O leitor escreve
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Prioridades
O ser humano é considerado o único racional que habita o Planeta. Defendo o princípio de que para garantir esta condição, o ser humano deveria raciocinar com lógica. Então vejamos: o indivíduo que mata, rouba, estupra, sequestra, comete qualquer natureza de crime punido pela lei, será que é um ser que realmente raciocina? Um prefeito que viu seus antecessores envolvidos em toda natureza de crime, condenados, execrados, e que ele mesmo ajudou a condenar, e que comete crimes até piores, será que usa realmente de sua capacidade racional? Ou pelo menos um pouquinho de coerência?
Quando se trata de um governo realmente sério, saber eleger prioridades para a sociedade que administra é qualidade essencial. Quem mais precisa de governo são as pessoas com piores condições de vida. Quando se trata de infra-estrutura, é criminoso realizar obras secundárias, que beneficiam minorias que já possuem boas condições de vida, deixando milhares de pessoas em situações precárias. Um governo realmente capaz, que sabe eleger prioridades, jamais investe em quem não precisa. As autoridades constituídas precisam saber o que é prioridade. Quem tem o mínimo de experiência com família, com sua vida particular, certamente terá também a capacidade de saber o que é prioridade em uma administração pública.
- WALTER DOMINGOS, Mandaguari
Emprego
O mundo interdependente e globalizado, exceção feita aos EUA, passa por um crescimento de desemprego assustador. Os norte-americanos exigem a integração com abertura de economias e com o livre trânsito do capital financeiro; suas empresas transnacionais compartilham deste processo produzindo nos países pobres onde encontram mão-de-obra barata, Estado fraco com pouca regulamentação e um sindicalismo atordoado com esta transformação produtiva.
A luta é por emprego e por se evitar demissões. Os trabalhadores estão perdendo as conquistas sociais obtidas a duras penas ao longo dos anos. O processo global pode estar beneficiando alguns poucos países e elites dos países pobres, mas está causando feridas profundas nas camadas mais necessitadas da população.
Desemprego em países desenvolvidos ocorre através da substituição da necessidade de mão-de-obra por tecnologias avançadas, que não se utilizam do ser humano para produzir. Nos países subdesenvolvidos como o Brasil, ocorre através da flexibilização do mercado de trabalho associado à diminuição dos direitos sociais.
O Brasil tem o mercado de trabalho mais flexível do mundo. A rotatividade no emprego é de 30% ao ano, proveniente destas regras sociais perniciosas. A precarização do emprego é nossa realidade, temos, portanto, que admiti-la, elaborando políticas sociais dentro desta realidade triste, mas real.
O grande desafio de nosso sindicalismo é a elaboração de ação regional no Mercosul eficaz e prepositiva na busca de minimizar os malefícios sociais neste novo contexto. Como a atuação sindical na região vem sempre associada a agenda governamental e esta está irresponsavelmente reduzida, cabe aos sindicalistas afiar os espíritos na busca de um contrato coletivo nacional para o Brasil, nos diversos setores. Quando elegermos um governo com uma visão de proteção real do povo do País, caminhado portanto, para a institucionalização supranacional da América do Sul, os sindicatos voltarão a ter voz e atuar de forma efetiva na implementação de uma carta de direitos sociais para a região.
- FERNANDO MARREY FERREIRA, advogado, São Paulo
A neo-demagogia
A velha demagogia consistia em se aprovarem leis e projetos que geravam déficits orçamentários. Ao final, os mais pobres pagavam a conta com parte de sua minguada renda corroída pela inflação. Dessa maneira, fugiam os políticos de sua função primordial que é a de discutir e aprovar prioridades. Em outras palavras, de favorecer e contrariar interesses, franca e abertamente. Hoje, existe um consenso nacional em favor da estabilidade dos preços e das reformas estruturais que possibilitem a baixa dos juros para o País voltar a crescer. Não há mais clima para a velha demagogia.
Por mais ignorante, o cidadão sabe que o déficit da previdência pública deste ano continuará nos próximos, se nada for feito: seja por que os atuais beneficiados vão continuar vivendo e recebendo suas aposentadorias e pensões, seja por que mantidas as atuais regras, os futuros beneficiados irão aumentar o déficit ainda mais. Para não desagradar funcionários públicos, tampouco o resto da população, que se nega a cobrir sozinha o déficit da previdência pública, os neo-demagogos têm indicado fontes alternativas de recursos para financiá-lo.
Todavia, é bom lembrar que qualquer dinheiro arrecadado pelo setor público, de fontes antigas ou novas, inclusive da venda de ativos, pode ser utilizado para qualquer fim, estando sujeito à avaliação de prioridade em sua aplicação. Por exemplo, a redução da sonegação e elisão fiscais permitiriam aos governos melhorar os programas de educação e saúde e não necessariamente cobrir o buraco da previdência dos funcionários públicos.
A neo-demagogia consiste, portanto, em se propor improvisadamente aumentos de receita pública para financiar despesas questionáveis, fugindo-se da avaliação de sua prioridade face a outras carências da sociedade. Uma variante mais nociva consiste em propor-se a retomada imediata do desenvolvimento, que teria o poder, segundo os neo-demagogos, de acomodar interesses em conflito e diluir o déficit público no seio do PIB crescente, sem necessidade de se realizar as inevitáveis e dolorosas reformas estruturais. E haja paciência nossa para engolir tanta neo-demagogia.
- EDUARDO DAROS, São Paulo (SP)
Combustível
Sou a favor de um sério e fiscalizado tabelamento no preço da gasolina em todo o País. Para a gasolina comum, por exemplo, e sem sofrer batismo , pode ser fixado o preço de R$ 0,80 por litro, e para a aditivada, R$ 1,00. Nem um centavo a mais. Tudo o que passar disso será roubo. Aliás, mais um entre as centenas já existentes como CPMF, juros de cartão de crédito, juros de cheque especial, enquanto a poupança popular dá 0,7% ou 0,6% ao mês.
- FERNANDO EGYPTO, Petrópolis (RJ)
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





