O leitor escreve
Justiça do Trabalho
A Associação dos Advogados de Londrina, após veementes e reiteradas reclamações de seus membros, torna pública sua indignação com o desrespeito e a indignação dispensados à classe causídica, junto à Justiça do trabalho, especializada. Os constantes e desmesurados atrasos em relação aos horários previamente determinados para as audiências, que não raro se iniciam com três horas de retardo, além de comprometer e inviabilizar os demais compromissos agendados pelo advogado, ocasionando-lhe sérios transtornos, constituem verdadeira afronta à sua dignidade profissional.
Ao leitor leigo vale esclarecer que a ausência do advogado e de seu constituinte no momento do pregão ocasiona, se patrocinador do reclamante, o arquivamento do feito ou o julgamento à revelia, se representante do reclamado. Em contrapartida, inexiste qualquer sanção prática, aplicável ao aparato judiciário, pelo não-cumprimento de horários predeterminados.
Não se está a exigir rigor britânico no cumprimento da pauta. Esporádicos e justificados atrasos são toleráveis, vez que é pública e notória a deficiência logística e humana da estrutura oferecida pelo Estado em relação ao crescente número de conflitos submetidos à tutela jurisdicional. O que não se admite é a banalização de tal prática, tornando-se contumaz a prolongada impontualidade que se tem observado. Portanto, em respeito às partes e principalmente ao profissional do Direito que labuta diariamente nas juntas de Conciliação e Julgamento, impõe-se adequação de tempo disponível como disponível com o número de audiências designadas de modo a resgatar a consideração e o respeito que o advogado é merecedor.
- ELIZANDRO MARCOS PELLIN, presidente da Associação dos Advogados de Londrina
Desemprego
As invasões de terra que ocorrem cada vez com maior intensidade, colocando em risco a estabilidade da agricultura base prima das demais atividades econômicas do País provocando retração muito grande na produção, especialmente de bens essenciais, vai obrigar o governo a comprar de tudo lá fora, despendendo considerável volume de divisas, premiando mais uma vez a produção excedentária brasileira e contrariando a tão decantada austeridade financeira. Essas mazelas, juntadas à falta de sobriedade nos gastos públicos, que tem gerado insana voracidade tributária, de que são crias os famigerados impostos e taxas fora da lei, os quais acabam permanecendo per sécula seculorum, colocaram o Brasil de quatro, sem esperança de reversão dessa posição vexatória tão cedo.
Em contradita aos discursos oficiais, que pregam diuturnamente a criação de novos empregos, adota-se a prática perversa e abusiva dos juros escorchantes para contenção do consumo, com a alegação inconvincente de que a gastança provocaria a volta da inflação galopante de antes, quando na verdade é o consumo que evita o desemprego. É preciso estimular a produtividade e a produção para que haja oferta de produtos na mesma dimensão de consumo, a exemplo do que fazem nos países mais adiantados. Segundo J. Stuart Mill, se pudermos duplicar as forças produtoras de um país, duplicaremos a oferta de bens em todos os mercados. Para Keynes, a procura efetiva é o que determina a maior produção e por via de consequência o mais alto nível de emprego. Quando a procura efetiva é insuficiente o sistema econômico se vê forçado a contrair a produção, o que resulta no desemprego (a cara do Brasil de hoje).
- FREDERICO HOZANAM DO NASCIMENTO, Cambé
Pinhão
Sou um cidadão pinhãoense e discordo da reportagem publicada no dia 20 sobre o índice de violência na minha cidade (Em Pinhão, muita gente mata para ficar conhecida). Como todos os municípios do interior e porque não os grandes centros, todos tiveram um passado marcado por conflitos e mortes. Agora, com o passar do tempo tudo se transforma. Minha família mora em Pinhão desde a década de 60 e por isso podemos afirmar que é uma cidade tranquila. A população é hospitaleira e seu povo trabalhador. Antes de se dar ênfase a notícias catastróficas que não condizem mais com a nossa realidade deve-se conhecer melhor os potenciais do município a fim de divulgá-los.
- PAULO CEZAR BASILIO, Pinhão
NR A informação sobre o índice de violência em Pinhão foi fornecida pelo delegado do município, Dirceu Nivaldo de Oliveira.
Exercício de cidadania
Concordo com o promotor Cláudio Esteves, que classificou a ação de entidades de classe e Igreja, como um exercício de cidadania, por ocasião da formalização do apoio ao Ministério Público nas investigações de irregularidades na Comurb, em Londrina. A formalização do apoio, assim como o lançamento da campanha, objetivando reduzir o índice de violência na cidade, que conta também com a participação de representantes dos veículos de comunicação, deve receber pleno apoio de cada cidadão desse município que compreende, diferentemente de alguns, que a violência cresce a cada dia. Sob minha maneira de analisar, trata-se de dois tipos de violência, uma consequência da outra, e esta consequência consegue ser em relação a essa outra, muito mais perversa e brutal.
Vivemos a violência política, essa marcada pela imoralidade e total falta de honestidade. Na medida em que aqueles que nós elegemos para nos representar assaltam os cofres públicos, desmantelam o patrimônio público, concebem pesados benefícios financeiros e fiscais para instalação de empresas com a justificativa nada convincente de gerar empregos e incentivar novos empreendimentos, impedem a organização e participação popular, e são ainda omissos perante grandes questões sociais etc.
Isso gera, em consequência e simultaneamente, outro tipo de violência que consegue ser ainda mais perversa e brutal, pois desestrutura a sociedade, provocando principalmente nas classes menos abastadas, instabilidade e decadência constante das necessidades básicas que garantem a sobrevivência humana e formação do indivíduo como cidadão. Sendo ausentes para o cidadão e sua família, conduz este para a marginalidade, a criminalidade, para o desespero, e assim, estão instauradas as duas violências, a política e a social.
- ANDERSON MARCELO CHOUCINO, distrito da Warta
Correção Diferentemente do que foi publicado no título da notícia principal da página 2, e na chamada de capa da Folha Economia de ontem, a desigualdade social no País está inalterada desde 1977, como informa o texto.
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