Comércio aos domingos
Desde o tempo dos apóstolos, devido à sua estreita conexão com o mistério central da fé crist㠖 a ressurreição de Jesus Cristo – o domingo passou a definir-se como ‘‘o dia do Senhor’’. Ao longo de vinte séculos de história, a Igreja sempre reconheceu o particular sentido sagrado desse dia, vendo nele a Páscoa da semana, que torna presente a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte.
Atualmente, mesmo em países de tradição cristã, práticas ditadas por condições sócio-econômicas tendem a dar ao domingo apenas um caráter de ‘‘fim de semana’’, levando as pessoas a se fecharem em si mesmas, dificultando a sua abertura para o Absoluto, requisito essencial de respeito ao ser humano, criatura de Deus.
Na condição de pastores do povo cristão a nós confiado, não podemos concordar com a intenção, manifestada por segmentos da sociedade (de Maringá) de permitir o funcionamento de estabelecimentos comerciais no domingo. Entendemos que a medida representa prejuízo para o justo descanso e o cumprimento das obrigações religiosas dos funcionários, elo mais fraco da cadeia produtiva.
Compreendemos que a iniciativa produza alguma vantagem financeira, importante em tempo de dificuldades econômicas que atravessa o País. As desvantagens, entretanto, são maiores, na medida em que atropelam os fundamentais direitos do trabalhador ao repouso, à convivência com a família e à prática religiosa. Nem procede a comparação com a prestação de serviços essenciais, o que certamente não é o caso de lojas comerciais. Para estar à altura da dignidade humana, não pode a sociedade organizar-se apenas em função do lucro, como único valor a ser preservado. Além da dimensão econômica, há valores humanos fundamentais a ser defendidos, se pretendemos construir uma sociedade justa e fraterna, segundo a proposta cristã.
- DOM MURILO S. R. KRIEGER, arcebispo metropolitano, Maringá
Narcotráfico
É lamentável que no Brasil crimes como esses cometidos no grande esquema do narcotráfico, seja tratado com tanta frieza pela Justiça (‘‘Deputado chora ao depor na CPI do Narcotráfico’’, notícia publicada ontem). O pior é ver os envolvidos fazendo joguinhos emocionais. Precisa-se de uma política correta e justa, urgentemente, para resolver questões como essas, pois as pessoas vão ficando impunes e tudo vai ficando por isso mesmo. Logo o povo esquece. Mas as eleições estão aí e nenhum político quer ver o seu nome envolvido em trambicagens de repercussão nacional.
- NANCYARA LIMA, Curitiba
Combustíveis
Gostaria de público e graciosamente oferecer meu posto de combustíveis para o leitor Jorgisnei e para o promotor Hélio Cardoso, para que os dois deixem suas atividades, e passem a nadar nesse rio de dinheiro que nosso ramo oferece. O leitor em questão poderá vender gasolina pelo preço que ele gostaria que praticássemos, e o promotor poderá finalmente aprender a calcular os custos que um estabelecimento igual ao nosso tem.
Por mais de uma vez tenho lido que os ‘‘donos de postos’’ formaram um cartel e querem massacrar a população. Por mais de uma vez, fui julgado pela opinião pública, que nunca tem acesso à realidade dos fatos. Da mesma forma já fomos julgados pelo promotor, que, mesmo em licença médica, já impôs inclusive a pena para o crime que ele pensa que cometemos. Infelizmente para toda a nossa classe, a fiscalização, federal, estadual ou municipal, é deficiente, e a mídia tem nos colocado na posição de vilões.
Se as cidades ao redor de Londrina têm preços menores, deveriam ser inspecionadas e a população esclarecida de quantas leis foram quebradas para que estes preços possam estar a esses níveis. Isto de forma alguma importa. Importa simplesmente o preço final, seja ele conseguido da forma que for, seja por sonegação, adulteração ou por força de poder econômico. O que me causa espécie, que esse mesmo governo, que lança notícias, informações não claras à população, é o mesmo governo que entende que eu deveria vender minha gasolina por R$ 1.4177, valor sobre o qual cobra a substituição tributária do ICMS.
