O leitor escreve
Cachorrada
No dia 20, quando lia a Folha, deparei com uma nota Em Foco que me causou profunda indignação. Dizia a manchete: Cão de emergente ganha festa de aniversário. Gostaria de reproduzir aqui o texto para que quem não leu ainda, tomasse conhecimento, mas sei que seria inviável para a publicação desta carta.
Num país onde alguns milhares, ou talvez milhões de crianças jamais tiveram uma festa de aniversário, onde fome e miséria são uma constante, acho afrontoso e desumano uma coisa dessas. Não pelos cachorrinhos, eu os adoro, e nem precisa ser de raça. Mas o problema é a forma como a coisa é colocada.
A nota dizia que a cadela Pepezinha, da empresária Vera Loyola (do Rio) recebeu os convidados no quintal da mansão de sua dona para o aniversário de Sasha, dando-lhe de presente um pingente de ouro em forma de osso. Essa Sasha é uma cadelinha pequinês, também membro da família canina da emergente acima citada. Dizia o texto: uma das convidadas a cadelinha Margot, grávida de alguns dias, ostentava uma linda coleira de pérolas, para o orgulho de sua mãe, e que a aniversariante ganhou edredons, louças, escovas, biscoitos, entre outros, e ainda, que o jardim da mansão foi decorado com balões vermelhos, brancos e pretos.
Gostaria de deixar registrada uma sugestão para a cachorrada citada na notícia, bem como às demais do gênero, que doassem através de suas mamães, alguns pingentes de ouro e algumas pérolas para ajudar a diminuir a fome de algumas crianças brasileiras. Assim pelo menos, o espaço ocupado no jornal teria alguma utilidade.
- MARIA APARECIDA MARQUES LINCK, Londrina
Pobre interior
A ciência biológica tem nos evidenciado que o animal se apresenta tanto mais saudável comportamento quanto maior o seu espaço de vivência e mesmo dentro dos instintos gregários. O domínio territorial, juntamente com o instinto de hierarquia são fundamentais para o equilíbrio e o ajuste societário. A restrição do ambiente, espaço e o desprezo a cada um fatalmente conduzem às perturbações comportamentais. O ser humano, como animal que ainda é, tem maiores condições de alterações de humor e de comportamento, quanto mais confinado estiver.
Daí é necessário mostrar aos políticos a necessidade de dirigir suas ações e planos para o atendimento vivencial e espiritual da população e não simplesmente, como eles fazem, dirigindo-se especialmente para arrecadação e eleição com assistencialismo, no primeiro caso aumentando o poder e no segundo pretendendo eternizar-se no poder, revelando, se não paranóico, ao menos paranóide.
O caminho é não criar ou não estimular o desenvolvimento de megalópoles, provocado pela migração dos habitantes da zona rural para as capitais, onde o ser humano permanece cada vez mais comprimido e na loucura das disputas vivenciais, mas estimular a ocupação territorial por meio de criar, no interior, melhorias de trabalho, rendimento e vida.
O governo federal comete o pecado da gula das arrecadações, inclusive estimulando os jogos de azar, proibidos desde o governo de Eurico Gaspar Dutra e que antes tinham aspecto mais moralizado, pois eram permitidos em pontos turísticos especiais e agora estão disseminados e estimulados dentro da casa de cada um, com televisores, nas apostas para prêmios em objetos, quando muitos perdem e poucos ganham, mas ganha sempre o banqueiro, sem finalidades sociais. O governo federal estimula as apostas promovidas pela Caixa Econômica Federal e permitidas, nos bingos, pelo Ministério do Turismo, como se bingo fosse valor turístico e, pior, não traz estrangeiros com seus dólares.
- FAHED DAHER, Apucarana
Portugueses
Os regimes mudam e os governos passam mas a comunidade portuguesa do Brasil, que desde a Independência foi ganhando formatos diferentes, nunca deixou de investir no país de acolhimento e de manter vivas as tradições e os valores da terra de origem. Veja o que aconteceu com outras comunidades estrangeiras quando estancaram o fluxo da emigração. Foram diminuindo em tamanho, obviamente, como aconteceu com a portuguesa; mas, ao contrário desta, não deixaram senão os focos reduzidos de uma presença. Já a comunidade portuguesa deixa uma rede associativa, estabelecida de norte a sul do País, como não existe igual em nenhuma outra parte do mundo.
Criaram-se e mantiveram-se através de gerações os Gabinetes de Leitura e as Beneficências, os Liceus e as Casas de Portugal, as Caixas de Socorros Mútuos e as Obras de Assistência, os clubes e as Casas Regionais e quando se deu conta, dos anos 60 em diante, com o fim dos fluxos da emigração, que era a hora de fazer a passagem do testemunho, essa passagem fez-se sem maiores dificuldades e sem que as instituições perdessem o tônus da lusitanidade. Pode-se mesmo dizer que esse movimento associativo, com a entrada maciça de brasileiros, ganhou uma dimensão maior e deixou de ficar restrito à colônia tradicional.
Tome-se, como exemplo, os Gabinetes de Leitura, que no seu começo tinham a finalidade de melhorar o nível e o conhecimento de algumas dezenas de associados. Mais tarde, abrem suas bibliotecas ao público em geral. Até que em nossos dias, com a participação de mestres e intelectuais brasileiros, transformaram-se em centros por excelência de pesquisa e irradiação da cultura dos dois países. Um ponto que caracteriza as dezenas de associações de origem portuguesa no Brasil é que nunca estiveram sob a tutela dos governos. Essa independência fez com que atravessassem da monarquia para a república, do Estado Novo para a democracia do 25 de abril sem intromissões ou desvirtuamento das linhas de rumo. Existiam e existem para servir Portugal, o Brasil e a comunidade.
- ANTONIO GOMES DA COSTA, Rio de Janeiro (RJ)
Correção
- Por falha técnica, a notícia sobre a coleção de CDs com poemas declamados por atores como Othon Bastos e Paulo Autran, publicada domingo, foi republicada na edição de ontem da Folha2.
- Autor da foto do time da Sorec, de Cascavel, publicada na página 2 da edição de domingo da Folha Esporte, é Colorama e não Edson Mazzetto como foi publicado.
- Endereço correto do site da Receita Federal para consultas sobre restituição do Imposto de Renda 99 é www.receita.fazenda.gov.br, e não como foi publicado ontem na página 3 da Folha Economia.
- Primeira página de ontem contém equívoco relativo à chamada para reportagem de Folha Turismo. É Budapeste o local visitado na edição desta semana, e não Rio de Janeiro, como foi informado; Rio foi tema da semana anterior.
- Texto correspondente ao título Osiris critica a reforma tributária, publicado na primeira página de domingo, refere-se equivocadamente à reforma agrária. O correto é reforma tributária proposta pelo governo...
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





