Roberto Campos
‘‘A burrice, no Brasil, tem um passado glorioso e um futuro promissor.’’ A frase paradoxal e aparentemente bonita, publicada na Folha, é do político e escritor Roberto Campos, a quem tenho muito respeito e nenhuma admiração. Ele foi um agente ativo da revolução de 64; um braço direito da ditadura. Recebeu poderes e foi conivente com os feitos militares, entre os quais o exílio de muitas cabeças inteligentes.
Nesse desvio forçado do curso de nossa história, ele ajudou a construir novos e tortuosos caminhos. Fez empreendimentos e se omitiu diante dos Atos Institucionais. Agora cria frases de efeitos negativos, direcionados a um conjunto de pessoas do qual fez parte. Como político do Legislativo, foi um vencedor e honesto. Trabalhou também como ministro e, em ambas as funções, ele contribuiu para o preparo do solo brasileiro, para que hoje pudéssemos colher os frutos – a burrice – daquilo que ele mesmo ajudou a plantar. Contudo, hoje é um respeitável imortal da Academia Brasileira de Letras.
- NELSON ARAÚJO DE OLIVEIRA, Londrina
Campo Mourão
Vejamos duas notícias veiculadas pela Rede Globo há dias: ‘‘Incêndio destrói casa em Engenheiro Beltrão, região de Maringᒒ; ‘‘Quadrilha assalta carro-forte, na PR-317, próximo de Engenheiro Beltrão, região de Maringᒒ. Ora, o Paraná é dividido em várias regiões político-administrativas, sendo a Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão (Comcam), uma delas. A Comcam é composta de 25 municípios onde se inclui, para nosso orgulho, Engenheiro Beltrão. Pedimos, então, que a Rede Globo respeite a divulgue corretamente as notícias, sob pena da informação de transformar em desinformação. Ou, então, de pensarmos que o erro é de propósito.
- DIRCEU JACOB DE SOUZA, Campo Mourão
Estádio do Café
Em cada uma das quatro pequenas edificações existentes no cimo das arquibancadas do Estádio do Café, em Londrina, há uma frase alusiva a Jesus Cristo não devidamente pontuada. Falta vírgula depois da palavra Jesus porque o artigo e o substantivo seguintes constituem aposto. O Estádio do Café vai passar por reformas, de acordo com as exigências da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), para realização dos Jogos Pré-Olímpicos. Nada mais oportuno para corrigir assim as frases citadas: ‘‘Jesus, a vida; Jesus, o caminho; Jesus, a verdade; Jesus, a solução’’.
Afinal, vamos receber a visita de muitas delegações estrangeiras, boa parte de elementos da imprensa do País e esportistas de várias regiões brasileiras que irão fatalmente observar, com a correção sugerida, que sabemos construir frases escritas corretamente. Espero que minha sugestão seja bem aceita por aqueles que irão ordenar os reparos do Estádio do Café.
- RUI BARBOSA DE CASTRO, Londrina
Energia barata
Solicitações de reajuste de tarifas de energia elétrica baseadas na desvalorização cambial não passam de uma forma dissimulada de reindexar este setor da economia. Caso o governo venha a sancionar tal atitude estará apenas beneficiando investidores estrangeiros que desejam remeter lucros para o exterior. Aliás, o Brasil bate recordes de remessa de lucros para o exterior, pressionando negativamente o resultado da balança de pagamentos; nunca mandamos tantos dólares para fora do País. Os investidores estrangeiros, proprietários das empresas do setor elétrico, devem ser ‘‘capitalistas’’, devem ‘‘acreditar na livre iniciativa’’ e acima de tudo devem saber ‘‘dos riscos do mercado’’.
Desta forma, ao investir no Brasil os seus dólares elas sabiam, ou deveriam saber, da possibilidade de uma desvalorização cambial afetar suas previsões de rentabilidade em dólares. Logo, não há por que o governo aceitar este tipo de pressão, onerando de modo inaceitável a sociedade, que na sua imensa maioria não tem receitas indexadas à moeda norte-americana. Aceitar esta argumentação para justificar tal reajuste nas tarifas seria outra demonstração de subserviência dos governantes brasileiros aos interesses do capital internacional e uma tremenda contradição em relação a um dos pilares do Plano Real: a desindexação. Chega de canalhices em nome do ‘‘mercado’’, que aliás parece estar precisando de uma faxina geral, pois o cheiro está ficando insuportável.
- ALEXANDRE BANNWART DE M. LIMA, economista, Londrina
Crianças
O Dia das Crianças se aproxima e com isso suscita uma reflexão sobre o sentido da infância, especialmente nestes tempos excessivamente pragmáticos, quando as crianças (assim como os idosos) não são tratados com a dignidade exigida pela condição natural destas etapas da vida. Tanto a criança quanto o idoso tornaram-se um problema na lógica do capitalismo selvagem. Por não serem consideradas forças produtivas – não propiciam lucro – ficam, de certa forma, marginalizados socialmente. Não há, enfim, a devida valorização como criaturas humanas que precisam receber maior atenção e carinho.
É muito comum os pais se queixarem dos filhos, dizendo que eles são um peso e que não sabem o que fazer para conter o grau de ansiedade. As crianças já são, desde cedo, inseridas a pensar como adultos, a ter de encarar a vida como um jogo, em que é preciso vencer ou vencer, tirando delas aquela naturalidade típica que as faz sonhar com um mundo mais fraterno e solidário. Esta cobrança, muito cedo para que se comportem como adultos, força a natureza e gera as aberrações que conhecemos, principalmente o aumento da agressividade.
Filhos tensos, alunos agressivos. Assim temos visto a infância e adolescência de hoje. É necessário uma mudança de mentalidade. Temos que buscar novas formas de humanização do capitalismo, para que não caminhemos para uma sociedade inteiramente artificial, onde imperem o medo e a insegurança, e desapareçam aqueles valores que nos tornam seres humanos efetivamente capazes de solidariedade.
- VALMOR BOLAN, sociólogo, São Caetano do Sul (SP)
CorreçãoAo contrário do que foi publicado na matéria ‘‘Transexuais buscam identidade’’, publicada no dia 3, em Folha Reportagem, o hipotálamo é uma região do cérebro, responsável pelo controle de várias funções orgânicas, principalmente aquelas de caráter involuntário. Entre estas está a saciedade, incluindo a do apetite sexual.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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