O leitor escreve
Nota de protesto
A Associação Nacional de Jornais - ANJ protesta com veemência contra agressão a jornalistas, que devem ter a garantia do livre exercício do seu trabalho, cumprindo a missão de levar informação à sociedade. Choques em manifestações de rua, como os ocorridos no Rio de Janeiro nos últimos dias, que deixaram o lamentável saldo de oito profissionais da imprensa feridos, constituem fato que não se coaduna com o momento democrático que vive o Brasil.
Cabe à ANJ, segundo o artigo 2º do seu Código de Ética, sustentar a liberdade de expressão, o funcionamento sem restrições da imprensa e o livre exercício da profissão e, de acordo com o artigo 3º, apurar e publicar a verdade dos fatos de interesse público, não admitindo que sobre eles prevaleçam quaisquer interesses. Assim sendo, a ANJ defende a livre expressão do pensamento, com a pluralidade que caracteriza o debate público, mas rejeita todas as formas de violência, mesmo que se trate de manifestar idéias, pois acredita que os processos de negociação e explicitação de pontos de vista podem ser feitos, sempre, de forma pacífica numa democracia. A ANJ solicita a colaboração de autoridades e da sociedade para que o trabalho dos jornalistas, em quaisquer circunstâncias, seja respeitado e exercido com liberdade.
- DEUSDEDITH AQUINO, diretor executivo da ANJ, Brasília
Golpe do gás
No dia 10 de abril, um moço de boa aparência, trajando macacão azul, apresentou-se em minha residência, portando folha de papel com várias anotações, dizendo estar fazendo um levantamento de botijões de gás liquefeito para a Ultragás, pediu para ver as condições do meu e alegou que este estava com o registro gasto, deixando escapar gás. Na ocasião, ofereceu um registro novo, por vinte reais, e, confiante, a pedido seu, entreguei-lhe meu talão de cheques para preenchimento. Assinei um, sem observar que o moço deixara um bom espaço em branco na linha destinada ao valor por extenso. Devolveu-me o talão juntamente com um recibo em que dava como emitente a Ultragás, com endereço na av. Higienópolis, nº 326, onde existe um consultório médico. Alguns dias após fui ao Banco do Brasil retirar um extrato de minha conta, nela constatando que o cheque nº 0114, de 10/04/97, havia sido debitado pelo valor de R$ 920, tendo sido pago a João Carlos Pedroso da Fonseca, que apresentou RG 19.637.663-4, no posto avançado da Receita Federal, onde mantenho conta-corrente. Nenhuma culpa cabe ao Banco ou à Ultragás, tendo esta carta o objetivo de alertar os incautos para modalidade de fraude, que deve estar tendo seguimento.
- ANTONIO CARLOS DA SILVEIRA NETO, Londrina
Culpados
A luta por uma divisão mais justa da terra fez mais uma vítima. Não foi a primeira. Será a última? Antes que se afirme quem é o culpado permita alguns questionamentos. Onde estava a Polícia Militar? Por que civis (jagunços ou não) foram executar o despejo das famílias acampadas? O que trabalhadores rurais fazem armados? Qual o motivador da morte de um ser humano? Onde estavam as lideranças da sociedade rural para orientar o arrendatário? Onde estava a direção do MST para conter os ânimos? Onde estava o INCRA que esperou haver morte para declarar a fazenda Borborema improdutiva? De que lado estará a justiça? A declaração de que a terra em questão é improdutiva (após a morte de uma pessoa ligada aos proprietários) pode ser um precedente perigoso. Uma coisa é certa. Como qualquer morte em conflitos no campo, os culpados devem ser punidos, seja lá quem for, pois título de propriedade, ou falta dele, não pode ser licença para matar. E ainda é preciso que a sociedade civil organizada encare que também faz parte do problema e busque formas alternativas e pacíficas para o drama da reforma agrária
- GLÁUDIO RENATO DE LIMA, diretor-presidente do SINDSERV
Correção
Em foto publicada na edição de hoje da coluna de Elisiê Peixoto, na Folha 2, o vice-presidente da Herbitécnica, José Antônio Fontes, é identificado incorretamente.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.