Sobre a minha proposta, existe uma condição: os senhores Jorgisnei e Hélio Cardoso só poderão vender os combustíveis dentro da lei. E aí quem terá pena, serei eu. Esse vai ser o grande desafio.
- LUIZ CARLOS PIELAK, proprietário de posto de combustíveis em Londrina
Reverendo Moon
Estou lendo reportagens sobre as ações do reverendo Sun Myung Moon, aqui, em Mato Grosso do Sul, e não vejo novidade nisso. Apenas alerto que essas atitudes do movimento estão acontecendo desde 94, e terras são compradas desde 96. Está mais do que na hora da imprensa se agilizar e todos fazer alguma coisa incluindo governos municipais, estaduais e federal. Para um outro Estado do Brasil, o estrago que o movimento está causando fica até sem importância, mas para quem mora no MS é um absurdo o que esse homem e seus seguidores estão fazendo.
São terras no Pantanal, na região do Boqueirão (que atinge os lugares turísticos do nosso Estado) e de fronteira, pois o MS é lugar estratégico para ações ilegais devido às suas fronteiras e aqui terras têm baixo preço. Se o reverendo fosse uma pessoa com passado limpo, tudo bem. Além de implantação de escolas e universidades (que têm como base princípios religiosos, estes ainda anticristãos), ele comete exploração da mão-de-obra brasileira, ilegalidades no pagamento de impostos, faz seminários confidenciais, exploração irregular do meio ambiente e ainda mantém um projeto econômico para o Estado chamado ‘‘New Hope’’, o qual pretende mudar completamente o modo de vida dos sul-mato-grossenses atingindo as áreas social, econômica e principalmente a cultural.
- GRAZIELA MOURA, Mundo Novo (MS)
NR. A Folha publicou ampla reportagem sobre o assunto na edição do dia 26 de setembro.
Governo FHC
A maioria dos setores da economia, com exceção dos bancos e empreiteiras, perdeu muita receita com o governo Fernando Henrique. Na agricultura, as perdas passam de R$ 15 bilhões, de acordo com pesquisa realizada pela USP. Esse prejuízo seria suficiente para renovar quase 70% da frota de tratores no País. Na avaliação da Confederação Nacional da Agricultura, a produção agropecuária teve uma queda de R$ 2,5 bilhões, se comparada com o resultado de 1998. A renda agrícola no Brasil teve uma redução na última década de mais de 30% e somente no último ano os preços agrícolas caíram mais de 19%.
Para o economista e professor da USP, Fernando Homem de Melo, a perda do setor agrícola foi consequência da valorização da taxa de câmbio, das elevadas taxas de juros reais, das excessivas reduções de tarifas de importação das compras externa e financiadas e da recessão econômica. A abertura comercial realizada pelo governo foi equivocada. Reduzir drasticamente as tarifas de importação, sem considerar os subsídios agrícolas praticados pelos países industrializados é agir de maneira desleal com os agricultores e agropecuaristas brasileiros. Esse é o governo FHC, reeleito e impopular. Traidor com quem produz e alavanca o crescimento do País.
- ANTONIO CARLOS DE MELO, Porecatu
Correção Por falha técnica de processamento, a notícia ‘‘Liminar do TJ cassa acesso à conta bancária de Mologni’’ (Caderno Cidades do dia 29, página 2) omitiu a abertura do texto, que é a seguinte: ‘‘O Tribunal de Justiça do Paraná concedeu liminar impedindo a quebra do sigilo bancário do secretário de Fazenda de Londrina, Ismael Mologni, e de sua mulher, Celina Mologni. O acesso às contas de Mologni havia sido autorizado na 4ª Vara Criminal de Londrina a pedido do Ministério Público.’’
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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