Aeroporto
Em nota à pagina 4 do Caderno Londrina da Folha do dia 22, houve um lapso no texto ‘‘Reconhecimento público’’ que acho oportuno esclarecer. A notícia fala sobre o trabalho do homenageado, Antônio Justo Filho, que desde 1959 trabalha como carregador de malas no ‘‘Aeroporto Santos Dumont’’ em Londrina. O nosso aeroporto se chama Aeroporto de Londrina, em obediência à Lei nº 1909 de 21 de julho de 1953 que em seu Artigo 1º diz: ‘‘Os aeroportos brasileiros terão em geral a denominação das próprias cidades, vilas, ou povoados em que se encontram, declarando-se a posição norte, sul, leste ou oeste, quando houver mais de um na localidade’’.
Conheço este fato porque há seis anos sugeri através do deputado Luiz Carlos Hauly, em Brasília, que o nosso aeroporto tivesse o nome do comandante João Ribeiro de Barros em homenagem àquele brasileiro que em 1927 fez a primeira travessia do Atlântico junto com mais três companheiros a bordo do hidroavião Jahú. Ele cobriu de glória o nosso País sendo o fato reconhecido mundialmente; infelizmente, porém, esse reconhecimento está esquecido nas gavetas de nossa história e seu avião se deteriorando no Museu de Aeronáutica no Parque Ibirapuera em São Paulo.
Minha idéia e vontade não se concretizaram apesar de ser aprovado em várias comissões da Câmara, porque o parecer final das autoridades da Aeronáutica foi de que seria problemático acrescentar um nome ao Aeroporto de Londrina levando esta mudança à necessidade de alteração das cartas de navegação aérea. Quanto a homenagem a Antonio Justo Filho (Índio), considero um ato de merecida justiça porque o conheço há muitos anos exercendo sempre com dignidade seu humilde, mas, relevante trabalho.
- ALCEU SERPA FERRAZ, Londrina
Academia de Letras
A Folha noticiou a eleição de Roberto Campos na Academia Brasileira de Letras (ABL), e que gerou profunda polêmica. Sem dúvida Campos é um intelectual, mas profundamente identificado com forças de direita-radical, motivando reações e mobilizações extra-academia de forças externas e identificadas com ranços de poder.
Quando fui escolhido pela Academia de Letras do Banco do Brasil, sediada no Rio de Janeiro, há muito observava – não em todos os seus membros – mas na postura de dirigentes, o desejo de agradar autoridades políticas, visando angariar poder, que corrompe o objetivo maior destas instituições. Nunca fui a favor desta intromissão e passividade acadêmica, tentando mostrar serviço através de figuras da política ou da economia e todo o puxa-saquismo, desvirtuando finalidades.
Aliás, a maior função das academias deveria ser o de ir ao encontro da população, trazendo até ela os talentos que seus integrantes receberam de Deus, seja na escrita, no jornalismo, nas artes, e na maior das qualidades, o de poder educar, ensinar, e manter o nosso próximo com qualidade de vida melhor.
Não aceitaram este meu posicionamento aberto naquela academia. Resultado: pedi demissão. Academias devem se tornar centros de ajuda para a comunidade, em todas as áreas possíveis, visto que lá se dizem estar os melhores cérebros, que na realidade nada têm de melhor, quando não amam em verdade aos seus semelhantes.
- LUIZ EDGARD BUENO, Londrina
Brasil
Estamos próximos ao aniversário de 500 anos do descobrimento do Brasil. Meio milênio de existência e pouco para festejar. A imagem dessa extensão de identidade, projetada ao povo pela versão dos meios de comunicação é falsa e não corresponde à verdade. A situação real do Brasil e de seu povo é desesperadora. Nestes 500 anos, como resultado, o Brasil colhe os frutos de sua falta de investimento na educação de seu povo. Daí o distanciamento cultural, econômico etc., dos países considerados de primeiro mundo e essa dependência inadmitida.
Necessariamente não foi o analfabetismo que travou o seu desenvolvimento, mas sim a materialização da mente e substituição dos valores fundamentais da nossa sociedade. Hoje, como sempre, as promessas são de que para o próximo ano as coisas serão melhores. Oh! 500 anos! Terra onde a inversão de conceitos é uma constante e no campo dos costumes os valores ficam sem sentido, sem razão. A corrida pelo dinheiro é como o rolo compressor, destrói todos os conceitos básicos do ser humano transformando os sonhos de felicidade numa acumulação de bens materiais.
Para que investir em cultura neste país dos 500 anos, se para ser reconhecido é preciso tão-somente ser um radialista, um apresentador de TV, cantor sertanejo, pagodeiro ou ter uma bunda bem-feita? Se o Brasil dos 500 anos não estiver ‘‘legal’’ e faltar segurança, é muito simples: eles, os importantes, vão morar nos Estados Unidos. A verdade do Brasil é uma só, queiram ou não. A distância entre identidade do Brasil 500 anos, como país atrasado, mal governado, com o povo pobre, com má distribuição de renda, endividado etc. e a imagem que está sendo projetada é muito grande e pouco se tem para comemorar.
- JOSÉ CARLOS SIMIONI, Ribeirão Claro
Bancários
O presidente da Fenaban, Roberto Setúbal, que é também proprietário do Banco Itaú, alegou categoricamente que os bancários pertencem à classe de elite. Acho que está havendo um grande equívoco. A grande elite são os banqueiros, porque para pertencer à elite é necessário dinheiro, a exemplo de seu banco, que obteve o lucro de mais de R$ 1 bilhão no primeiro semestre deste ano. Às vésperas do dissídio coletivo da categoria bancária, Setúbal disse não à garantia de emprego e ao reajuste dos salários pelo Índice do Custo de Vida (ICV) medido pelo Dieese.
A postura estratégica dos banqueiros é redução de direitos dos bancários. Setúbal não concorda com jornada de seis horas e sugere flexibilização de direitos, identificando-se com a linguagem de Francisco Dornelles, ministro do Trabalho que em síntese corta direitos e benefícios da categoria. O objetivo da luta dos Sindicatos dos Bancários é diminuir a jornada de trabalho da categoria, em contrapartida à ampliação do horário de atendimento nos bancos, possibilitando criação de dois turnos de trabalho. Obtendo maior produtividade, melhor atendimento ao público e geração de mais empregos nos bancos, automaticamente com bons resultados para bancários e banqueiros.
- ANTONIO CARLOS DE MELO, Porecatu
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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