O leitor escreve
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Juros
Em setembro deste ano, em artigo publicado na Folha, fizemos a seguinte pergunta: quem acredita na baixa dos juros? Em outubro, outro artigo mostrava o descrédito na redução dos juros pelo sistema bancário. Neste período, foram injetados no mercado R$ 30 bilhões, fruto da baixa dos compulsórios sobre os depósitos a prazo e à vista. Lembramos que este valor é suficiente para financiar três safras de verão.
A timidez da redução das taxas de juros causa preocupação no setor produtivo. A rentabilidade atual da caderneta de poupança e dos certificados de depósitos bancários, que beiram 1% ao mês, já proporcionaria condições ao setor bancário de reduzir as taxas de juros para os consumidores. Em 60 dias transcorridos o mercado não sentiu a redução nos custos dos juros. Cobrar taxas praticadas hoje de 4% a 9% ao mês é o mesmo que cobrar um spread de 300% a 800% ao mês em relação aos índices pagos na captação do dinheiro pelos bancos.
A inviabilidade na tomada de recursos desestimula a produção. E, quando os recursos são contratados com custos proibitivos, acarretam o aumento da inadimplência. Perguntinha: onde estarão os R$ 30 bilhões injetados no mercado para a redução dos juros? Com a palavra o sistema financeiro. E mais: quanto está representando a baixa nos índices de remuneração dos aplicadores no mercado em relação aos juros pagos pelos tomadores de empréstimo? Continuo não acreditando na baixa dos juros como contrapartida da liberação dos compulsórios pelo governo federal.
- PAULO AFONSO RODRIGUES, contabilista, Londrina
Diabates
A diabetes melito é doença de caráter crônico, com forte conotação genética e que acomete mais de 10 milhões de brasileiros. O tipo 2 corresponde a aproximadamente 90%. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado fazem com que os pacientes diabéticos vivam mais, ensejando de complicações mais temidas, devido ao maior risco de amputações, acometendo de 4 a 10% da população diabética e com sérias repercussões na qualidade de vida.
Alterações vasculares (vasculopatia diabética periférica) e neurológicas (neuropatia diabética periférica) determinando alterações na circulação e neurológicas (alterações na circulação) são as grandes responsáveis com pequenas lesões, podendo ou não ser relacionadas com pequenos traumas. Em consequência são frequentes o desenvolvimento de ulcerações nos pés, calosidades, infecção localizada, como celulite, abcesso e osteomielite, gangrena local e gangrena extensa de difícil cicatrização.
O importante é impedir que estas complicações ocorram por meio de medidas preventivas, que devem ser do conhecimento de todos os diabéticos e familiares, mantendo a diabetes sob controle. O médico deve ser consultado periodicamente, consistindo este ato importante medida preventiva. Inspecione diariamente os pés, se necessário com o auxílio de um espelho. Comunique seu médico se observar alteração na coloração e temperatura dos pés. Lave-os diariamente com sabonete e água morna, jamais muito quente na coloração e temperatura. Seque-os com toalha macia, principalmente entre os dedos e unhas, pois a umidade favorece o aparecimento de micoses. Mantenha as unhas aparadas, pedindo ajuda de familiares, se necessário.
- LUIZ BODACHNE, médico geriatra, Curitiba
Face verdadeira
A absolvição dos três policiais envolvidos na morte de 17 sem-terra, em Eldorado do Carajás, mostra a verdadeira face do Brasil. Enquanto só se fala dos seus 500 anos, temos um país dominado pelas elites aristocráticas, com a conivência dos governantes. Mais que palavras demagógicas, o povo exige que se faça justiça aos assassinos de Eldorado dos Carajás. As vítimas do acontecimento eram tão-somente trabalhadores que, como milhões de brasileiros, sonham com a oportunidade de cultivar alimentos e esperanças no campo.
A esperança da sociedade é que o julgamento daquele crime, condenado internacionalmente, tenha um desfecho onde não se arrumem apenas bodes expiatórios, deixando livres os verdadeiros culpados. Deve-se abrir a perspectiva de uma reforma agrária. Viva a luta dos trabalhadores rurais que não possuem nenhum mísero pedaço de chão e não aqueles oportunistas, que se infiltram no meio dos trabalhadores para rurais.
Na verdade, esses infiltradores são guerrilheiros do colarinho branco, bandidos miseráveis e merecedores de celas frígidas. Ademais, só nos resta orar para que o presidente Fernando Henrique Cardoso tenha pulso firme, digno de líder de uma nação, para levar justiça e moral a todo o País, inclusive ao policiamento.
- ARISTEU NEVES RODRIGUES, Londrina
Saúde
Quem não precisa de saúde? Todos precisamos dela e nenhuma classe de trabalhadores pode ficar sem atendimento. Para profissionais de saúde e educação as coisas complicam. Se não existe atendimento de prevenção ou está além do que as pessoas podem pagar, a melhor maneira é poupar desgaste, do estresse. As coisas estão loucas, aceleradas. O ser humano não é máquina. Respostas rápidas, precisão às vezes impossível. Dependemos do passo de tartaruga do outro. Competir nada melhor do que ser o jabuti. Não interessam os meios.
Complexas são as relações humanas com tanta pluralidade precisando de ética. E a saúde das educadoras e dos educadores? Muita gente acha normal mulher estressada. Ela não se cuida. Ninguém liga para os seus limites emocionais. Sala de aula não é fácil. É necessário ter uma equipe para atender, dar apoio ao professor e ao aluno. Atormentados com baixos salários e outros problemas. Deixam por conta da escola. E a fala e a comunicação sem agredir as cordas vocais? Crianças têm o sistema nervoso abalado de tanto barulho. Os apelos da comunicação estão diferentes. Nada de som reprimido. Mas que condições nossos ouvidos aguentam? Som de todos os cantos. Criança desprotegida espiritualmente corre perigo e às vezes é agitada.
- IRACILDA PRESTES PADILHA, pedagoga, Curitiba
CORREÇÃO Fotografia publicada na primeira página da edição de ontem da Folha do Paraná mostra desfile do Grupo Catavento na Rua XV de Novembro, em Curitiba, e não tem relação com as comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra, que aconteceram na Boca Maldita, como informa a legenda.
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