Vítimas do silêncio

Em 1989, a saúde pública de Cascavel começou a aferir os índices de contaminação pelo HIV no município. Naquele ano, nenhum caso soropositivo em mulheres foi constatado. No início dos anos 90 a realidade começou a mudar. Logo, a proporção passou para cinco doentes do sexo masculino para cada caso constatado em mulheres.
Este ano, seguindo tendência internacional, já são três mulheres contaminadas para cada cinco homens em Cascavel. Em âmbito nacional, segundo os últimos levantamentos, a proporção já é de um por um. Esses números deixam muito claro quem são as principais vítimas da AIDS: as mulheres. O fenômeno tem motivações fisiológicas e culturais. A primeira se explica pelas diferenças no corpo humano. A mulher, no ato sexual, é receptora da carga viral através do sêmem. Portanto, está mais exposta fisiologicamente que o homem. Esta motivação fisiológica é irreversível, pois é determinada pelas formas do corpo humano. Já a motivação de ordem cultural, pode e deve ser atacada. Ela ganha corpo na resistência dos homens em usar o preservativo. O drama é muito maior entre as mulheres casadas. Quem garante que nas relações marido e mulher a presença da camisinha é dispensável?
Difícil mesmo é introduzir este tema na vida conjugal, sem suscitar desconfianças recíprocas. Mas fato é que esta discussão não pode mais ser adiada. Ou as mulheres impõem o assunto na pauta familiar, ou correm o risco de engrossar as estatísticas absurdas da AIDS: 8 mil novos casos por dia no mundo. Somente no estado vizinho de São Paulo são mil casos constatados por mês. Deste total, grande parte são mulheres vítimas da ditadura do silêncio, que impede o diálogo conjugal e submete as esposas à roleta russa do HIV.
- JAIRO EDUARDO FABRÍCIO LEMOS, presidenteda Associação dos Jornalistas de Cascavel.


Brasil dividido

O Brasil de hoje é dividido em dois tipos de pessoas, notadamente empresários. São os que choram e os que vendem lenços. Um amigo meu foi convidado para discutir, no interior de São Paulo, a crise do setor industrial. Um empresário foi buscá-lo no aeroporto e o convidou para visitar sua fábrica, uma indústria trabalhando em três turnos, com as instalações do vizinho alugadas por ele, para aumentar a produção. Estava exportando para a China, Rússia, Estados Unidos e Europa. Meu amigo não se conteve e perguntou a razão dele ter sido convidado para discutir a crise do setor em que o tal empresário atuava, ao que ele respondeu: Crise para os outros. Há muitos anos estamos sabendo da globalização e do aumento da competitividade. Por isso viemos nos preparando com programas de qualidade e produtividade. Meu amigo perguntou: E os outros? Respondeu o empresário: Enquanto trabalhávamos 12 horas por dia em direção à modernidade, os outros empresários da cidade formavam comissões para falar com deputados, secretários e ministros, pedindo proteção ao setor e hoje estão quase todos quebrados. Eles não entendem o tempo em que estamos vivendo. Essa história tem sido repetida em todo o Brasil e por isso dizemos que há os que choram e os que vendem lenços. Agora não é hora de pedir proteção ao governo. É hora de mudar. De acreditar que as mudanças no mundo e no Brasil vieram para ficar e vão ser a cada dia mais rápidas. Depois que estivermos falidos não adiantará culpar a globalização ou a exploração do trabalhador na China pelo nosso fracasso. Winston Churchill uma vez disse que o mundo estaria arruinado se cada um apenas cumprisse sua parte. É preciso ir além. O Brasil não tem somente o potencial, mas também a força. Basta o querer. Disse Henry Ford: Se você pensa que pode ou pensa que não pode, das duas maneiras você está correto. A maneira como encaramos o mundo é que faz a diferença. As verdades de ontem são hoje verdadeiras mentiras porque o mundo mudou, as pessoas mudaram, tudo mudou. Nós, brasileiros, precisamos manter em alta aquilo que já temos, que alguém um dia chamou de criatividade. Mas também precisamos importar da Europa, do Japão e até dos Estados Unidos um pouco de disciplina, para acionar o nosso planejamento e a nossa tecnologia. Seremos invencíveis. É
preciso passar do plano do choro para o plano da ação.
- GILCLÉR REGINA, Maringá

Natal dos servidores

Sem 13º e com poucas possibilidades de receber o salário de dezembro, tudo caminha para que os servidores municipais tenham o pior natal de sua história. No fim de feira da administração Cheida, parece que não sobrará nem ‘chepa’ para quem ‘carrega o piano’ na prefeitura.
Sob a justificativa de ter entrado recursos da divida ativa, o prefeito iniciou várias obras antes dos pleitos eleitorais, bem como pagou antecipado os nossos salários. Porém, bastou uma liminar impedindo a venda de ações do Sercomtel para a verdade vir à tona. Sem o dinheiro do Sercomtel pararam as obras, e pior atrasa o 13º. A prefeitura não conseguiu sequer repassar o dinheiro para pagamento de aposentados e pensionistas da Caapsml, na mais perfeita mostra de desrespeito para quem deu a vida pela prefeitura. Sem o menor respeito à população param as obras e sequer se explica porque. Sem a menor consideração com o servidor, atrasa o 13º e sequer se anuncia isso. Simplesmente não se paga e pronto. Aliás, minto. Não se paga e inventa-se desculpas para justificar a própria incompetência. A prefeitura recebeu 21,7 mil reais de antecipação das ações do Sercomtel, a cidade quer saber o que foi feito deste dinheiro e por que só agora isso veio a domínio público? Os servidores querem saber por que não vão ter 13º. Para quem pensa vir a ser governador, devemos lembrar que boa retórica e fina estampa não bastam. É preciso ter dignidade, hombridade e cumprir a palavra com aqueles que, independente do patrão, demonstram no seu dia-a-dia o que todo governante deveria ter: respeito à população.
- GLÁUDIO RENATO DE LIMA, Londrina.

Papai Noel

Casa do Papai Noel no Lago Igapó. Com fartas luzes e luxuosa apresentação. Papai Noel aparecendo pomposamente sobre as águas do lago. Luzes, acordes musicais, fogos de artifício, aplauso do povo, uma festa inesquecível. É o Londrinatal 96 iniciando em grande estilo. No entanto, sinto pena do pobre miserável, sem teto, sem emprego, sem salário. Nada, enfim, que possa identificá-lo como humano. Talvez ele esteja aplaudindo na multidão. Com certeza ele está ao nosso lado e nós nem damos conta.
Papai Noel não existe, e quanto se gasta em sua comemoração. Este pobre irmão nosso, sim, existe, é real, e pouco ou quase nada fazemos para torná-lo um digno filho de Deus Pai e irmão de todos nós, que se fez homem entre os homens para nos salvar. Natal é amor, solidariedade. É Jesus Cristo nascendo no coração de todos nós.
- PAULO FIDÉLIS, Londrina

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