Curso profissionalizante
Aparentemente o nosso governo resolveu, enfim, investir na educação. O Brasil inteiro está vendo a ótima propaganda que foi lançada na mídia sobre o novo curso profissionalizante. Agora sim os estudantes serão preparados para o mercado de trabalho, agora sim haverá garantias de emprego. Quem vê a propaganda realmente acredita que ‘‘só agora’’ os cursos vão funcionar.
Não que alguém duvide das boas intenções do governo, provavelmente a idéia seja mesmo melhorar o ensino médio e preparar um melhor profissional, mas existem alguns pontos que deveriam ser analisados com um maior interesse. Um deles diz respeito a carga horária, os cursos com duração de quatro anos, foram diminuídos para apenas dois. Incrível, o curso diminui pela metade e a qualidade do ensino dobra, a grade curricular é menor, mas a capacidade profissional dos alunos que irão se formar será maior do que a dos que formaram-se anteriormente.
O engraçado é que estes cursos, com todo esse aumento na qualidade de ensino, desapareceram dos colégios estaduais. Com a alegação de que os mesmos deixavam a desejar, o governo os extinguiu e solicitou que os colégios reapresentassem novas propostas, mas até o momento nenhum deles conseguiu a ‘‘autorização’’ para ministrá-los, alguns estabelecimentos já apresentaram ‘‘13’’ propostas diferentes para um único curso, e todas foram devolvidas e solicitados novos reparos, os professores responsáveis pelas mesmas estão esperando ‘‘sentados’’ mais uma resposta do governo.
Mas, se os colégios estaduais não têm autorização para ministrar os cursos, onde estão estes cursos profissionalizantes? Nas escolas particulares. Lá os cursos foram aprovados desde o ano passado e funcionando perfeitamente, os alunos já estão estudando, e é claro, pagando. Nada contra os cursos serem ministrados em escolas particulares, mas como é que fica quem não tem condições de pagar uma escola particular e busca no curso profissionalizante uma chance de competir no mercado de trabalho? Fica na mesma situação em que estão os professores estaduais, esperando ‘‘sentados’’ que o governo e o Ministério da Educação decidam o que fazer. É triste, mas a realidade do Brasil é que quem pode mais, decididamente, chora menos.
- FRANCIELLE ROMAN, estudante, Cascavel
Calote abençoado
O bispo de Jales (SP), D. Luiz Demétrio Valentini, lançou a proposta de um plebiscito nacional para decidir se o País deve ou não pagar a sua dívida externa. É interessante observar que a dívida externa não é grande e os juros internacionais são baixos. O grande problema é nossa dívida interna, cujo montante é astronômico e os juros elevadíssimos. Se o seu objetivo é gerar o caos econômico, social e político, nada melhor do que fazer um plebiscito completo, incluindo a dívida interna também. E não esquecendo de convidar o ex-presidente Collor e Dona Zélia (aquela que congelou nossas poupanças), para liderar o processo, dada sua experiência no assunto.
Como parte das comemorações de 500 anos de presença no Brasil, não está na hora da Igreja Católica avaliar o seu papel no desenvolvimento de valores cristãos na sociedade brasileira predominantemente católica? E retomar sua responsabilidade de catequese, que até hoje não concluiu? Ilustre bispo de Jales, deixe a César o que é de César, e não use o seu merecido prestígio como líder religioso para dar palpite errado em assunto que não entende.
- EDUARDO JOSÉ DAROS, São Paulo (SP)
Violência
Londrina vive dias de agonia diante dos homicídios ocorridos na última semana: latrocínios, brigas de bar, vingança, menores armados. A imprensa e os políticos apelam por mais segurança. Vislumbram na Polícia – numa suposta falta de contingente ou planejamento – a causa da insegurança vivida nos últimos dias. A solução, segundo estes segmentos, está na otimização da atuação das Polícias Civil e Militar do Paraná.
Aumentar o efetivo das Polícias, com o devido aparelhamento (carros, armas, comunicação) e o apoio necessário (treinamento, combustível, munições), é uma medida que ‘‘combate’’ somente o resultado (e com altos custos) de um problema extremamente complexo, que é a segurança pública. E ainda por cima, a solução pretendida fica longe de atuar contra as causas desse flagelo social.
A sociedade/comunidade não pode aceitar apenas a resolução de consequências (que sempre fica na aparência, com resultados passageiros); temos que iniciar imediatamente o combate de causas da violência. A solução é extremamente simples: investir em educação. Não se trata de criar mais salas de aula ou simplesmente contratar mais professores. As crianças não ficam nem nas salas de aula existentes. São compelidos pelos próprios pais a sair para as ruas a conseguir algum dinheiro. Deixam de ser crianças e passam a ser denominados ‘‘menores de rua’’.
Com pouco dinheiro e muita criatividade, o problema pode ser minorado e com resultados magníficos. Um exemplo é a Escola-Oficina Pestalozzi, uma ONG que atende 280 crianças carentes nos bairros Franciscato, Perobal e região, em Londrina, complementando a atividade regular no ensino público com oficinas de padaria, corte e costura, cabeleireiro etc. O custo com cada criança é de R$ 20,00. Tal experiência é apenas uma das várias iniciativas que a comunidade pode engendrar com muita eficiência. A solução, portanto, existe e está ao nosso alcance. Pense nisso: reclame do Estado, é um direito e uma obrigação; mas, faça também a sua parte.
- BRUNO DE OLIVEIRA, Londrina
Socorro
Com todo o respeito aos irmãos paraguaios, aqui não cabe priorizar o fato da brasileira e londrinense Rosemary Garcia Pereira ter sobre si um crime cometido por possível ingenuidade no vizinho Paraguai (NR. Rosemary foi presa há três anos sob a acusação de tráfico de drogas). O que está evidenciado é que uma brasileira vem reiteradamente clamando por socorro, vem sendo torturada e pode morrer em uma prisão paraguaia. E isto com pleno conhecimento das autoridades brasileiras.
Porventura não terá o corpo diplomático brasileiro condições para negociar com o país vizinho e resgatar uma brasileira? É uma cidadã que pede ajuda ao seu país para que aqui ela preste conta de suas faltas. Ela está aterrorizada. Diplomatas brasileiros, precisamos mostrar nossa importância e nossa dignidade. Tomem uma atitude definitiva antes que o pior aconteça.
Situações embaraçosas podem ocorrer com qualquer brasileiro em qualquer outro país. Aí então, só restará buscar o colo da Pátria, o conforto. Se houver contas compreensíveis, aqui elas serão ajustadas, e se preciso, pagas. Afinal, a praia de muitos paraguaios é a nossa praia.
- ANTÔNIO FUNFAS NETO, médico, Londrina
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