O leitor escreve





Novos tempos
Pode-se até duvidar, mas acaba de sair uma sentença judicial condenando o atual prefeito, o vice-prefeito e um secretário de governo, todos da cidade de Campinas (SP), por improbidade administrativa. Além de terem tido seus direitos políticos cassados por três anos, referidos figurões terão ainda de ressarcir os cofres públicos com juros e correção monetária. Ilícito que cometeram: colocaram seus currículos e propaganda pessoal na página da Prefeitura de Campinas na Internet.
Parece até que estamos no Primeiro Mundo. Sinal dos novos tempos, sinal de que estamos forjando um Ministério Público destemido, atuante e vigilante, e de que nem todo o Judiciário padece dos males de que o acusam.
Já imaginaram se rigor parecido fosse aplicado aqui por estas bandas? Que tal decisão sirva de alerta aos velhos políticos, ou mesmo àqueles novos mas dados a velhas práticas, principalmente aqueles que, além de abusarem de promoção pessoal no rádio, nos jornais e na TV ainda penduram a conta no erário.
- JOÃO MANELLA CORDEIRO, advogado, Londrina
Crise
Lúcidos são os animais que aparentam a ausência de vocação (política) do nosso século, e tais se verificam – para não falar de outro setor: na magistratura e na escola. Não será mais severa a condição do magistrado de nosso tempo? Contumazmente se deseja encontrar a razão dessa severidade pela insuficiência de estipêndios, esforçando-se esses no sentido de reivindicar seus direitos. Porém, deveria advertir que o aspecto econômico da condição é consequência de estipêndios.
Se o magistrado chora, o professor não ri. O magistrado pelo menos julga e ordena, e a sua obra se insere no amplo quadro de ação humana, o que o conforto e o valoriza enquanto ser. Porém, o professor, o togado antecessor juris, verdadeiramente um daqueles objetos que em arte decorativa se chamam obras inúteis. Pessoalmente, enquanto pessoa honesta, procura reagir e fazer tudo aquilo que for possível. Mas a sua função se vai depreciando, se vai tornando frívola cada dia mais, alimentando a sequência do tempo.
- OSMAR VIEIRA DA SILVA, Londrina
Álcool
Rodolpho Tourinho, ministro das Minas e Energia, parece não entender nada de sua pasta. Está falando em importar álcool, para forçar a queda dos preços no mercado interno. Ou seja, quer gastar o dinheiro do contribuinte, pois o álcool importado é mais caro do que aquele que produzimos. Além disso, está dizendo que há uma cartelização do álcool e especulação com os preços do álcool anidro. Está desinformado, pois a reação dos preços ocorreu exatamente pelos esforços do governo para sustentar e fortalecer o setor sucroalcooleiro, que estava desestruturado pelas próprias medidas das autoridades econômicas: desregulamentação dos preços dos combustíveis, sem traçar uma política que desse equiparação do combustível ecológico alternativo aos derivados do petróleo. Onde estava o governo quando o cartel das distribuidoras, inclusive a BR, compravam o álcool a R$ 0,15/litro, quebrando as usinas? e agora, rapidamente, vem falar em cartel do álcool?
Suspender financiamento dos estoques dos produtores não deu certo. Eu já sabia. Leiloar o álcool, não vai dar certo: o governo comprou esse álcool em média por R$ 0,22 e vai vender por R$ 0,40 na média, lucrando mais de 80%. Nenhuma dessas medidas burras agora vai funcionar, pois o governo deveria ter agido antes da crise do setor. Agora, o que vemos é uma recuperação de preços, pois em 97 as destilarias vendiam o álcool às distribuidoras a R$ 0,40.
Como disse Maurilio Biagi, da Companhia Energetica Santa Elisa, ‘‘o ideal seria se o governo distribuisse o seu estoque por meio da BR, da Petrobrás. O governo sempre usou a BR para praticar suas maldades e bondades com o setor do álcool e não existe razão para mudar’’. Mudar tinha que, sim, esses ministros incompetentes, que parece que não leem noticias. Todo dia tem gente falando besteira no governo, sempre culpando as destilarias. Importar álcool, para não fazer a população pagar pela cartelização? Ela vai pagar a importação, muito mais cara.
- CARLOS ALBERTO LARCHER, Rondon
Multas
Dois ou três anos atrás, passando por Curitiba, havia placas ‘‘Cinto de Segurança, aqui é obrigatório’’. Era o governo do Estado se preocupando com a segurança dos passageiros. Grande mentira. Era somente mais um meio de aumentar a arrecadação através de multas. Pessoas que por um motivo ou outro esqueciam-se de colocá-los. Um proprietário de veículo deveria ser autuado somente quando seu carro ou modo de dirigir colocassem em risco a vida de terceiros e não a própria. Pois, essa pertence somente a ele e ele que deve decidir o que fazer com ela. O governo não se preocupa com a população carente que na sua maioria trafega de ônibus, pendurado, apertado em pé sem cinto de segurança. Eles não usam cinto, e há grande número de acidentes envolvendo coletivos e sempre com muitos mortos.
Pessoas que fazem uso de motocicletas também estão alimentando o Estado, se está sem capacete está colocando em risco a própria vida não a de terceiros, e as multas são altíssimas. Os coitados dos motoqueiros são multados e somente ficam sabendo na hora de pagar o IPVA, e que as multas ultrapassam o valor da moto quase sempre.
Vamos fazer pelo menos neste nosso Estado, que não sejamos vigiados, que para sermos multados devemos estar pondo em risco a vida de outros, não a nossa. Sejamos sensatos: falta de cinto e capacete não devem gerar multa, mas sim velocidade não permitida no trecho, avanços de sinal, faixas etc.
- FLÁVIO FERNANDES VIEIRA, engenheiro civil, Londrina
Calote
Acho a lei que permite a escola expulsar o aluno inadimplente após três meses sem pagamento, absolutamente correta e normal. Alguém gosta de ficar na ‘‘saudade’’ e levar calote? Em outros casos já existe a punição à inadimplência como por exemplo, se o mutuário ficar sem pagar pelo mesmo período de três meses as suas prestações habitacionais à Caixa Econômica Federal, seu imóvel financiado pela estatal é retomado e colocado em leilão. Portanto não é novidade querer a vaga do aluno cujos responsáveis não honraram seus compromissos para com a escola. Se ficou desempregado, vá até Brasilia e reclame com FHC. A escola não tem culpa e, no caso do imóvel, a CEF também nada tem a ver com a vida particular de cada cliente ou mutuário.
- FERNANDO EGYPTO, Petrópolis (RJ)
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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