O leitor escreve
Doação de órgãos
Voltar à vida normal. Uma possibilidade que muita gente teria se houvesse mais pessoas e famílias como a do jovem Emerson Scherten, que ao perder um membro querido, mesmo num momento de tristeza e dor, ainda conseguem pensar no próximo, atender aos pedidos dos que necessitam, numa atitude de extrema grandeza, um benefício ainda maior para pessoas que nem sequer conheciam o Emerson, mas que com certeza jamais o esquecerão.
Foi um ato de amor ao próximo. Uma lição de vida para todos nós que vivemos na correria do dia-a-dia, que também não conhecíamos o Emerson, mas que conhecemos e estamos próximos dos receptores dos seus órgãos. Na alegria estampada nas pessoas, familiares e amigos dos beneficiados, pode se dizer com toda convicção que vale a pena.
Vale a pena trazer à vida normal pessoas como o José Batista Lemes, o Zé Sardinha, que perdeu a visão trabalhando, defendendo o sustento de sua família. Nós que conhecemos os receptores, juntamente com seus familiares, devemos reforçar a campanha para doações, devemos formar uma corrente com elos fortes que se multipliquem a cada doação. Neste caso especificamente serão muitos beneficiados, poderão chegar a trinta pessoas, trinta famílias, trinta novas vidas.
- NILSON MENEZES, vereador, Astorga
Criança
Não se pode negar e tampouco ocultar as necessidades vividas pelas nossas crianças. Eu, por ser uma delas, sinto o coração partir quando vejo crianças trabalhando, lutando pela sua sobrevivência, vivendo em uma vida de desgraça, miséria e abandono. Sinto que tenho de fazer algo por elas, mas me vejo como um pequeno grão no meio de uma imensa floresta. Esse é um problema que só os responsáveis pelo meu Brasil podem resolver, mas é lamentável o descaso que essas pessoas têm conosco, as crianças.
Senhores governantes, aqui vai o apelo de uma criança: cumpram as metas ligadas aos nossos interesses. Dêem prioridade aos nossos direitos como pequenos cidadãos que futuramente teremos oportunidade de ser pessoas dignas e úteis para nosso país.
Ser criança significa viver feliz. Sentir a cada momento o prazer de ser criança. Para chegar a esse ponto, muito chão precisa ser percorrido. Falta dar a todos dignidade, respeito, compreensão, dedicação e principalmente direito à educação.
- ANA RACHEL B. MORAIS GOMES, Brasília
Depredação
A respeito da reportagem Estudantes depredam escola em Ponta Grossa publicada na última terça-feira: participei do evento e fui um dos líderes da bancada. Repudio a generalização desta reportagem, tendo em vista que os jornalistas não foram fotografar ou ao menos observar o estado total de conservação da escola. A sala em que pernoitamos manteve-se em perfeitas condições, limpa, arrumada e em total e plena ordem, constatando-se assim, que não havia somente animais conforme o absurdo relato genérico.
Havia estudantes de caráter que correram os mesmos riscos que as demais pessoas do bairro e da cercania correram. Dessa forma, indignado, em nome de toda a minha delegação com esta afronta à nossa conduta de estudantes e militantes, tendo certeza de que tudo começou com provocações e apedrejamento da escola por parte de alguns santos do bairro, tentando e às vezes conseguindo atingir e ferir alguns dos demônios que ali estavam alojados, concluo com o seguinte pedido: problemas ocorreram mas vejo que a imprensa deve informar-se mais sobre os fatos para depois apedrejar jovens inocentes injustamente, misturando-os a outros que merecem este tipo de reverência e tratamento.
- FÁBIO LEONEL DE OLIVEIRA BUENO, Arapoti
NR. A Folha mantém a informação, publicada em Folha Curitiba e esclarece que não rotulou os estudantes de animais; os fatos foram relatados por uma vizinha da Escola Prefeito Othon Mader, em Ponta Grossa, onde se deu a ocorrência; na oportunidade, estudantes, organizadores do evento e representantes da União Paranaense de Estudantes Secundaristas (Upes) não quiseram se manifestar.
Horário de verão
FHC prometeu enterrar a Era Vargas, uma tarefa difícil, pois muitos traços desse período remontam ao Império e ao Brasil Colonial. Lembro-me de que a ditadura nos obrigava, como alunos de escolas públicas, a desfilar vários dias durante a Semana da Pátria, cantando hinos, incluindo o Viva o Estado Novo do Brasil, assim como a ouvir discursos políticos intermináveis, parados e tiritando de frio. Um fato que jamais esquecerei foi quando Getúlio Vargas, falando de Ponta Grossa, dirigia-se à Nação e nós crianças enchíamos a praça, ali permanecendo atentos, sob a vigilância severa das professoras, ouvindo tudo sem nada entender. Desse dia, o que ficou na minha memória foi o gesto estranho de um negro muito alto, que ficava logo atrás do presidente, penteando os poucos cabelos de Vargas, desmanchado pelo vento. Esse é o traço cultural que dificilmente será enterrado. É o traço da alienação.
O político brasileiro fala e age por cima da cabeça das pessoas, dirigindo-se a uma nação fictícia que cria em sua mente. Crianças roxas de frio, mal alimentadas, magras e fisicamente abatidas, marchavam ao ritmo dos tambores no Dia da Raça. Tosse e espirro era o que mais se ouvia nessas manhãs frias do Sul. A ordem era usar calção e camiseta de regata, não importa qual fosse a temperatura. Ninguém de bom senso tinha coragem de denunciar tamanha imbecilidade. Afinal, vivíamos sob a branda ditadura de Vargas. E agora: institui-se de Brasília o horário de verão, cada vez mais antes do verão. E esquecem de que o clima do País, as pessoas, assim como os horários a ser cumpridos, são variados.
- EDUARDO JOSÉ DAROS, São Paulo
Previdência
O governo FHC perdeu mais uma no último dia 30, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional a cobrança de contribuição à Previdência Social dos servidores públicos inativos e o aumento progressivo da alíquota para os servidores da ativa. Estas mudanças faziam parte do compromisso assumido por FHC com o FMI para ajustar as contas do governo, baseado no aumento de impostos. Esse tipo de compromisso com o FMI repercute desfavoravelmente ao trabalhador. Tornou-se praxe de Fernando Henrique em onerar cada vez mais a população, uma situação insustentável para o povo, que está sob um jugo insuportável e injusto.
A ação foi ajuizada no STF pela Ordem dos Advogados do Brasil. O governo não se conformou com a derrota, já está encaminhando ao Congresso projeto de lei que visa aumento de contribuição dos servidores da ativa, aumentando a alíquota de 11% (atual) para 14%. Este é mais um exemplo pragmático de FHC, colocando insistentemente a culpa nos trabalhadores pela desordem nas contas públicas.
- ANTONIO CARLOS DE MELO, Porecatu
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