O leitor escreve
O leitor escreve
Veneno
Todos nós sabemos que quando a água que abastece uma população está envenenada, de nada adianta fechar as torneiras e a única solução é limpar a caixa. No entanto, nossos governantes, com raras exceções, teimam em apenas fechar as torneiras. A sociedade brasileira está envenenada e é urgente que a limpeza da caixa seja feita.
Os episódios chocantes ocorridos em diversos Estados e mostrados nos últimos meses, principalmente o da Febem de São Paulo, trouxeram um estado de medo, incerteza e repulsa. Precisamos urgentemente limpar a caixa, porque o veneno está corroendo as últimas esperanças do nosso povo. Aquelas crianças e adolescentes da Febem não podem e não devem ser comparadas a uma manada de cabritos. São nossos irmãos e talvez por incompetência daqueles que os dirigem, estão ocupando uma moradia que certamente deveria pertencer a outros inquilinos.
Todos os setores da sociedade e especialmente a imprensa, que tem uma força de decisão muito valiosa, deverão se unir, se aglutinar e tentar em forma de mutirão o enorme trabalho de limpar a caixa, e dar um basta a esta série de barbáries que está manchando nosso País e penalizando nosso povo.
As crianças e adolescentes pobres têm os mesmos anseios que os ricos. Eles também gostam de praticar esportes, de andar de bicicleta e de frequentar discotecas. Se dermos a eles as oportunidades que merecem, com certeza, em prazo muito curto, vamos deparar com a caixa limpa e encontraremos vazias as Febens do Brasil, ou na pior das hipóteses, ocupadas pelos verdadeiros inquilinos.
- WELLINGTON AMARAL SAMPAIO, Londrina
Insegurança
Sem que a maior parte da sociedade se apercebesse, foi se formando uma bem nutrida rede de interesses, legítimos ou espúrios, que se nutre do grau exacerbado de insegurança que enfrentamos. Desde o bico do policial mal remunerado, passando por programas de rádio e TV especializados em crimes, empresas especializadas em blindagem de veículos de passeio, até as ONGs milionárias como o Viva Rio, a violência sustenta hoje centenas de milhares de pessoas, seja como criminosos, seja como prestadores de serviço ou os que teoricamente se opõem a ela. Como o crime e consequentemente a insegurança estão em rápido crescimento no País, os interesses a ele vinculados tendem a acompanhar esta expansão perversa, vendendo os mais diversos produtos e idéias.
Se a partir de agora essa tendência fosse revertida e voltássemos rapidamente a um padrão aceitável de criminalidade, teríamos uma grande quantidade de interesses contrariados, dos quais podemos relacionar alguns: demissões em massa de vigilantes, fechamento de empresas de blindagem e falta de assunto para os violenciólogos manter suas ONGs e dar entrevistas cretinas na TV. Haveria ainda uma grande pressão dos policiais sobre o governo por aumento de vencimentos que compensasse a perda dos bicos aumentando o déficit das combalidas finanças do Leviatã arrogante e falido.
Podemos pressionar por mudanças concretas e efetivas na política de segurança pública e de justiça, ou fazemos como os sertanejos nordestinos, que rezam para chover geração após geração. A missa com 600 mil flagelados da insegurança orando pela paz em São Paulo no Dia de Finados mostra que se está adotando o segundo caminho, esperando talvez que a segurança caia do céu. Haja fé, entre outras coisas bem menos sagradas. Cabe a clássica pergunta da investigação policial: a quem interessa o crime?
- LUIZ AFONSO SANTOS, São Paulo
Porto seco
No último domingo, deparei, na Folha, com a notícia Governador garante obra de porto seco (página 8 do primeiro caderno). Fiquei muito feliz por Cascavel ser a cidade agraciada, ter os seus políticos engajados nessa empreitada. Nessa reportagem, o governador Jaime Lerner cita que só existem outros três complexos alfandegários em nosso Estado, os quais são: Paranaguá, Foz do Iguaçu e Maringá. O que mais me admira são os poderes políticos com que cada região conta para se conseguir, bravamente, o seu quinhão de desembaraço e despacho aduaneiro.
O que me deixa muito triste, tendo nascido em Londrina, é ver os nossos políticos ficarem de braços cruzados, enquanto o progresso pede passagem. Ora, todos sabemos que existe uma pendência judicial, cujo autor é da região de Maringá, para se obstar, ou para se amarrar a instalação do porto seco em Londrina, e que já dura mais de cinco anos. Ora, onde estão os nossos políticos?
Conclamo a toda a comunidade londrinense e a região metropolitana (que só existe no papel, pois o governo estadual não a oficializou, pois não há interesse político) a cobrar um final para esse dramalhão mexicano, porque é de suma importância para o nosso município e cidades circunvizinhas, que aqui seja instalado um porto seco para desembaraço de exportações e importações. Espero que todos tenham consciência de como isto irá alavancar, ainda mais, o progresso em nossa cidade. Que ninguém barre o progresso, pois sem ele, sobrepõe-se a estagnação.
- MIGUEL PERES MARTINS FILHO, advogado, Londrina
Luzes
Chega a época de Natal e as luzes das cidades se acendem. Prédios, residências e shopping centers se enchem com o espírito natalino, num ritual de cores e luzes de causar espanto em qualquer um. Em contradição com esse clima festivo e esbanjador de energia elétrica, está o tão discutido e polêmico horário de verão. O novo horário adotado pelo governo sabe para que veio. A economia de energia elétrica é uma questão ambiental e deve ser respeitada por toda a nação.
Ao ler a Folha do dia 6, observei numa das colunas a defesa veemente do colunista pela adoção da decoração natalina por todos os habitantes de Londrina. Essa posição só vem contrastar com o apelo feito pelas organizações que oferecem e regulamentam o serviço de energia elétrica no Brasil.
Já não bastam os blecautes ocorridos no País e o pedido das entidades governamentais para que o racionamento de energia elétrica seja de fato efetivado; é preciso também o ingresso dos formadores de opinião para o recrutamento da população em torno de uma causa tão nobre. Racionar é preciso.
- ALEJANDRO SAAVEDRA, Londrina
Apoio
A Associação dos Magistrados do Paraná vem, sensibilizada, agradecer o apoio importantíssimo recebido dessa empresa de comunicação social, por ocasião do Dia Nacional de Mobilização e Protesto da Magistratura. A divulgação de nossas mensagens, transmitidas naquela ocasião, demonstram que a imprensa e a Justiça são indispensáveis à democracia. Colho o ensejo para renovar protestos de consideração e apreço.
- RUY FERNANDO DE OLIVEIRA, presidente, Curitiba
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





