O leitor escreve





Desocupação
A Patrulha Contra Invasões é uma organização constituída por 54 fazendeiros proprietários de áreas de terra totalizando cerca de 20 mil alqueires. Tem por finalidade evitar invasões e promover a expulsão de invasores, por ação dos próprios membros ou de seguranças contratados, das terras de seus associados, as quais se situam num raio de 15 Km de distância máxima da cidade de Guairaçá.
Pela presente lhe comunicamos que na assembléia geral realizada pela entidade em data de ontem (anteontem), com a presença de 70% dos associados, foi proposto a aprovado por unanimidade um voto de repúdio a esse jornal em razão do noticiário publicado, na mesma data, em relação a desocupação da Fazenda Novo Horizonte, situada em Marilena, pela razão única de que o mesmo falseia a realidade da ocorrência.
- JOÃO VIAIS, diretor da Patrulha Contra Invasões, Guairaçá
NR: A Folha publicou na edição de ontem entrevista com o coordenador da União Democrática Ruralista (UDR), em Paranavaí, Tarcísio Barbosa de Souza, abordando o ponto principal que motivou a carta da ‘‘Patrulha contra Invasões’’. Segundo ele, a desocupação da Fazenda Novo Horizonte, terça-feira, em Marilena, não foi feita por ‘‘pistoleiros’’, como o jornal informou, e sim por fazendeiros, além de vários políticos e dirigentes de sindicatos rurais da região.
Isonomia
Na Constituição de todos os povos e na Declaração Universal de Direitos Humanos está inserido como direito impostergável e basilar que ‘‘todos são iguais perante a lei’’. Nenhum ser humano deverá ter tratamento diferenciado ou inferiorizado, pelo princípio de isonomia secular e universalmente consagrado. O direito à propriedade perante a Carta Magna é de todos, porém, até a presente data só um brasileiro conseguiu dele se valer para retirar os invasores do MST de sua propriedade situada no município de Buriti (MG), sem propositura de qualquer ação de reintegração de posse, nem mesmo cumprimento de liminar que consta nem sequer foi requerida. O privilegiado foi o cidadão Fernando Henrique Cardoso.
Não tenho dúvida de que a tarefa destinada a Raul Jungmann, ministro da Reforma Agrária, a quem foi atribuída a missão de interromper sua estada oficial na Itália, para se deslocar com urgência ao Brasil, em socorro do patrimônio do presidente FHC, foi o demasiadamente fácil, tendo em vista o mero apoio do Exército brasileiro. Para os cidadãos da vala comum é simplesmente um sonho pensar que um dia teremos um cumprimento tão célere relativo aos nossos direitos de propriedade.
Nossos efusivos cumprimentos ao sr. ministro, que, bem ou mal, mostrou-nos que quando se quer dar cumprimento às leis é possível, mesmo na esfera do Executivo. Medidas deste gênero não se vislumbra no Paraná. Nossos produtores não se cansam de bater às portas do Executivo e do Judiciário requerendo segurança às nossas propriedades e a proteção constitucional. A desordem campeia em todos os quadrantes do Estado e o descumprimento das reintegrações de posse se tornaram comuns, até mesmo porque os invasores nada têm a perder e a impunidade é absoluta.
Hoje quem não tem nada mais a perder é o proprietário rural, vários, há muito não sabem quando terão de volta o que lhes pertence, passando necessidade, dificuldades financeiras, humilhação perante familiares por não ter o que dar de comer, vestir, educação, saúde e, o que é pior, perder a dignidade de trabalhar naquilo que lhe pertence, garantido pelo direito assegurado, vigentes na legislação brasileira.
Senhor presidente, faça o produtor rural brasileiro sorrir novamente, abrindo-lhe novos horizontes, novas perspectivas, devolvendo a posse de sua propriedade que lhe dá o sustento e alimenta esta grande nação e tome as mesmas medidas que o senhor tomou quando tentaram roubar o que é seu e seus familiares, com a mesma agilidade, presteza e eficácia.
- OCTÁVIO CESÁRIO PEREIRA NETO, presidente do GPDR – Grupo Promotor do Desenvolvimento Regional
Siemens (1)
Sobre a notícia ‘‘Siemens fatura 10% a mais, mas reduz quadro de pessoal’’, publicada ontem: os figurões da Siemens querem mesmo é dinheiro. ‘‘Tudo bem’’, para os mercenários. Eles não se importam se o pai de família vai poder sustentá-la ou se o filho vai ter de ser boy durante o dia e ralar numa escola ruim à noite. Mas me digam, administradores e economistas: demitindo, apesar do lucro, eu não estarei perdendo consumidores? Meus funcionários não são potenciais usuários de telefonia? Afinal, será que nem em nome do dinheiro, esses acionistas se importam com a questão humana da empresa? Em crise, o que é mais fácil: demitir ou negociar com fornecedores e reduzir custos não-humanos? Mas o que é menos prejudicial: manter clientes ou perdê-los? Por favor, administradores, economistas e gente que se importa com gente: me expliquem isso. Sou só um leigo indignado com tamanha desumanidade!
- EDUARDO NUNES MILITÃO, Curitiba
Siemens (2)
Simplesmente estapafúrdia essa notícia. Ficamos a pensar: se o lucro aumentou em 10%, os pedidos diminuiram em 14% e foi reduzido o quadro de funcionários em 15%, de onde saiu todo este dinheiro? Quem pagou tudo isso? Ao que parece, o extrativismo no Brasil está insanamente voraz como nunca foi. E salve-se quem puder porque ter lucro está acima de qualquer lógica ou princípio!
- GILNEI MORAES, Miami/Flórida (USA)
IPVA
É um absurdo a idéia do sr. governador do Paraná de propor a antecipação do IPVA 2000 para janeiro, pois nós pobres mortais, que acabamos de quitar o IPVA de 1999 (pior ainda, que iremos pagar em dezembro) novamente teremos alguém enfiando as mãos nos nossos bolsos em janeiro, afinal não vale para um ano. Se o governo está com problemas de caixa, que culpa eu tenho? Para quem mora no interior é dificil ir até a Assembléia Legislativa protestar. Se querem apenas um vencimento, porque não em dezembro de 2000? Ou pensam que o dinheiro do povo é colhido em árvores?
- MÁRIO MARINO, Rolândia
Bingo
O financiamento do esporte através de um ‘‘vício’’ finalmente mostrou a que veio. Será que os seus tão viajados idealizadores ignoravam as artimanhas da jogatina internacional? Somente agora, com um ministro enxovalhado, acordou-se o governo central para a nocividade dos bingos, que em nada favoreceram o esporte nacional. Ao presidente da República, useiro e vezeiro em medidas provisórias, uma excelente oportunidade: extinguir, de vez, a nefasta atividade!
- ARILDO LOPER, Ivinhema (MS)
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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