O leitor escreve
Descoberta do Brasil
As comemorações dos 500 anos da descoberta do Brasil, em abril do próximo ano, começam a ser preparadas pelo governo brasileiro, que busca, junto com o governo português, realizar uma série de eventos que possam permitir maior reflexão sobre o significado da expansão lusitano e particularmente sobre nossa formação sociocultural. Já nos tempos das grandes navegações intuía-se que Portugal tinha um destino promissor na história das civilizações. Tempos depois afirmou-se que o Brasil era a maior obra de Portugal, sobra que ainda está por se realizar plenamente.
Para compreendermos o alcance desta afirmação precisamos entender melhor o contexto do descobrimento pelos portugueses, em 1500, apesar de alguns especialistas já terem escrito que muito antes da descoberta, os vikings já teriam estado em terras brasileiras, por volta do século XIV. No entanto, deixando de lado especulações, importa saber que quem assumiu a missão de colonização foi Portugal, em 1530, quando mandou para cá a expedição de Martim Afonso de Souza. Corríamos, naquelas primeiras décadas do século XVI, o sério risco de perder o domínio territorial para outros povos, entre eles os franceses.
Portugal parece ter contado com a proteção divina, na difícil tarefa, para outros povos, entre eles os franceses, quando o papa Alexandre VI, em 1494, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas, garantiu aos portugueses a posse das terras brasileiras, seis anos antes de Cabral com suas caravelas. O fato de o papa ter assegurado a posse do território brasileiro aos portugueses ainda hoje intriga os estudiosos. A história seria outra se não tivesse ocorrido esta decisão do Vaticano?
- VALMOR BOLAN, vice-reitor da Universidade do Grande ABC, São Paulo
Dívida externa
Nada mais deprimente e desalentador do que uma dívida que nunca acaba e se multiplica. Principalmente quando se sabe que ela já foi quitada ao menos quatro vezes. Filhos que nascem devendo, idosos que morrem sem ter quitado essa escabrosa dívida externa é fruto da política de um povo bonzinho, que faz piada das coisas sérias e acha graça até dos momentos mais tristes da nossa história. Demos ouro e madeira aos portugueses em troca da independência e agora estamos dando o sangue de nossos filhos aos credores externos.
Incrível é que temos a solução do problema bem aos nossos olhos: nossas florestas e nossa biodiversidade. Por que não cobrar royalties pelo ar que purificamos? Por que não trocar todo esse benefício pela metade da dívida externa? O mundo todo sabe que é verdade. Temos uma das maiores florestas do planeta, que interfere diretamente no clima, na purificação do ar e no fornecimento de enorme variedade de plantas medicinais, sem falar da enorme quantidade de água potável e da fauna e flora para estudos. Mas estão levando essa enorme quantidade de plantas e animais, fabricando medicamentos e outros e devolvendo ao País tudo devidamente industrializado e patenteado. Não temos a tecnologia, porque investir no setor não gera voto e a maioria dos políticos só enxerga o próprio umbigo. Soluções fáceis, aplicáveis e de ótimos resultados estão muito distantes do discernimento dessas pessoas que parecem viver em outra realidade.
Cuidaremos das florestas e de toda a biodiversidade, com ocupação sustentada e exploração racional. Investiríamos o dinheiro em reposição e pesquisa e estaríamos garantindo o abastecimento de oxigênio puro e limpo para todos. Sem dúvida, um ótimo negócio.
- ESMERALDINO FRANCO, professor, Santa Mariana
Papado mais longo
Segundo dados oficiais do Léxico dos Papas, de Pedro a João Paulo II, de Rudolf Fischer Wolpert, onde se narra a história dos papas, apenas oito papas conseguiram, nestes 2.000 anos de Igreja, ocupar por espaço maior o trono de Pedro. João Paulo II foi eleito papa dia 16 de outubro de 1978, portanto há 21 anos. Um papado mais longo temos em apenas oito papas. A duração mais longa da história é de Pio IX, entre 1846 e 1878, de 31 anos e oito meses. A seguir vem Leão XIII, de 1878 a 1903, com 25 anos e três meses. O terceiro papado mais longo nestes 2.000 de Igreja foi Pio VI, entre 1775 e 1799, com 24 anos e seis meses. Em quarto vem Adriano I, entre 772 e 795, com quase 24 anos. O 5º reinado na cúpula de Pedro é de Pio XII entre 1800 e 1823, com 23 anos e cinco meses. Em 6º lugar vem o Alexandre III, entre os anos 1159 e 1181, com quase 22 anos. Em 7º, Silvestre I, entre os anos de 314 e 335, com 21 anos e alguns meses. Em 8º lugar está o papa Leão Magno, entre os anos 440 e 461, com 21 anos e dois meses. E em 9º lugar vem o papa João Paulo II, que dia 16 de outubro completou 21 anos de papado.
O número dos papas difere segundo se incluam ou não os antipapas que ocuparam indevidamente o cargo. O Anuário Pontifício dá os nomes de todos os papas e antipapas, mas prescinde de enumeração. A lista dos papas, organizada com base nos resultados seguros das ciências históricas, enumera João Paulo II como o papa de número 266. O atual Papa João Paulo II pretende chegar com base sólida no ano 2000 e participar ativamente de todas as cerimônias marcadas até o ano 2001. Dia 16 de outubro do ano 2000, o papa João Paulo II já será o 6º papado mais longo da história. Que Deus conserve e dê saúde ao atual Papa para que possa participar das celebrações do Ano 2000 - do nascimento de Jesus Cristo.
- PADRE NATALÍCIO JOSÉ WESCHENFELDER, pároco da Catedral de Palmas (PR)
Caça-níqueis
Acho a proibição dos caça-níqueis uma medida excelente, já que afasta quem já não tem muito no bolso, daquela vã expectativa de que vai ganhar alguma coisa. A pessoa jamais ganha, pois as máquinas são calibradas para que o jogador somente perca. Quem ganha de fato são os donos delas. Também acho que a mesma medida proibitiva devesse ser estendida a toda jogatina permitida existente no Brasil que, como a cachaça, é um vício que arruína pessoas, lares e famílias, deixando o viciado na sarjeta da vida, literalmente falando, sem amigos, sem trabalho, sem família e cheio de dívidas. Com a palavra a Caixa Econômica Federal, que banca quase que 100% dos jogos de azar no Brasil, mas só repassa aos ganhadores, apenas 30% do que arrecada. É roubo para todo lado.
- FERNANDO EGYPTO, Petrópolis (RJ)
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