O leitor escreve
Febem
Foi impressionante a calma mantida pelo governador de São Paulo Mário Covas na entrevista concedida à imprensa durante a última rebelião da Febem, com a consciência tranquila por as crianças, terem sido vítimas de sua própria ferocidade assassina, e não da eventual violência decorrente de uma invasão do Complexo Imigrantes pela tropa de choque logo no início do motim. O governador lavou as mãos em público, dizendo que eles se mataram entre eles, como se não tivesse nada a ver com o problema. A rebelião foi um transtorno sério a ser tratado, mas pelo menos a imprensa não teve tempo para noticiar as diversas chacinas do fim de semana.
O episódio demonstra mais uma vez a regra usada pelo governador para encarar as questões que envolvem o uso legítimo da força: desde que o aparato policial sob seu comando não possa ser acusado de excessos está tudo bem, sua reputação de benévolo estará preservada e ninguém poderá acusá-lo de truculento, manchando sua biografia. Ao que parece, esta é sua principal preocupação e não a segurança da população ou dos que estão sob sua guarda. Os vergões causados por algumas borrachadas no lombo de revoltosos lhe parecem mais graves para sua reputação do que as consequências funestas de rebeliões e da destruição do patrimônio público.
Na falta de autoridade do governo, os mais violentos acabam exercendo o poder na Febem (e nos presídios), e é bom que se diga que uma grande parte dos menores que se encontram presos na Febem certamente teria recuperação desde que houvesse um plano de trabalho efetivo do governo no sentido de educá-los e de lhes dar um novo sentido para sua vida. Apenas uma minoria dos rebelados é constituída de feras bestiais dispostas a trucidar outros menores. Os internos são na maioria jovens perigosos, assaltantes ou homicidas, mas que num ambiente de estudo, trabalho, atividades esportivas e, principalmente, disciplina, certamente teriam sua segunda chance.
- LUIZ AFONSO S.P. SANTOS, São Paulo (SP)
Liberdade
Prezado Walmor Macarini. Ao apanhar a Folha pela manhã, procuro sempre a sua colaboração. Com você liberto das responsabilidades de administrar o dia-a-dia do jornal, vai-se aflorando o armazenamento de todas as riquezas de pensamentos que estavam contidas em seu cérebro. Agora, como um átomo que se desintegra, surgem riquezas como o seu artigo intitulado Dos sentimentos de liberdade. Bem fez você em não pôr seu nome na lista telefônica, pois caso contrário sua liberdade estaria comprometida. Receba minhas incontidas louvações.
- EDIVINO ANDRADE NORONHA, Londrina
Previdência
O sistema de previdência no País precisa e deve ser modificado (STF sugere que aposentado tem direito pétreo notícia publicada ontem). Entretanto, não da forma como o governo quer. Creio que o mais sensato seria estudar uma forma de progressividade, pela idade, vencimento e outras formas que os especialistas na matéria poderiam sugerir. Um exemplo é o de minha avó, que ontem, dia 26, completou 98 anos de idade. Ela se aposentou em 1957 como professora, mas deu aulas particulares para reforço de orçamento até aos 80 anos. Agora, começou a pagar para se aposentar. Pergunto: é justo? Qual a espectativa de vida desta contribuinte? Será que não estão faltando critérios melhores para determinar quem paga o quê e quanto?
- LARRY DE CAMARGO V. NASCIMENTO, Curitiba
Combustível
Algum tempo atrás, acompanhei notícia de que a gasolina mais cara do País estava no Rio de Janeiro, com o preço de R$ 1,23. Fiquei pensando se Londrina não faz parte do Brasil, pois aqui a gasolina estava sendo vendida a R$ 1,35 na grande maioria dos postos. Esta confusão se acentuou ainda mais na minha mente quando descobri que nas cidades vizinhas a gasolina estava sendo vendida por bem menos.
Curiosamente, quando em algumas reportagens ficou evidenciado o esvaziamento dos postos de Londrina em razão dos altos preços, começaram a baixá-los e em alguns casos com redução de até 30 centavos por litro. Esta redução me deu um certo alívio, pois apesar dos preços covardes praticados até aquele momento, finalmente começaram a ter um pouco de bom senso e de humanidade com quem só vê um reajuste anual de 0,4% em seu salário.
Porém, este alívio demorou pouco, pois nesta semana, quando fui abastecer meu carro encontrei em todos os postos o preço de R$ 1,27 por litro. Até parece que tinham combinado o preço! É evidente que está havendo uma combinação entre os donos de postos visando uma igualdade entre eles e escondendo a falta de competência de alguns postos em oferecer um serviço digno aos seus fregueses e somente através desses acordos covardes de bastidores é que são capazes de se manter no mercado.
Este é o meu desabafo e acredito ser igual ao de muitas pessoas que necessitam do combustível e são chantageadas pela necessidade e falta de opção. Infelizmente, eu vivo em um país onde só vejo autoridades que cobram nossos deveres e em raríssimos casos podemos encontrar espaço para lutar pelos nossos direitos. Diga-se de passagem, não deveria haver necessitar de lutar pelos direitos, pois é uma questão de respeito. Que Deus tenha piedade dessas almas valiosas tão voltadas para os seus interesses econômicos e que algum dia possam se converter cobrando em seus estabelecimentos, somente preços justos, não mais que isto.
- JORGISNEI FERREIRA DE REZENDE, Londrina
Eleições
As eleições serão só no ano que vem, mas já se percebe até o desespero de alguns políticos em vista das prefeituras. Mesmo com as dificuldades que os municípios enfrentam, deve ter algo compensador para toda essa corrida. Só uma pergunta capciosa: deve ser para servir ao povo ou aos interesses particulares? Espero que muitos não façam de seu voto uma mercadoria. Ele é um direito e um dever. Quem vende seu voto está prostituindo a própria consciência. Não existe ninguém neutro na política. Quem diz que não entra ou não quer sujar as mãos, já está fazendo a política daqueles que enganam o povo; já está se sujando, porque está dando força para os exploradores do povo.
- SEBASTIÃO RODRIGUES DA SILVA, padre, Leópolis
Bingos honestos
Gostaria de saber onde estão localizados os bingos honestos sobre os quais o leitor Eduy de Azevedo faz referência em carta publicada aqui dia 23. Os que existem em Londrina estão longe de obedecer a Lei Zico, que estabelece o prêmio em 65% do rateio. As mulheres são as grandes vítimas dessa jogatina que está grassando em Londrina, representando aproximadamente 80% da frequência. Não fazem cálculo da roubalheira que sofrem, com prêmios nunca superiores a 30% do rateio. Quem quiser conferir é só frequentar os bingos, com o beneplácito das autoridades competentes.
- ALCIDES RODRIGUES COSTA, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





