Ratinho
Ratinho é o maior fenômeno de massa da última década. Polêmico, ousado, carismático, original e porque não dizer um ‘‘gato’’ que abocanha a burguesia que se enrosca no controle remoto, e pasmem: justamente no ‘‘Programa do Ratinho’’. Fala a linguagem do povo e arrisca palpites proféticos para milhões de brasileiros que ouvem atentamente sua ‘‘vérvia’’, como o grande defensor dessa gente sofrida, humilhada, usada e espoliada.
Grande Ratinho! A crítica tem lá seus julgamentos diante da sua retórica. Os menos adeptos chamam-no de demagogo. Como pode a demagogia estar na frente e atrás das câmara ao mesmo tempo, e tão próximo à realidade que vivemos? Por que a tragédia, a dor, a miséria nos atraem tanto? Por que falar em traição, letígios e DNAs incomoda tanto os contrários? Defender o povo dá ibope?
Sim, tanto quanto as cenas de sexo na novela, o clássico Palmeiras X Corinthians, o enterro de Ayrton Senna, o ‘‘Jornal Nacional’’ e muitos outros, onde as virtudes, os defeitos e o sentimento do ser humano se interagem. Quem tem medo do Ratinho? Seriam os mesmos que têm dificuldade em aceitar os que se comunicam sem artificialidade, os que tocam na raiz dos problemas, os que fazem a história do povo na linguagem do povo? Que diriam eles de um Chacrinha jogando bacalhau na platéia, do Jânio Quadros no célebre ‘‘fi-lo porque qui-lo’’, de um Getúlio Vargas arrastando multidões? Cavoucando um pouco mais, encontramos a resposta mais do que esperada: a poderosa elite, que sentada no seu trono vê o Ratinho com o olho direito e o crítica com o esquerdo! Ratinho incomoda e portanto cresce. Se cresce, tem crédito. Se tem crédito, tem ibope. Se tem ibope, tem povo. E como diz o poeta, ‘‘o artista deve ir onde o povo estᒒ.
- VALMOR BOLAN é doutor em Sociologia em São Caetano do Sul (SP)
Entendendo o Papa
Causaram-me admiração as declarações recentes do papa, segundo as quais céu e inferno não são ‘‘lugares físicos’’, mas estados de alma. O papa foi mais corajoso do que inovador: ele apagou o fogo do inferno, mas a situação continua quase inalterada. ‘‘Céu não é comida nem bebida, mas é justiça, paz e alegria no Espírito Santo’’ (Romanos 14,17). Não é comida nem bebida e nada do que pertence ao mundo cosmológico: o nosso mundo. ‘‘Paz e alegria’’, que é o que a Bíblia define como céu, é estado da pessoa, estado de espírito. Inferno já é a outra face da mesma moeda: ‘‘Tribulação e angústia espera todo aquele que pratica o mal’’ (Romanos 2,9). Também não se trata de lugar, são estados de alma.
Ele foi corajoso por se dispor a enfrentar ondas, até que as águas se acalmem de novo; e por servir de apoio embora apenas aparente, aos que reduzem a realidade global ao físico, e portanto, a este mundo apenas. O papa não negou porém, que, à semelhança do próprio Cristo, considerado primícia, todo fiel ultrapassará as condições físicas do seu próprio corpo, e estará integralmente no estado de felicidade, ou de desgraça eternas, no ‘‘último momento’’ ou no ‘‘último dia’’ como diz a Bíblia.
A Igreja precisa de teologia formal e profunda e precisa igualmente dos símbolos e imagens porque são também comunicação e que levam a pessoa à compreensão intuitiva de grandes realidades, muitas vezes inefáveis. Por outro lado, se alguém promete dar, por exemplo, mil dólares de presente, e acaba dando um barra de ouro de valor correspondente, não logrou e nem mentiu. É assim a imagem do fogo do inferno representado o sofrimento indizível dos que perderam a salvação.
- PADRE ALBINO DZIADZIO, Londrina
Chuva
Gostei da reportagem ‘‘Chuva de granizo assusta londrinenses’’ publicada dia 15. Só não gostei do acontecido. Uma das vítimas da chuva, o borracheiro Marcos Geraldo dos Santos, que está na reportagem, é um velho amigo meu. Servimos no quartel juntos, no ano de 1990, em Curitiba. Por isso, gostaria de usar esta coluna para dizer que queria estar a seu lado neste momento difícil, mas no momento não posso. Minha solidariedade a todas estas pessoas atingidas pela chuva.
- SÉRGIO PARZIANELLO, Ubatuba (SP)
Anjo
Flávio, nosso anjo Down, é um ser humano, tão puro, que pousou em forma de anjo em nossas vidas, permanecendo tão carinhoso, tão companheiro até os dias de hoje. Quando começa a semana, tudo é cronometrado de sentimentos e emoções, do café da manhã até o fim do dia. Quando sorri, as bochechas comprimem seus olhos azuis puxadinhos numa explosão de alegria. Quando fala, espera sempre ser entendido, respira fundo, explica o que quer, o que gosta.
Quando abraça, envolve com calor e passa o pulsar de seu coração e o perfume de sua inocência. Uma paz muito grande. As suas mãos gordinhas, são duas batutas numa orquestra da vida entoando uma canção de união entre todos. Quando passou por perdas familiares, fez das nossas lágrimas esperança em forma de sorriso, nas palavras de conforto que dizia do fundo de sua alma.
Só pára o tempo quando fica doente, mas se entrega numa nostalgia de remédios e quando o corpo reage, volta logo a sua completa rotina. Agradeço a Deus por ter nos dado este anjo Down, tão diferente e especial que convive conosco em forma de oração alegre, protegendo-nos e nos ensinando a amar de uma forma pura e confiante.
- ROSEMARY FERREIRA C. MEZZADRI, professora, Londrina
Trânsito
Moro no Canadá, mas tenho um grande amor pelo Brasil. Porém, acho que o Brasil precisa ser mais rígido em relação ao trânsito. O carro não é apenas uma máquina necessária, mas também uma máquina que mata – e a maioria dos brasileiros não enxerga isso! A maioria dos brasileiros não sabe dirigir. Aqui na América do Norte, as primeiras lições de trânsito começam desde os primeiros anos de escola.
Cada dia uma quantidade de alunos usa um colete amarelo e com uma bandeirinha na mão, ordena o trânsito antes e depois da aula. Isto é supervisionado por um adulto e os carros têm que parar para que os alunos possam atravessar. E quem comanda o tráfego são as crianças de colete amarelo. Claro que o trânsito não é totalmente fechado para os alunos. Isso é feito em frente as escolas. Com isso o futuro motorista já vai respeitando as leis desde dos tempos da escola. Espero que o nosso Brasil possa resolver este problema que continua fazendo tantas vítimas.
- RAQUEL MODESTO, Winnipeg (Canadá)
CORREÇÃO Por erro de edição, a primeira página da Folha de Londrina grafou ontem incorretamente o nome do novo presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), João Baptista Bortolotti.
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