Bebedeira




A respeito do artigo ‘‘Bebedeiras, a paixão nacional número 1!’’ de Renzo Sansoni, publicado dia 1º: aí está uma verdade muito bem colocada, mas os fabricantes e a propaganda não devem levar toda a culpa, porque o que eles fazem, é atrair novos consumidores para a sua marca. O que faz as pessoas se viciarem no álcool, é o mesmo motivo que o faz se drogarem e se prostituírem: a falta de Deus no coração.
Como é que a pessoa começa a beber? A curiosidade surge na adolescência e a maioria sempre diz: ‘‘Todo mundo bebe’’, ‘‘é moderno’’, ‘‘ser pra frente’’. No início é amargo, mas tem que aprender pra ficar na onda. No segundo momento, é para ficar alegre, corajoso, ser social, e já não é tão amargo. No terceiro momento, o gosto é suave, e já não se fica sem ela. Todo alcoólatra tem a sua história, mas todos e quaisquer argumentos que possam apresentar, vão levar à conclusão de que foi para preencher o vazio do coração. Vazio esse que só Deus pode preencher. Certa vez alguém indagou sobre o tamanho de Deus. E a resposta foi: ‘‘Deus é do tamanho do vazio do seu coração’’.
- IRINEU MANOEL PEREIRA, Londrina
Oportunidades
O Paraná tem sido apontado como um dos grandes cenários de oportunidades no Brasil, por causa da industrialização, dos investimentos, da mudança no perfil populacional, pela qualidade de vida. E no mercado publicitário? Parece que falamos de outro Paraná. Os tradicionais anunciantes locais foram varridos ou comprados, dando lugar a empresas e empresários sem nenhum vínculo local, e com seus próprios fornecedores. As empresas remanescentes estão vivendo uma corrida desenfreada contra o tempo para sobreviver. A timidez do empresário paranaense, com raras exceções, teve um reflexo cruel na forma de perda de mercado, invadido e tomado.
O mercado publicitário paranaense está estimado em US$ 450 milhões (antes da explosão do dólar). Isto representa quase 1% do PIB no Estado, o que é pouco se comparado com a média do investimento brasileiro, que ultrapassa 1,5%. Esta defasagem costuma ser atribuída ao perfil da economia paranaense, baseada em atividades primárias e em indústrias de base, tradicionalmente não anunciantes. Não é bem assim: se pegarmos São Paulo como exemplo, 95,18% da composição do PIB é representada pelo segmento indústria e serviços. No Paraná, não é tão diferente. Estes dois segmentos representam 86,47% da divisão do PIB do Estado.
Significa que se despertarmos nossas empresas de serviços para a importância da comunicação, a importância do fortalecimento e criação de marcas fortes como valor intangível e como uma barreira de proteção mercadológica, poderemos crescer em pelo menos 50%. Existem grandes oportunidades nesta renovação industrial que atinge o Paraná e no movimento de interiorização que o Brasil experimenta.
Oportunidades se formam de toda uma gama de novos serviços de comunicação. Isso, falando só do Paraná. E se rompermos a tradicional timidez e formos buscar mercado em outros Estados? Não adianta culpar HSBC, Renault, Electrolux, Parmalat e Boticário pelo que está acontecendo, e nem ficar lembrando com saudade de HM, Cimo, Pinheiro, Prosdócimo e tantos outros. As oportunidades estão aí, tanto pra chorar quanto para vender lenço.
- GILBERTO KRIEGER, publicitário, Curitiba
Falta de vergonha
Foi mesmo um tanto quanto hilária a notícia que li na Folha em que o assaltado reagiu ao assaltante e o feriu. O assaltante foi para o hospital e o assaltado foi para a cadeia. O que eles queriam? Que a vítima aceitasse o roubo e depois fosse registrar o roubo em um distrito policial? Só se for isso que a lei manda. Que lei, hein? Um marginal com passagem pela polícia é tratado como cidadão especial, e o trabalhador ganha casa, comida, roupa lavada e até ‘‘grade na janela’’.
- MÁRCIO DICESAR BENASSI, Sertanópolis
Falta de vergonha
Quando li a notícia ‘‘Brasil liderou captação de recursos internacionais; e Equador declara moratória parcial’’, imaginei a cara de ‘‘bobos e contentes’’ dos magnatas do poder. Dirigidos pela insensibilidade na área social, técnicos e burocratas só enxergam cifrões à sua frente, e o governo comemora tal entrada de recursos com ar de quem viu o Eldorado prometido. É lastimável a que ponto chegou a miopia e que está fazendo desta Nação muito mais escrava do que já o foi sob o domínio lusitano.
Naquela época, Portugal vinha aqui, tirava o ouro do nosso solo, violentava nossos índios, escravizava toda a Nação, e minava a pequena resistência existente. Agora não, ao invés de sermos estuprados em nossa soberania, convidamos os ladrões do FMI e das multinacionais a entrar, tomar um cafezinho, servimos-lhe suco de nossas frutas melhores, e ainda pedimos desculpas pela qualidade das mesmas; para que eles abarrotem nossa Bolsa de Valores com seus recursos, acariciamos seus egos que vivem só à custa dos ‘‘tapinhas nas costas e dos juros que recebem aqui dentro’’, para depois amargarmos a sua retirada do mercado, buscando outros idiotas no mundo para engodar, deixando-nos sem reservas próprias e sem dignidade que nos motive para o dia-a-dia.
Enquanto isso, o povo passa fome, nossa gente morre nas filas dos hospitais, nosso salário não existe em termos de dignidade, somos taxados em tudo o que compramos, vestimo-nos como palhaços para ver o rei passar na rua com a vestimenta da violência que nos é imposta, e ainda batemos palmas para as suas atitudes.
- LUIZ EDGARD BUENO, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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