Mercosul
Notícia ‘‘Cavallo propõe a suspensão do Mercosul’’ (Folha Economia de ontem): o governo argentino nunca perde sua arrogância. Diante dos milhões de desempregados argentinos, fala em suspender o Mercosul. Pois que eles o façam, pois após sua implantação, tivemos nosso déficit aumentado. Eles que fiquem com seus produtos caros e tentem vender para sua própria população. Podemos viver sem caminhonetes ou doces argentinos. Será que eles podem viver sem a economia do Brasil? Seria um bom teste para a economia deles. Com a palavra os milhares de argentinos que vivem e trabalham no Paraná, fugitivos da recessão de seu país de origem.
- LUIZ CARLOS PIELAK, Londrina
Telejornalismo
Todos os dias, os editores de telejornais deparam com o mesmo desafio: que notícias oferecer ao telespectador? Que fatia de realidade selecionar para levar ao ar? O que irá agradar? O que precisa ser mostrado? O que deve ser mostrado, independente do gosto particular de cada um? No jornalismo impresso, sempre resta ao leitor a possibilidade de escolher o que irá ler. Pode-se dizer, portanto que, de certa forma, cada leitor de um mesmo jornal termina lendo um jornal diferente, pois lê o que quiser.
Em telejornalismo, a situação é outra. Todo telejornal é impositivo. Ao telespectador é oferecido um menu de assuntos e reportagens previamente selecionados, tendo em vista um padrão médio de aceitação de assuntos e a própria forma de abordagem de cada um deles. Embora existam pesquisas permanentes que definem tendências e apontam os assuntos que agradam ao chamado ‘‘gosto popular’’, o telespectador não tem escolha quando começa o telejornal.
Por isso, a responsabilidade do editor de telejornalismo é maior, infinitamente maior, pois, se for guiado exclusivamente pelo Ibope, facilmente resvalará para a oferta de matérias de forte apelo popular e poderá descambar para o sensacionalismo. Faz parte da natureza humana a tendência à morbidez, à violência, ao sexo, ao sadismo. Não fosse assim, seria mínima a audiência de programas que exploram esses temas. Ao contrário, são eles que comandam a audiência. O fenômeno se repete em todas as culturas, em maior ou menor grau.
Para muitos, as observações parecem de uma obviedade irritante. Mas é bom repisar o óbvio para que o telespectador, que às vezes é visto apenas como ser passivo e destituído de vontade, possa se lembrar de que todo televisor tem uma tecla mágica, chamada seletor de canais. Quanto mais usa essa tecla, mais é respeitado, mais fustiga a responsabilidade dos editores, mais ajuda a produzir um telejornalismo de qualidade. O seletor de canais é um dos mais eficazes instrumentos para o exercício da cidadania.
- PAULO JOSÉ CUNHA, jornalista, Brasília
Palavras cruzadas
É só abrir o jornal que há, ali, as palavras cruzadas para o pessoal passar o tempo descobrindo a charada mais milagrosa ou o nome do artista recém-‘‘grávido’’. Coisas assim. Desde que jornal é jornal as palavras cruzadas são palavras cruzadas. Uma coisa sei que você nunca pensou: quem é que pode gostar de ficar horas a fio projetando palavras cruzadas só para ver o ‘‘oco’’ do leitor, para ter o tesão de fazer o sujeito olhar nas respostas e dizer: ‘‘Já sabia! Já sabia!’’?
Bem, os ‘‘fazedores de palavras cruzadas’’ ficam o dia inteiro nessa vida de charadas. Inclusive, numa conversa informal, a piegas, só usam mesmo essas perguntinhas indiretas: ‘‘Sabe, eu comprei esse carro no ano que o Brasil foi Tetra’’ ou ‘‘Essa camisa é da cor da relva amazônica’’, fazendo com que o outro lado do diálogo tente adivinhar o que o primeiro quis dizer. Uma charada viva.
As palavras cruzadas constituem, às vezes, uma total traição à língua portuguesa, diminuindo todas as maravilhas do vocabulário a meras adivinhações jocosas. Além disso, levou os enamorados por essas adivinhações a desenvolver métodos variados para fazer as palavras cruzadas: fazem ao acordar (para despertarem direito), antes do almoço (para prepararem o estômago para a digestão) e, também no banheiro. Já pensou Homero ou Camões fazendo palavras cruzadas sentados em uma privada?
Querendo ou não, as palavras cruzadas vão continuar onipresentes no nosso dia-a-dia até que os fins dos tempos cheguem à revelia. Enquanto existir jornal, revista, almanaque pasquim ou folheto de igreja, lá estarão elas. O negócio é não nos assustarmos com essas palavrinhas e evitarmos os exageros. Nossa vida já é uma grande palavra cruzada, não é mesmo? Vivemos procurando o espaço das respostas, virando para lá e para cá o jornal da vida.
- TIAGO TONDINELLI, Londrina
Fim do mundo
Quem são esses capciosos agoureiros, capazes de prever o futuro e anunciar grandes acontecimentos para o fim do milênio? Onde estão os adivinhos com a data prefixada para o fim do mundo? Profecias assim não são confirmadas nas Escrituras Sagradas. Porque o próprio Senhor Jesus esclareceu, dizendo: ‘‘Nem os Anjos, nem o Filho, mas unicamente o Pai sabe disso.’’ O livro sagrado dos cristãos não prevê datas para acontecimento algum. Embora nos alerte da proximidade delas.
Quem conhece as Escrituras Sagradas sabe que o fim do mundo está próximo. Os acontecimentos proféticos revelam isso. Especialmente as previsões do Apocalipse. Entretanto, nenhum homem pode cronometrar o tempo de Deus, uma vez que Ele está além do sistema solar. Por causa disso não pode também prefixar datas. Mil anos, para Deus, vale um dia (II Pedro 3: 8), e como faria o homem para contabilizar esse tempo? O hoje para Deus não são simplesmente 24 horas.
Mas, profetizando assim falsamente sem esses princípios bíblicos, o agoureiro ficará decepcionado diante de seu povo; terá que se retratar publicamente e com certeza, seus futuros discursos sofrerão desgaste de credibilidade. Já é possível antecipar as palavras dele, quando tiver que se retratar perante o público. Irá dizer assim: ‘‘Que ainda há muitas almas para salvar e por causa disso, Deus prolongou o tempo de fim’’. Mais inteligente seria se previsse o fim do mundo para daqui a 100 anos. Isto dispensaria a retratação.
- NELSON ARAÚJO DE OLIVEIRA, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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