Furto de energia
Fico cada dia mais assustado com as notícias que vejo. Deparei com uma nota que dizia: ‘‘Desempregada é presa por furto de energia elétrica’’, que falava de uma desempregada (de Londrina) que carregava no colo um filho de 8 meses, mas que tinha também uma menina de 4 anos. A empregada doméstica perdeu o emprego por causa da necessidade de internamento de seu filho o que a obrigou a dedicar-se mais a ele. É visível a simplicidade dessa moça, que não imaginava que essa ‘‘gambiarra’ desse cadeia. Antes da prisão, todo o pouco dinheiro que ganhava como diarista, quando podia trabalhar, pagava um pouco da conta da Copel.
A Copel é uma empresa do povo do Paraná, criada há muitos anos para dar suporte estratégico ao desenvolvimento do Estado. Esse mesmo Estado que tem ‘‘obrigação’’ de manter uma política social, de garantir educação, saúde, segurança e mais uma série de coisas aos seus. É uma empresa que agora está sendo privatizada e se hoje deparamos com uma notícia dessas, amanhã a violência será ainda maior. Hoje a Copel pede o apoio da Polícia Militar, amanhã talvez não precise, talvez resolvam fazer ‘‘cumprirem o determinado’’ por contra própria, afinal: ‘‘A empresa é minha!’
Essa moça, que furtou pouco mais de R$ 60,00 (em energia), foi presa e corre o risco de perder a consulta de seu filho no Hospital Universitário. É lógico, ela é pobre! Isso mesmo, pobre. Se ela fosse filha de família tradicional, que tivesse dinheiro, o furto seria também infração e também punível com a mesma justiça vendada, porém ela não é. Não defendo aqui a impunidade com base nas condições sociais, mas onde está preso Fernando Collor? Onde está preso Naji Nahas? Se todos os que furtam algo nesse país fossem presos, teríamos o problema do desemprego resolvidos. Todos, literalmente todos, se não fossem presos seriam contratados como pedreiros para a construção de tanta cadeia.
- LUDOVICO BONATO, funcionário público, Londrina
Justiça ou vingança?
Quando li a reportagem ‘‘TJ anula julgamentos do caso Zanella’’ (página 4 da Folha Cidades de 27 de agosto), comecei a refletir sobre o comportamento da Sra. Elisabetha, mãe da vítima. Tenho uma filha e penso que deve ser esta a pior dor que um ser humano possa sentir: a da perda de um filho. Principalmente de forma tão trágica quanto foi a dele (mas qual morte não é trágica?).
O comportamento dela não é de alguém que simplesmente está querendo justiça pela morte de seu filho. Venho acompanhando este caso desde o início por este conceituado jornal e também pela televisão. Não é um problema político como ela fez parecer ao buscar explicações junto ao secretário de Segurança Pública e ao governador do Estado. Também não é da esfera administrativa para que se exija a exclusão dos policiais antes de uma condenação, até porque eles podem ser absolvidos e a corporação ter que reintegrá-los; e principalmente não é um caso em que ela (a mãe) possa julgar, pois o sentimento que percebo nesta senhora é o de vingança e não o de justiça. Ela não tem a imparcialidade necessária para julgar a atitude de qualquer um dos envolvidos na morte de seu filho.
Eu ainda acredito nas instituições, apesar de alguns erros graves que observamos em alguns integrantes delas; portanto, quando uma comissão de desembargadores (homens que dedicaram suas vidas ao conhecimento das leis) chega à conclusão de anular um júri, é porque alguma coisa no processo está falha. Não somos nós, leigos no Direito, e nem ela, parte interessada no assunto, que poderemos dizer que a justiça não está sendo feita.
Senhora Elisabetha, já estive dos dois lados, como acusador e como acusado, e estas são duas situações difíceis, mas com certeza a pior delas é a de acusado, principalmente se você não deve tudo o que dizem ao seu respeito. Não estou defendendo nenhum dos acusados no caso da morte de seu filho. Apenas penso que a senhora deveria refletir e deixar a justiça fazer o trabalho dela da maneira imparcial como vem fazendo. Esqueça o sentimento de vingança; ele vai lhe trazer muito mais dor do que já está sentindo.
- MOACIR DALLA PALMA, funcionário público, Mandaguaçu
Esquistossomose
A reportagem sobre esquistossomose em Londrina é de extrema importância, dada a gravidade da doença no País e em nossa região (‘‘Córrego com o nome de Londrina espalha doença’’, publicada ontem). Infelizmente, as autoridades competentes não estão sensibilizadas para este problema no Norte do Paraná, e consideram esta doença como secundária, visto o número de casos registrados pela Fundação Nacional de Saúde (FNS) serem baixos. Isto acontece porque nem sempre os dados chegam a esta instituição. Outro motivo é a inexistência de empreendimentos na pesquisa para obter, inicialmente, um levantamento dos caramujos existentes na região. Isto já é feito pela FNS, mas devido a falta de pessoal e equipamento, nem sempre conseguem dar uma cobertura completa. A título de retificação, o nome do caramujo que tem sido encontrado infectado é ‘‘glabrata’’ e não ‘‘glabata’’ (o nome da espécie do caramujo é Biomphalaria glabrata); existem mais duas outras espécies que podem transmitir a esquistossomose.
- PAULO ANTÔNIO CYPRIANO PEREIRA, professor universitário, Londrina
Igapó
Concordo plenamente com o artigo ‘‘Propriedades em torno do Lago Igapó’ publicado ontem. A opinião totalmente fundamentada do equilibrado João Tavares de Lima, considerando no mínimo exagerada a posição da ilustre promotora, que com sua atitude demonstra, no mínimo, desconhecimento da realidade histórica londrinense. Pois, se o Lago Igapó é hoje uma área maravilhosa e valorizada, deve-se ao investimento realizado pelos proprietários dos terrenos à sua margem, que enfrentaram as dificuldades da sua época, dois esvaziamentos para limpeza, suportando todos os inconvenientes. Seria de questionar se os mesmos não merecem indenização por ter contribuído com seus esforços para a realização de um projeto que aproveita a todos e pelo questionamento sobre a licitude das fontes monetárias que possibilitaram a aquisição do patrimônio.
- CLAUDIA PROCHET, advogada, Londrina
Apoio
Sem dúvida, a alegria dos irmãos Osmar e Alvaro Dias se justifica pelas excelentes folhas de serviços prestados ao País, pela probidade e visão de estadistas que ambos possuem, ao pleitearem a volta da isenção da Cofins e os benefícios do Recoop para as cooperativas agrícolas. É importante que as alterações modernizando as leis trabalhistas, principalmente voltadas ao setor rural, continuem merecendo a atenção de nossos políticos.
- OSVALDO CHIUCHETTA, Maringá
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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