O leitor escreve





Sentido da vida
A chacina do cinema do Shopping Morumbi, em São Paulo, quando um rapaz de classe média, estudante de um dos melhores cursos de Medicina do País, vitimou três pessoas inocentes, reforçou o debate em torno do galopante crescimento da violência em nossa enferma e debilitada sociedade de final do século XX. O problema da violência é hoje uma questão global. Em todas as partes do Planeta, especialmente nas megalópoles, de países ricos e pobres, a agressão contra a vida tem se intensificado de forma cada vez mais espantosa. Esta epidemia, equivalente a uma peste que está matando mais do que uma guerra civil, tem trazido insegurança generalizada e uma sensação crescente de medo, dificultando as possibilidades reais do convívio possível.
Não se trata de discutir os efeitos, mas as causas desses fenômenos mundiais. O medo tem levado as pessoas a se armar, tornando potenciais as chances de agressividade. Pesquisas realizadas por especialistas já constataram que um indivíduo armado, em situação de perigo, tem mais probabilidade de matar e morrer. A mídia frequentemente substitui os papéis tradicionais da família e da escola como meios educativos. A sociedade não deve temer enfrentar corajosamente o tema, apontar deficiências e propor as soluções necessárias.
O estudante Mateus da Costa Meira chegou a declarar que havia escolhido atirar nas pessoas com uma metralhadora porque ‘‘teria mais impacto na mídia’’. O que tem faltado nos debates acerca destes e de outros tristes episódios é acerca do ‘‘sentido da vida’’. Alguém mata quando perde a fé na vida. Resta a grande indagação: que sentido de vida a sociedade globalizada nos tem oferecido?
- VALMOR BOLAN, sociólogo, São Caetano do Sul
Sonho
Cidade de um povo honesto e trabalhador, de lutas históricas, que não merece insegurança, tráfico de drogas, violência e trânsito assassino; não merece propaganda enganosa que lega à invasão, ao desemprego, à prostituição infantil, à mendicância, à fome, às doenças mortais e à morte de nossos semelhantes.
Enquanto isso, o noticiário dá conta de que o roubo, a corrupção, o desvio do dinheiro e as falcatruas engordam as polpudas contas bancárias de alguns indiferentes e misteriosos poderosos. Será que os pioneiros ingleses sonharam com essa desgraça para a Pequena Londres? E você, londrinense, está satisfeito? O futuro de nossa sociedade não lhe preocupa?
À custa de nossos sagrados impostos, nós cristãos, livres e de bons costumes, merecemos uma cidade segura, limpa, bem arrumada e progressista; uma cidade com agroindústria forte, lazer saudável, com mais creches e melhores escolas para nossos filhos; onde, pelo menos, os pais de família tenham emprego digno, saúde com qualidade de vida e nossos idosos vivam com alegria. Rogamos à Providência divina o direito à tão sonhada paz, à liberdade de expressão, à justiça social com igualdade e fraternidade aos cidadãos que não têm vez nem voz, como os indiferentes poderosos. Não seria esse o sonho dos pioneiros, para nossa querida Londrina na virada do milênio?
- FÉLIX RIBEIRO, Londrina
Bingos
Sou contra o cerco do governo aos bingos, porque ele não existe. Todos os bingos têm políticos entre seus donos. Por isso proliferaram tão rápido. Agora, para satisfazer uma parcela da população que pressiona contra, eles fazem essa encenação, querem abrir até uma CPI. E tem mais, menor não joga. Quem entra para jogar deve saber o que está fazendo. Além do que os bingos geram muitos empregos. Em uma cidade como São Paulo, imagine quanta gente está empregada nos bingos?
- TÂNIA KEMMER, Londrina
Bandeira
Com a Independência do Brasil, nasce a Bandeira Nacional, que passa a ser o manto sagrado da nova nação, envolvendo em suas cores todos os problemas políticos e sociais, não se abalando com as grandes transições, em tempos de guerra, em tempos de revolução armada, em tempos de alternanças políticas.
Com suas cores fortes a tudo assiste, com suas cores vivas, cobre com esperança o povo brasileiro, que está em busca da independência, que ainda não se completou, por estar a Nação presa a dívidas externas; por estar a grande maioria dos brasileiros sem liberdade pelas dificuldades financeiras que enfrentam; sem liberdade pelo mau serviço de saúde prestado pelo sistema político; sem liberdade nos campos de concentração da miséria no Nordeste e, também, em cada canto do Brasil onde nossos olhos se voltam; sem liberdade pelo descrédito reinante; sem liberdade para sair de casa, porque pode ser assaltado ou morto na rua, ou ter a casa arrombada; sem liberdade para crescer pela falta de recursos (a pequena empresa rural e urbana está desaparecendo, formando contingentes de desempregados e sem-terra); sem liberdade para mudar a CLT que castiga com leis protecionistas aqueles que empregam; sem liberdade para apontar os que lícita e ilicitamente praticam apropriações indébitas do dinheiro público, provocando com este ato, extermínios, em muitos casos pela fome; sem liberdade para fazer a criança crescer saudável e com dignidade, para formar a alavanca de sustentação futura desta abençoada Nação, enfim, sem liberdade de ser e ter, a Bandeira do Brasil a tudo assiste.
Acreditanto no respeito que todos têm pela Bandeira Brasileira, sentimo-nos amparados pelas forças íntegras que conduzem o sistema político na Nação, fazendo o Pavilhão Nacional o grande escudo em defesa das necessidades e direitos de todos.
- JOÃO SILVA LOPES, Londrina
Cuba
Sobre a notícia ‘‘Dissidência cubana ganha atenção’’ publicada ontem: o brasileiro deveria prestar mais atenção no que acontece em Cuba. Já passamos por situação semelhante e não podemos ter memória curta. Fidel Castro é um tirano. Em Cuba só ele ‘‘vive, respira e se expressa’’. Os dissidentes cubanos só querem seu país de volta. Espero que este futuro esteja bem próximo.
- MARCIA ZANINETTI, Miami, Flórida (EUA)
Correção
- Por erro técnico, a mesma foto foi publicada duas vezes na capa da Folha Cidades, edição de ontem.
- Diferentemente do que foi publicado ontem na página 4 da Folha Economia, a Agribusiness 2000 - Feira Internacional Agroindustrial de Tecnologia em Ação foi lançada na última quinta-feira, dia 11, no Expoara, em Arapongas.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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