O leitor escreve
O leitor escreve
Violência (1)
Bela discussão esta: uma campanha deflagrada por uns e apoiada pelos demais londrinenses nos faz sentir tão fortes diante do direito de expor nossa cidadania que invejo a coragem de quem levantou esta bandeira. Pobre bandeira. Vermelha como nossos corações. E alvejada também. Quatro disparos contra ela foram suficientes para reações diversas. Claro, antes em nossos corações. Ela, intacta, cobrindo nossos caixões que nos guardam inconscientes após quatro disparos certeiros. Nossa cidadania termina quando o civismo nos impede de expor nossos medos. E que medo. Ele é tão intenso que chegamos ao ponto de balear a bandeira. E pelo visto, tamanha audácia só chamou a atenção do Conar. Nossos objetivos não foram alcançados? Apóio a campanha e apóio o símbolo adotado. Ele representa muito bem o nosso sentimento.
- CARLOS SHIGUERU IMADA, engenheiro civil, Londrina
Violência (2)
É interessante e emblemática a polêmica criada em torno do símbolo da campanha contra a violência em Londrina. Uma boa sacada publicitária que absolutamente não ofende, apenas ilustra dramaticamente o cotidiano de uma cidade que teima em aparentar uma cidade pequena, com seus hábitos administrativos antigos, tais como pintar meios-fios, construir coretos e fontes luminosas, espocar rojões enquanto a Furiosa ataca a retreta de homenagem aos ilustres filhos da terra que por aqui desembarcaram.
A violência nas ruas que já foi banalizada, que é mitigada, minimizada pelos marqueteiros de plantão, também são as promessas não cumpridas; o comportamento dos políticos T-Fal; a corrupção e os escândalos, e a cortina de fumaça lançada aos olhos da população a encobrir as verdadeiras e vultosas operações não investigadas; as invasões de sem-tetos e sem-terras; os mandados de reintegração de posse não cumpridos; corrupção policial e de funcionários públicos; a incompetência; a prevaricação. Lista sem fim.
É lama e lodo suficientes para que alguns apaniguados, precavidos, transportem-se em possantes e confortáveis veículos de tração 4x4 de origem estrangeira. São os agricultores do dinheiro público, pecuaristas do voto. Transformar em flores a campanha contra a violência desta próspera cidade, é querer tapar o Sol com a bandeira.
- PIERO LUIGI TOMASETTI, estudante, Londrina
Violência (3)
Londrina exige o fim da violência é o que diz a campanha da sociedade organizada e dos veículos de comunicação de Londrina. Pedem o fim da violência, mas pregam a repressão policial como solução, ou seja, mais violência. Talvez a maioria das pessoas não tenham observado a contradição que esconde a atual campanha contra a violência, que é, na verdade, uma campanha por segurança pública, pede mais violência, pede mais efetivo policial e a conclusão da Cadeia Pública porém, não solicita ou encaminha proposta alguma no campo de combate às causas da violência. Esconde, também, um jogo de marketing político (ano que vem tem eleições) onde nossos representantes políticos brigam com os da capital do Estado exigindo mais pelo interior, o que vai ser convertido em votos de eleitores ingênuos, posteriormente.
E a sociedade continuará sofrendo com a violência diária dos crimes, do descaso público, da falta de saúde, educação, lazer e cultura, da roubalheira, da falta de emprego, da miséria, da fome etc. A violência é muito mais complexa que a criminalidade. Para estas temos polícia e leis que não são as ideais; temos que melhorá-las. Mas com relação à violência, não será com medidas simplistas que resolveremos problema tão complexo.
O Movimento pela Paz na Cidade, no Campo e no Mundo encaminhou, há quase um mês, proposta (publicada na Folha de Londrina), dia 14 de setembro, à sociedade organizada e à Câmara de Vereadores, com uma série de medidas a serem adotadas em conjunto pelos setores públicos e a sociedade organizada, visando a minoração pelo combate de suas causas. A solução apontada é antiga, mas nunca adotada com seriedade. É a priorização de políticas públicas, voltadas para as populações que se aglomeram em favelas, assentamentos e bairros pobres. Educação, saúde e cultura quando ofertados com seriedade, amor e carinho jamais como moeda de troca por votos, como acontece são transformados em esperança. É o que falta para aqueles que, marginalizados, se transformam em marginais. Paz e não mais violencia, é o caminho para a solução dos nossos problemas.
- BRUNO DE OLIVEIRA, Londrina
Pobreza
A discussão em torno da erradicação da pobreza não é nova, e nem poderia ser. Atualmente, as discussões em torno da solução para a mesma têm movimentado o cenário político brasileiro e rendido intensos e calorosos debates, onde políticos de diferentes ideologias apresentam suas propostas, tais como: criação de imposto pró-pobreza, de fundo antipobreza entre outras, sem contar a previsão animadora, mas muito além da nossa realidade feita pelo ministro da Fazenda Pedro Malan de que é possível acabar com a miséria do País até o ano 2015.
A pobreza brasileira constitui-se de um conjunto heterogêneo, cuja unidade encontra-se na renda limitada, na exclusão, na subalternidade, na privação de bens materiais, no baixo nível de escolaridade e na falta de perspectivas futuras.
Assim sendo, nós enquanto sociedade civil, devemos estar atentos para tais propostas e pronunciamentos para que não tenhamos que pagar por algo que não renderá benefícios para àqueles que realmente o merecem e precisam a não ser para os grandes idealizadores de tais propostas que poderão ser beneficiados com mais quatro ou oito anos de mandato por tão nobre idéia.
- ALEXANDRA ALVES, Londrina
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