O leitor escreve





O dragão
O presidente da República descartou, dia destes, o reajuste geral de salários, dizendo que providência deste gênero pode gerar abusos. Mandou também recado para o empresariado nacional, dizendo que ‘‘não é o momento para aumentar preços, porque aumentando preços, aumentam juros, diminui a taxa de crescimento, o que não é bom para o País’’. Tudo isso a partir da divulgação de alguns índices de preço com tendência de alta, como se, no seu entendimento, prenunciasse a volta do dragão famigerado da inflação.
Parece que o presidente está numa redoma de vidro, vivendo em outro País, sem as vicissitudes da plebe ignara que vive nestas plagas, já sob sol inclemente de verão. O dragão da inflação não está voltando. Ele nunca nos deixou. A manipulação de índices oficiais mascara a realidade que agora uma instituição governamental traz à tona: a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo (USP) revela os dragões do Real, mostrando que a perda de poder aquisitivo da população continua em franca ascensão.
A cesta de produtos que compõem o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com suas devidas e questionáveis ponderações, reajustou 75,85%, desde o início do Plano Real. Mas dentro desta média há preços e serviços que chegaram à estratosfera, garroteando o consumidor e contribuinte da nossa terra natal. Os serviços pessoais subiram 141,37%. As mensalidades escolares, 162,6%. A passagem de ônibus nosso de cada dia, 175,85%. O peixe, que no país do frango cada vez se come menos, aumentou 207%. Ou seja, triplicou. O telefone, privatizado com pompa e circunstância, teve o custo dos impulsos elevado em 313%. Que abuso!
A maior afronta recai sobre os sem-casa própria. Aqueles que têm de arcar com o dispêndio mensal direto para o bolso de seus senhorios amargaram um acréscimo de 545% nos aluguéis. Locação da moradia seis vezes mais cara. Como diria o conhecido âncora da TV: ‘‘Isso é uma vergonha’’. Será que não obstante estes números, ninguém viu o dragão da inflação na esquina ou já dentro de casa? O bichinho de estimação rejeitado não nos abandonou. E os juros continuam altos, os preços da gôndola dos supermercados variando todo dia, sempre para mais. E o desemprego grassando. Tomara terminemos os anos 90 em sobressaltos maiores neste País em que o governante máximo não parece saber que existe.
- VILSON ANTONIO ROMERO, conselheiro da Associação Riograndense de Imprensa, Porto ALegre
Drogas
É um passo muito importante desmantelar as quadrilhas ligadas ao narcotráfico. Contudo, não podemos nos iludir com isso. Apesar do grande esforço nos EUA e nos países europeus, o tráfico e o consumo continuam. Como diriam os economistas: se existe oferta e dá muito dinheiro é porque existe demanda. Sem dúvida o viciado não consegue se libertar sozinho. Porém, como começou o consumo? Também devemos ‘‘prender nossos traficantes interiores’’ que iniciaram suas atividades corrosivas e desequilibradoras muito antes do consumo efetivo das drogas acontecer.
Quando elas chegam já encontram um ambiente propício. Como enfrentar as tensões da sociedade moderna, particularmente durante a adolescência sem se drogar? E a medicina, que tanto avança em prevenir e curar doenças? Não haveria alguma ‘‘droga’’ que tornasse desagradável as drogas que se pretende combater? Na Rússia costumava-se combater o alcoolismo por meio de drogas que tornavam as bebidas insuportáveis. Seria interessante que a Folha de Londrina/Folha do Paraná divulgasse um pouco mais sobre o que se faz e se pretende fazer do lado da demanda de drogas.
- EDUARDO JOSÉ DAROS, São Paulo
Homeopatia
Criada por Samuel Hahnemann há duzentos anos, a Homeopatia vem se mantendo sempre atual através dos tempos. No Brasil, nos últimos vinte anos, constatamos grande crescimento da procura por esta forma de tratamento. Multiplicam-se os médicos, as farmácias e os usuários, geralmente cansados dos efeitos adversos da terapia alopática. O médico homeopata trata o doente e não a doença, considerando pessoas em sua totalidade. Dessa forma, o tratamento se torna individualizado, sendo imprescindível a prescrição médica. A automedicação é totalmente contra-indicada, uma vez que o medicamento de uma pessoa não pode ser utilizado por outra, pois são diferentes. Daí a importância da consulta.
Na homeopatia a doença é considerada manifestação de desequilíbrio do organismo e sua cura se dará quando o equilíbrio for restabelecido. Os medicamentos utilizados devem ser preparados em farmácias com farmacêuticos especializados em homeopatia, pois a manipulação requer conhecimentos específicos, além de laboratórios especiais. A especialização do farmacêutico homeopata tem se enquadrado nos mais modernos procedimentos de qualidade e, além disso, o profissional conta com a Associação Brasileira (ABFH), que visa constantemente a melhoria da qualidade dos profissionais e dos medicamentos manipulados.
Muitos confundem tratamento fitoterápico, como chás e cápsulas de plantas, bem como terapia floral, com homeopatia. São formas de tratamento totalmente distintas. Os medicamentos homeopáticos se originam dos três reinos da natureza e passam por sucessivas diluições, até chegar à forma pela qual é prescrito, a qual é específica para cada pessoa, em determinado momento, e dependente da modalidade dos sintomas.
- KATIA REGINA TORRES, presidente da AFHPR – Associação de Farmacêuticos Homeopatas do Paraná, Curitiba
Armas
O problema do brasileiro é achar que o fato de se fazer ‘‘leis’’, proibindo alguma coisa vai transformar o País. O que resolve é realmente o cumprimento das leis já existentes, de forma rígida, sem privilégios, enfim, sem impunidade. Os bandidos foram avisados da lei? Não quero defender que a população se arme, eu por exemplo tenho porte, em função da minha atividade e não possuo nem quero possuir arma em casa. Agora que não resta dúvida que a lei é demagógica. Desvia a atenção da população do foco principal do problema que é a ausência de ‘‘Estado’’. Onde é que está o dinheiro dos nossos impostos? Os defensores do estado mínimo que se manifestem.
- DAVID REINALDO B. DE ALMEIDA, Londrina
Avião
A respeito da reportagem ‘‘Avião cai e destrói casa em Arapongas’’ publicada na segunda-feira: gostaria de manifestar a minha opinião a respeito do acidente ocorrido com a aeronave Cessna de prefixo PT-DSH. Em primeiro lugar é bom lembrar que ainda é muito cedo para avaliar as causas do acidente e que só o serviço de prevenção e investigação de acidentes aeronáuticos está apto para dar qualquer informação técnica a respeito do acidente. Eu, por ter sido aluno e posteriormente formado piloto pelo sr. Marcelo Vargas, sei que o mesmo é de extrema competência e responsabilidade.
- LUCAS MARTINATO WILTGEN, Caxias do Sul (RS)
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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