O leitor escreve
Violência
Diante das dificuldades que a cidade de Londrina vem atravessando em vários setores de sua administração pública, esta carta deseja ser uma carta de orientação aos católicos, em vista de uma cruzada de valorização dos princípios da ética nas coisas públicas, e um convite à participação de todos na reconstrução das bases morais da cidade que tanto amamos. A Bíblia Sagrada fala-nos de dois tipos de cidade: Babilônia, a cidade do Mal, da Injustiça e da Violência e Jerusalém que deveria ser a cidade do Bem do Direito e da Paz, Todas as cidades do mundo são tentadas a ser, ora Babilônia, ora Jerusalém.
A nossa cidade de Londrina, nos últimos tempos, está sendo acusada de imitar mais Babilônia do que Jerusalém, por causa da violência e das denúncias de corrupção, desonestidades administrativas, contratos ilícitos, desvio de verbas, e subornos em vários níveis. A mesma bíblia recorda que, em tempos de crise, levantava-se a voz dos profetas, alertando todo o povo da realidade dos fatos e denunciando as injustiças, as violências e opressões, e exigindo a conversão dos corações, a mudança das situações de injustiças e de pecado e o ressarcimento das quantias roubadas dos pobres.
Seguindo o exemplo dos Profetas e, no cumprimento de nossa missão de Pastores, nós, Bispos de Londrina, também queremos alertar sobre a importância de respeitar os princípios da ética e da moral pública, em todos os setores de nossa cidade. Nesta linha de princípios, mais uma vez, nos declaramos solidários ao trabalho dos Promotores e apoiamos as investigações que estão sendo feitas pelo Ministério Público, e agora pela Comissão Especial de Inquérito na Câmara de Vereadores, no sentido de que através dos inquéritos seja descoberta a verdade dos fatos, denunciados os erros e combatida a impunidade, pois ela é um incentivo para aumento de crimes e mais violência. (Crf. Documento da CNBB nº 50 Ética Pessoa e Sociedade nº 143).
Não somos juízes, mas pastores que, sem querer fazer julgamentos apressados, ou denúncia de nomes que ainda não foram julgados, entretanto desejamos apoiar os juízes para que tenham liberdade na defesa do Bem Comum. Sonhamos com uma Londrina que seja uma nova Jerusalém, isto é, uma cidade onde Deus é o Senhor e se tome da sede da Justiça e da honestidade particular e pública.
Pedimos a todos os membros de nossa Igreja, que nesta matéria, não se deixem levar por interesses apenas de ordem político-partidária, mas sim pela grande Política do Bem Comum. Uma cidade é como uma grande família e, apesar dos erros de alguns dos seus membros, ela não pode perder a esperança, a vigilância, o espírito de reconciliação e reconstrução de suas muralhas.
- DOM ALBANO CAVALLIN, arcebispo metropolitano de Londrina
Bingos
A exploração do povo não pode ficar a critério daqueles que se propõem a explorar o filão. O que não concordo é com os nossos senadores que estão criando um fato político porque odeiam o Paraná ou têm outros interesses pouco esclarecidos. Se não gostam do atual governador deveriam pelo menos manter a ética de democratas. Perderam nas urnas porque não aceitam o veredito e aguardam os três anos que faltam para a nova eleição. Afinal, o eleitor também tem direito a recesso. Atualmente, é vergonhosa a guerra pelo poder exercida pelos vencidos e por aqueles que estão ávidos por cargos eletivos. Não sou político e nem pertenço a partido nenhum. Sou apenas um brasileiro que já está de saco cheio com a campanha para a próxima eleição.
- JOSÉ DE AZEVEDO, Curitiba
Poder Judiciário
A Constituição Federal, enquanto norma suprema da República Federativa do Brasil, confere ao cidadão uma série de garantias, entre as quais se pode destacar o direito à vida, à saúde, à educação, à segurança, à propriedade, à igualdade, estabelecendo como objetivos fundamentais do Estado Brasileiro a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, através da erradicação da pobreza, da marginalização e da redução das desigualdades sociais e regionais, promovendo, desta maneira, o bem-estar de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Infelizmente, entretanto, percebe-se que um considerável número de detentores do poder político se esquece de traçar as políticas indispensáveis à consecução das garantias plasmadas na Constituição da República, na medida em que se restringem em estabelecer diretrizes de ordens pessoais, voltadas ao incremento de suas atividades particulares e, muitas vezes, desviando bens públicos em proveito privado.
As malversações do patrimônio público têm sido prontamente combatidas pelo Ministério Público, enquanto instituição voltada à defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos direitos e interesses sociais e individuais indisponíveis. As pretensões Ministeriais, nesta esteira, são deduzidas perante o Judiciário, enquanto Poder independente e capaz de dirimir os conflitos de interesses existentes em sociedade, através da aplicação do direito objetivo ao caso concreto.
É indubitável que o Poder Judiciário, ao distanciar-se de interesses mesquinhos e voltados, em caráter de exclusividade, à improbidade administrativa, viola os anseios daqueles que não intencionam trilhar uma política séria, eficaz e direcionada aos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil elencados no art. 3º da Carta Constitucional. Estas pessoas, mal-intencionadas e voltadas ao enfraquecimento do Poder Judiciário, estão longe de buscar um Estado Democrático de Direito, em que as necessidades básicas do cidadão necessitam ser satisfeitas pelo Poder Constitucionalmente competente para fazer Justiça, outorgando a cada um o que é seu.
Fragilizar o Poder com atribuições de dizer o direito, é o mesmo que conduzir o Estado Democrático de Direito a um Estado Totalitário, de tiranos, em que o direito é suplantado pelas necessidades pessoais, escusas e insaciáveis de seus governantes. Quero crer que nós, enquanto cidadãos, não queremos que o Brasil siga este trágico destino.
- RENATO DE LIMA CASTRO, promotor de Justiça da Comarca de Assaí
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