O leitor escreve
Vagas nas universidades
No Senado tramita o projeto de lei nº 298 de 1999, de autoria do senador Antero Paes de Barros, que tem como finalidade garantir que 50% das vagas nas universidades públicas sejam reservadas aos alunos oriundos da rede pública, com o objetivo de tentar diminuir a desigualdade no acesso ao ensino superior. Na justificativa do referido projeto de lei, o senador cita uma pesquisa do MEC, realizada em 1996, que revela que 45% dos alunos matriculados nas instituições federais de ensino são oriundos da escola pública e 55% do ensino privado.
Aparentemente a diferença de apenas 10% entre uma categoria e outra, pode, à primeira vista, não significar muita coisa. Todavia, se levarmos em consideração que dos alunos que concluíram o ensino médio de 1996, apenas 26,5% são originários da escola privada, enquanto que 73,5% vieram da escola pública, fica claro tamanha injustiça social. Ora, se dois terços dos alunos que chegam ao vestibular são oriundos das escolas públicas, nada mais correto que se reserve a eles um número de vagas nas universidades públicas, pois caso contrário, o acesso às instituições públicas de ensino superior continuará a ser um mecanismo de reprodução das desigualdades sociais existentes em nosso País, conforme bem expressou o senador autor deste projeto de lei.
O projeto parece estar correto em sua linha mestra, pois se não bastasse a dificuldade de aprovação dos estudantes das escolas públicas nos vestibulares, sobretudo nas universidades públicas, há ainda a agravante de que os que chegam às universidades particulares, muitas vezes não conseguem concluir o curso pela falta de condições financeiras. Devendo-se portanto tentar diminuir as dificuldades de acesso à educação superior a um contingente muito grande de estudantes.
- PAULO GOMES JÚNIOR, procurador do Estado, Foz do Iguaçu
Marcha
Diante das diferentes reações sobre o resultado da marcha da oposição sobre Brasília pode-se chegar à conclusão de que ela foi positiva, tanto para a oposição como para o governo. Quanto à oposição, não importa se o número dos participantes ficou aquém dos 100 mil esperados. Importa é que não houve conflito, tudo transcorreu em paz e o recado foi deixado para o presidente da República.
O movimento, que se iniciara com muito receio de que em nada resultasse, está sendo saudado pelos partidos políticos que militam na oposição e seus braços sindicais como positivo, tanto que já há um calendário para os próximos meses, com vistas a pressionar o governo a tomar medidas pregadas pelos oposicionistas.
Talvez a oposição tenha encontrado o rumo. É a pressão, justamente aproveitando o vazio de governo e a baixa popularidade do presidente Fernando Henrique. Torna-se necessário, agora, que em cada movimento se apresente indicativos do que poderá ser feito para amenizar os problemas brasileiros. A oposição não pode continuar fazendo oposição por fazer. É preciso apontar as soluções, as que seriam tomadas caso estivesse ela gerindo a coisa pública em termos de governo central.
Ficou claro para os governistas que o movimento não é unicamente político. A sociedade já vê com outros olhos as propostas da oposição. Lula já não é o espantalho que se notava nos últimos anos e pleitos. A insistência de Brizola já está sendo aceita como natural. Grupos anteriormente afastados dos movimentos característicos de oposição juntam-se para formar uma frente contra medidas governamentais.
Por isso tudo é de se crer que o governo se mexa e que deixe de apresentar desculpas, sempre numa posição de justificativa diante de fatos consumados. Se efetivamente como na física, diante de uma ação corresponde a reação, esta pode redundar-se no trabalho do governo. Isso ocorrendo, todos ganham, sobretudo aqueles que eleitoralmente querem ser alcançados tanto por uns como por outros: o povo.
- AYRTON BAPTISTA, jornalista, Curitiba
O País dos sem
Nos últimos dias várias manifestações têm ocorrido em nosso país, estas que ocorrem pelo descontentamento de algumas classes com a atual crise econômica que atravessamos. O povo brasileiro já está se acostumando com a pequena palavra sem. Esta que é base para os nomes dados a estas manifestações. Ela está sempre presente como podemos citar a marcha dos sem-terra, a manifestação dos sem-emprego ou ainda dos sem-teto, e esta última que foi a chamada Marcha dos 100 mil
Dentre os objetivos destas correntes manifestantes, uma está se tornando comum: querem ver o país sem Fernando Henrique Cardoso. Mas não expõem ao povo brasileiro idéias politicamente corretas para chegarem ao poder. É muito fácil pensar no Brasil sem FHC. O difícil é achar um substituto à altura para ocupar o cargo mais importante de nosso país. Na Marcha dos 100 mil, todos os discursos apresentados não sugeriam nada, somente criticaram o governo. Todos estamos insatisfeitos com a atual situação. Mas está difícil encontrar um nome que nos demonstre confiança e esperança. O povo brasileiro espera uma pessoa que tenha idéias claras e objetivas para assim podermos viver num Brasil sem problemas.
- FRANCISCO BONI, estudante, Santa Cruz de Monte Castelo
D. Hélder
Fiquei triste com a morte do nosso querido D. Hélder Câmara. Não obstante as incompreensões, sempre teve forças e serenidade para seguir seu caminho. D. Hélder partiu deste mundo, mas fica na nossa lembrança a sua bondade. Foi um piedoso. Cumprimentos à Folha pela sensibilidade em reverenciar em seu editorial de domingo último tão humana personalidade.
- GILBERTO MOTTA DA SILVA, Curitiba
MST
Sobre a notícia MST diz que Estado se recusa a negociar, do dia 3: o que os sem-terra têm que fazer é trabalhar, e deixar em paz quem trabalhou muito para ter suas propriedades. Porque na verdade eles invadem e destroem tudo, depois vendem a preço de banana. Este movimento MST é mais uma vergonha brasileira. O pior é que tem gente que apóia. Com certeza, alguém deve estar ganhando muito com isto.
- CARLOS ANTONIO DA COSTA, Curitiba
Correção Na página 8 da Folha 2 de hoje, o título correto do filme produzido por Maurício Appel, em Curitiba, é Serro Azul e não Sangue Azul como consta. O título original era realmente Sangue Azul, mas foi modificado. O filme está em fase de finalização e conta a história do Barão do Serro Azul.
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