O leitor escreve
Coquetel
A Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia) e o Projeto Reagir Grupo de Apoio a Soropositivos, vem através desta sociabilizar informações e posicionar-se contra a ameaça de corte nos orçamentos para aquisição de anti-retrovirais (o coquetel anti-Aids) indispensável para a sobrevivência de pessoas HIV+ e doentes de Aids. A razão para a falta de dinheiro para os medicamentos importados em até 50%, bem como ao programa de ajuste fiscal nos gastos públicos, acordado entre o governo brasileiro e as instituições financeiras internacionais, já levou ao corte de R$ 1 bilhão no orçamento da saúde e de outros milhões em outras áreas sociais. Mais de 170 mil doentes de Aids, diabetes e hemofilia atendidas pela rede pública de saúde poderão ficar sem medicamentos a partir de outubro de 1999.
É de se salientar que o acesso universal e gratuito aos medicamentos na rede de saúde pública, garantido pela Lei 9.313/96, já resultou na economia de R$ 200 milhões com internações e medicamentos para tratamentos de infecções oportunistas e principalmente na redução efetiva dos índices de mortalidade por Aids em nosso país. Desde que a terapia tríplice (também chamada de anti-retrovirais ou coquetel) começou a ser distribuída pelo Ministério da Saúde, no final de 1996, deixaram de ser feitas cerca de 47,3 mil internações hospitalares, reduzindo gastos com tratamento de doenças oportunistas, garantindo melhor qualidade de vida a 60 mil pacientes em tratamento no País, aumentando a sobrevida, resultando na economia de R$ 196 milhões para o Sistema Único de Saúde (SUS), dados do ano de 1999 da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em junho/99.
- PAULO WESLEY FACCIO, Londrina
Caminhoneiros
Sou esposa de um caminhoneiro. Um homem honesto e trabalhador. É por ele e por muitos iguais que faço este desabafo: o caminhoneiro autônomo está sendo crucificado por um sistema ou modelo econômico que este governo adotou, que privilegia grandes grupos econômicos, empresas multinacionais. E por outro lado permite que caminhoneiros se suicidem lentamente. Grande parte está falida. Sem dizer que chegam a dobrar as horas de trabalho, dormindo pouco e se alimentando mal. Eles estão indefesos diante da solitária profissão e distâncias que percorrem em rodovias precárias. São acusados de destruírem estradas que nunca receberam a devida conservação. São considerados heróis do asfalto o que não serve de consolo. A realidade é outra. Na verdade, são burros de carga com sobrecarga de tributos.
- ELIANA SANTOS, Curitiba
Tubarão
A época em que o Londrina Esporte Clube era o terror dos adversários, chegando às finais do Brasileiro, está distante na memória, no apoio das autoridades e da comunidade, e já é chegada a hora de mudar-lhe o símbolo, o apelido de Tubarão e as motivações. Londrina impressiona: enquanto nos outros lugares cinemas estão fechando, aqui surgem novas salas. E o que acontece com o nosso futebol? Não existem aqui mesmo na região jogadores que nos honrem? Nossas autoridades ainda mantêm o estímulo para o time? E a iniciativa privada, o que está fazendo? O povo está muito descrente.
Penso no Élber, no Zequinha, no Ado, no Carlos Alberto, e em tantos outros craques que vestiram a camisa do Londrina com garra. Aí, por acaso me recordo que o ministro do Esporte é do Paraná, que Curitiba tem mais um estádio, bons times no Nacional, e o abandono que foi imposto ao grande LEC.
É claro, necessitamos de saúde, educação, moralização, mas que bom ter a oportunidade de assistir jogos no VGD ou no Café com o LEC, que sem a pompa de um passado, ainda guarde a garra dos pioneiros, dos desbravadores. E mais: por que foram tirar da sua camisa o símbolo do café, original? Qual o problema? Não foi o café e a terra roxa (que são da mesma cor após o fruto ser torrado) que levaram Londrina onde hoje está?
- LUIZ EDGARD BUENO, Londrina
Céu e inferno
Passo aos meus alunos das 27 turmas de Ensino Religioso da Escola Estadual Professor Léo Kohler, em Terra Boa, aquilo que profundamente estudei no Cetepar, durante o curso de especialização em Pedagogia Religiosa, quando vi claramente toda a simbologia bíblica. Quando o papa João Paulo II fez sua última afirmação sobre céu, inferno e purgatório, nem me surpreendeu, porque já nas minhas aulas, em sã consciência, sempre falo e afirmei aos alunos: o céu, o inferno, a gente constrói aqui e agora. Deus me deu o dom maior: a liberdade. Eu faço a cada segundo o meu céu interior ou meu inferno. Depende do meu viver. Com isso, explico melhor aos meus alunos a simbologia bíblica.
- MARIA ANA PEZZOTI BRAGATO, professora, Terra Boa
Independência (1)
A independência do Brasil está mais longe do que foi o sonho dos inconfidentes. Se a independência estava no topo das montanhas mineiras, vigiada pelos portugueses, hoje ela está no espaço orbital, vigiada pelos Estados Unidos, apoiados aqui, pelos Joaquins Silvérios dos Reis de nossa época, nos diversos segmentos de nossa sociedade. Na economia, os mandos e desmandos dos majoritários interesses estrangeiros. Na política, um vaidoso e um coronel esbanjam incompetência e autoritarismo. No ensino universitário, jovens de 18 a 24 anos: Brasil 3% x EUA 60%. Perdemos de longe. Não dá para competir. Morrerá a nossa geração, a geração de nossos filhos, e com certeza, a geração de nossos netos, e não se saberá o que é independência. Torçamos pela geração de nossos bisnetos. Se renascer neles o sonho dos inconfidentes, haverá então um país e um povo livres.
- LAFAYETE DOS SANTOS LUZ, Londrina
Independência (2)
Para que o País seja considerado independente, é necessário primeiro que o seu povo saiba o que é independência. Esse nível de consciência só será alcançado depois que tenhamos uma população suficientemente educada e esclarecida para obter tal discernimento. Sem educação, o povo terá apenas o pão e o circo, sem saber, ao menos, qual é qual.
- ROBERTO FERREIRA, Loanda
Independência (3)
O Brasil é um país independente politicamente. Mas esta é uma questão que vem sofrendo mudança de conceito ultimamente. Os países da comunidade européia já não podem considerar-se independentes. Com o Mercosul, o Brasil segue pelo mesmo caminho. Logo teremos leis únicas, moeda única. O mundo caminha para o rompimento de fronteiras. Ainda levará séculos, mas um dia ainda seremos um só povo. Se isso será bom ou ruim, só o tempo dirá.
- JOÃO ADAIME, Curitiba
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