Hora de mudar
Com o crescimento da população nos centros urbanos, aumenta significativamente a necessidade de investimentos sociais. Com os recursos escassos, fica difícil administrar. Como sugestão, acredito que deveria acabar o egoísmo público, e chamar a iniciativa privada para compor parcerias. Praticamente todos os segmentos comportam parcerias. É só usar a criatividade. Um exemplo, que poderia ter sido feito tempos atrás, seria uma passarela para pedestres no trecho Cambé-Londrina, onde a população manifestou-se, pedindo e conseguindo quebra-molas.
Obras públicas em troca de publicidade podem ser uma boa sugestão. Praças públicas, totalmente revitalizadas e administradas pela iniciativa privada, sem custo para o município, em
troca de exclusividade na propaganda. As grandes empresas gastam verdadeiras fortunas na mídia. Por que não o fariam em benefício da população? Coleta de lixo terceirizada a empresas que teriam usina de reciclagem, com matéria-prima gratuita, bastando coletá-la. E, como incentivo, teriam benefícios nos impostos e publicidade nos caminhões coletores. E, para a administração pública, um serviço de coleta de lixo sem custo e, também, com uma grande preocupação a menos: os aterros sanitários. As estradas municipais poderiam ser
conservadas e até asfaltadas com recursos da iniciativa privada, como empresas de fertilizantes, sementes, agrotóxicos, em troca de uso das margens das estradas em propaganda. Outras atividades, como melhor aproveitamento do gás metano, do sistema de esgotos, energia solar e
tantas outras são viáveis. É só deixar
a iniciativa privada começar.
- JOSÉ TKACZUK JÚNIOR, Rolândia
Escola do silêncio
Éfeta!... disse Jesus aos surdos que, naquela época, clamavam por milagres. Isto é, Abra-te! ‘‘Abra os teus ouvidos, abra a tua boca!’ Hoje, diria muito mais: ‘‘Abra o teu coração e exercite o amor ao próximo. Pratique a solidariedade aos necessitados!’ É o que nunca faltou ao casal Rosalina e Odésio Franciscon, numa incessante demonstração do ‘Ideal de servir’. A centelha divina iluminou-lhes ao assumir, em 1959, a alfabetização de crianças portadoras de deficiência auditiva. Nascia o Instituto Londrinense de Educação para Surdos. Não se imaginava a incidência do problema. A grande maioria era oriunda de camadas sócio-econômicas mais baixas. Diversos municípios vizinhos enviavam seus pequenos na busca de um aprendizado, até então sem especialistas. Muito se fez. As pesquisas se aprofundaram. Hoje lá se vão 38 anos. Pelo ILES já passaram aproximadamente 700 alunos, que foram reabilitados com uma excelente alfabetização, comunicação básica e encaminhados à continuidade dos estudos ou à profissionalização. Como um dos exemplos, a estimada Cleusa, que hoje leciona ao lado de seus ex-professores. Muitos já são pais de família, alguns até avós.
- FÉLIX RIBEIRO, Londrina
Solidariedade
Fiquei profundamente feliz quando li, em reportagem da ‘‘Folha de Londrina’’, que José Leite, vigilante do Banco do Brasil baleado em assalto, havia iniciado tratamento fisioterápico oferecido pelo fisioterapeuta Nelson Shirabe e que já começava a sentir sensíveis resultados. Feliz por saber que José, jovem, com filhas pequenas, com uma vida pela frente, estava conseguindo gradativamente superar os obstáculos que o acidente lhe impôs, também por saber que nesta mesma sociedade violenta alguém se sensibilizou e deu-lhe nova oportunidade.
Solidariedade é a palavra mágica, que pode, num simples gesto, devolver a alegria de viver e a esperança muitas vezes já perdida. O gesto do fisioterapeuta não é isolado. Muitos profissionais reservam um pouco do seu tempo para este tipo de doação, mas ainda é muito pouco. Ninguém deve esperar ser chamado. Deve se oferecer, se engajar em grupos comunitários e igrejas que também prestam este tipo de solidariedade. O maior beneficiado será a própria pessoa, pois nada mais gratificante do que saber que o pouco que se faz é muito para quem necessita. Coragem, José. Torcemos por você.
- MARINILCE FERREIRA DOS SANTOS, Londrina
CORREÇÃO
Mensagem de congratulações publicada ontem, sob o título ‘Folha, Ano 45’, continha uma incorreção. Na verdade, a Folha está completando 49 anos de atividade, pois começou a circular em 1948. Os 45 anos se referem à circulação diária do jornal.

mockup