizada e oralizada. Infelizmente, o empecilho que tenho visto é a comunicação agressiva de forma vã pelos pais aos filhos surdos, isso certamente lhes causa a perda do ânimo, redução da inteligência, depressão, raiva, insatisfação, sensação de mal-estar, imoralidade, perda da sensibilidade emocional, inclusive tentativa de suicídio.
A agressividade na comunicação está relaciondada com a negatividade, porque não permite que a aprendizagem mude o surdo para o bom comportamento e intelectual. Os pais de hoje não têm a menor idéia de que os filhos viverão na situação comunicativa com eles, pois a falta de perspectiva demonstra como a falta de valorização moral, é necessário perceber e valorizar a comunicação, de forma atenciosa e verdadeira que o processo do aprendizado faz com que o surdo mude com ajuda da comunicação bilíngue.
Conforme Hans-Jurgen Frass: Se uma criança pequena não fizer a experiência de ser a amparada ou apoiada, ela não se tornará capaz de aprender. O fato é que a criança surda agredida pelos pais pode transformar-se em adulto agressivo, causando conflitos por causa da falta da disciplina, informação dos pais e diálogo aberto. Devido a essa falta, os surdos podem ficar presos em seus pensamentos nostálgicos, traumáticos e depressivos, vivendo em conflitos interiores. Os pais fazem o primeiro papel de guia na educação comunicativa bilíngue, valorizam a força dos surdos, que vão acabando com as barreiras, tanto exterior quanto interior. Amam com paciência e comunicam-se de forma aberta. Essa é a única solução para a agressividade.
- FÁBIO LUIZ VEDOATO, seminarista em Londrina
Violência
Esse estado terrível de coisas em que vivemos hoje, no Brasil, pertinente à violência urbana, foi provocado com as duas eleições seguidas de FHC, o vendilhão da Pátria. Os remédios que vejo para diminuir a violência em nosso país, e não só em São Paulo e Rio, são: oportunidades iguais para todos, independentemente de sua classe social e cor, trabalho com alguma estabilidade, escolas gratuitas de primeira qualidade e, em último caso, para quem insistir em praticar crimes, a pena de morte.
- FERNANDO EGYPTO, Petrópolis (RJ)
ETs
Gostei da reportagem publicada na Folha no dia 4 de novembro que diz que 5 milhões de americanos já fizeram contato com OVNIs e que seus corpos foram pesquisados pelos extraterrestres. De repente, estão fazendo como o homem faz para estudar os animais aqui na Terra. Acho que estão preocupados com o fim da existência humana. Mas pensando bem, a pesquisa foi incompleta, pois faltou achar os que já viram Papai Noel e suas renas em cima do telhado.
- MÁRCIO DICESAR BENASSI, Sertanópolis
Bares
Parabéns pela crônica do jornalista Maurício Della Barba sobre os bares. Verdadeiro e sensível, ele captou bem o mérito do lugar. Tudo vale a pena se a alma não é pequena (Fernando Pessoa).
- PAULA FADDUL, Londrina
Correção - Ao contrário do que foi publicado ontem na Folha2, a exposição A Imagem do Som de Chico Buarque foi aberta ao público no Rio de Janeiro.
- A identificação das fotos dos personagens da reportagem Detran reconduz chefe ao cargo publicada no Folha Cidades de ontem foi trocada.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





