O leitor escreve





Sem-terra (1)
Sobre a notícia ‘‘PM expulsa sem-terra do Centro Cívico’’, publicada no ultimo domingo: a atitude do governo paranaense é típica dos governos autoritários. A violência e o endurecimento é uma das opções do governo para represar a livre manifestação do descontentamento social diante de arbitrariedades, do descompasso entre os problemas e as soluções nada satisfatórias adotadas pelos governantes e principalmente nos dá uma demonstração de que temos que nos preocupar com o desmascaramento da pseudodemocracia em que estamos vivendo no Brasil. A liberdade de expressão foi ferida gravemente.
- MARISA STEDILE, Curitiba
Sem-terra (2)
Finalmente, o nosso governador e seu secretário de segurança criaram coragem de tirar os sem-terra da frente do ‘‘nosso’’ Palácio do Governo. Será que algum dia eles terão esta mesma iniciativa, quanto às propriedades rurais invadidas? Quando os produtores rurais resolvem retirar estes invasores de suas propriedades, fazendo o papel que o governo deveria fazer, têm os líderes de suas entidades de classe indiciados por formação de quadrilha.
Como o nosso governador classifica os líderes deste movimento que invadem propriedades particulares? Será que estes são os legítimos representantes de classes? Enquanto o presidente da República tem o Exército, a Polícia Federal, a PM e todo um aparato de guerra para defender suas propriedades, aos proprietários aqui do Paraná a única saída que foi imposta pela omissão do Estado, é o uso de suas próprias forças para expulsar estes invasores de suas terras.
Gostaria que o nosso governador explicasse isso aos produtores do Paraná que tiveram a sua propriedade invadida e saqueada, viram o seu gado ser roubado, suas benfeitorias destruídas e a sua renda familiar praticamente extinguida. Será que eles devem cruzar os braços e assistir a tudo isto sem tomar qualquer atitude? Se os nossos governantes têm medo destes marginais, pode ter a certeza que a grande maioria dos verdadeiros produtores rurais do Paraná não tem.
- EDMUNDO TREIN, Paranavaí
Sem-terra (3)
Toda a população curitibana, ao menos aquela parte que é capaz de se indignar com atos arbitrários, truculentos e ilegais praticados pelos governantes, está se perguntando: por que o mandado judicial contra os sem-terra no Centro Cívico tinha que ser cumprido durante a noite, sendo que a lei proíbe despejos noturnos?
A noite tem sido testemunha das mais cruéis barbáries cometidas sobre a terra. Todos aqueles que sabem que sua ação é desumana e reprimente e que se fosse realizada à luz do dia repugnaria os próprios autores, preferem a noite, para que a escuridão encubra o quão hediondo, digno de desprezo e desumano são seus atos. Todos os bandidos, criminosos, assassinos, estupradores, sequestradores e aqueles que desrespeitam a lei realizam as suas mais horrendas e vergonhosas ações na penumbra da noite, como se a escuridão não deixasse eles mesmos verem quão vis são suas ações.
Por que falar das coisas que aconteceram à noite, se estava escuro e ninguém viu? Por que defender os sem-terra se muitos queriam mesmo ver a praça limpa para celebrar o Natal ou fazer um área de recreação? Para tudo isto há apenas uma resposta: porque o que acontece com um ser humano atinge a todos. Se a lei foi desrespeitada pelos governantes e todos nós aceitamos, então sim a prática pode virar costume, o ato impune vira coisa comum, a arbitrariedade uma nova lei. E então, todos, inclusive os que perderam a capacidade de se indignar, podem ser alvos e vítimas destas arbitrariedades.
Quem são os responsáveis pelo fato do mandado judicial ter sido executado à noite? São os policiais. Sem dúvida, os policiais são responsáveis, como aqueles que prenderam o Nazareno. Mas eles só fizeram isso para garantir o apoio de ‘‘César’’ e continuar recebendo sua cota diária de ‘‘pão e de circo’’. Pensando melhor, o responsável é o chefe da Guarda (o secretário de Segurança) pois é ele que dá a ordem de ataque e decide a hora para fazê-lo, e se ele não souber o que fazem seus subalternos, então é culpado e incompetente. Sem dúvida ele é o responsável, não há como negar. A população deve manter o nome de quem hoje ocupa tal cargo para eventualmente reconhecê-lo nas suas próximas arbitrariedades. Enfim, a principal questão não é estar a favor ou contra os sem-terra, mas simplesmente a busca de uma resposta: por que tinha que ser durante a noite?
- MÁRIO ANTONIO SANCHES, professor universitário, Curitiba
Lavagem de dinheiro
A Associação Nacional de Factoring (Anfac) está acompanhando as notícias sobre as investigações realizadas pela CPI do Narcotráfico e se congratula com o presidente da Comissão, deputado Magno Malta (PTB-ES), pelo empenho na apuração dos fatos. No entanto, a Anfac chama a atenção dos órgãos competentes e da sociedade brasileira, de que as empresas de factoring relacionadas nos jornais na cidade de Campinas (SP), nunca operaram como sociedades de fomento mercantil e não são associadas a esta entidade.
Com a finalidade de preservar a atividade no Brasil e combater práticas ilícitas dissimuladas no fomento mercantil, a Anfac assinou, em maio deste ano, um acordo de cooperação técnica com a Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça. O acordo estabeleceu três pontos: preservar a atividade de fomento mercantil no País; proteger as empresas de fomento associadas e estabelecer sistemática cooperação técnica adotando medidas preventivas e repressivas contra operações onzenárias (agiotagem), dissimuladas no setor. A fim de identificar aos empresários e à sociedade as verdadeiras empresas de fomento mercantil, estas estão recebendo um certificado de habilitação e qualidade.
Atualmente, a Anfac tem 720 empresas de fomento mercantil que têm o compromisso de observar as normas emanadas da entidade e o direito legislado no País. As sociedades de fomento mercantil legítimas prestam serviços, em caráter contínuo, de acompanhamento das atividades básicas de suas empresas-clientes, compram créditos oriundos de vendas mercantis, estabelecendo um elo de parceria com suas clientes de pequeno e médio porte. É importante frisar que a Anfac sempre recomenda aos empresários consultá-la antes de realizar qualquer negócio. E também está à disposição dos órgãos competentes a fim de lutar em prol de uma sociedade mais decente e justa.
- LUIZ LEMOS LEITE, presidente, São Paulo (SP)
Jota
Ao parabenizar a Folha de Londrina/Folha do Paraná pela qualidade jornalística que a coloca no ranking entre os melhores do País, queremos realçar a contribuição do humorista Jota que enriquece a edição das quintas-feiras. A capacidade de leitura de realidade do Jota e sua visão crítica do mundo político não só lavam nossa alma, como contribuem para que entendamos a diferença entre o mundo que vivemos e aquele que queremos construir.
- ANTONIO CARLOS RODRIGUES DA SILVA, engenheiro agrônomo, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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