‘‘Pra mim, chega!’’ (1)
A respeito da Folha Reportagem de domingo: o Brasil chegou à situação de ingovernabilidade por obra do senhor FHC, que fez de tudo para aprovar o projeto de reeleição, esquecendo de governar o País. Durante o período eleitoral, ele se sentou em cima de uma bomba que explodiu: a desvalorização do real, diminuindo o poder de compra da população cada vez mais. Ele negou até conseguir se reeleger.
- RAIMUNDO LAGO, São Luiz (MA)
‘‘Pra mim, chega!’’ (2)
Gostaria de parabenizar Nelson Capucho pela belíssima reportagem publicada na edição de domingo. Tão bela, que acabei enviando cópias a vários amigos que não possuem o privilégio de receber todos os dias o excelente jornal Folha on-line como eu. Um abraço.
- ADILSON LUIZ, Marília (SP)
‘‘Pra mim, chega!’’ (3)
Ufa! Até que enfim vejo na imprensa um desabafo que certamente a grande maioria de brasileiros gostaria de fazer. Parabéns pelas reportagens de domingo. Meus cumprimentos aos jornalistas e à direção desta empresa.
- JORGE DE MELLO, São Paulo (SP)
Padroeiro
Antes de se adentrar ao debate dessa questão em particular, é importante o respeito pelas mais diferentes convicções religiosas, sobretudo em um país sem religião oficial, como o Brasil. A Constituição federal, em seu Artigo 19, é clara ao vedar à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios, o estabelecimento de cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público.
Encontra-se em tramitação na Câmara Federal o projeto de lei nº 290, de 1999, do deputado Marcos de Jesus, que visa instituir Jesus Cristo como padroeiro do Brasil, com data comemorativa em 1º de maio. Na defesa da proposição, o parlamentar, que é também representante da bancada no Congresso, afirma que o projeto de lei em nada fere a Constituição Federal, citando ainda a lei nº 6.802, de 30/6/80, em pleno vigor, que declarou ser ‘‘feriado nacional o 12 de outubro para o culto público e oficial a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.’’
Para determinados segmentos sociais, a própria lei nº 6802 fere a Constituição Federal ao beneficiar, de certo modo, determinada corrente religiosa. Para outros não haveria qualquer ilegalidade, visto que não se estabelecesse nenhum culto religioso oficial. Como todos são iguais perante a lei e, seguindo o raciocínio da lei nº 6802, em tese nada impedirá que outros legisladores, fundamentados na sua particular profissão de fé, proponham novos padroeiros para o Brasil.
Os espíritas poderiam propor que Alan Kardec fosse o novo padroeiro do Brasil, os mórmons escolheriam o seu padroeiro, os adeptos do candomblé fariam a sua escolha e assim sucessivamente. Respeitadas as opiniões e as diferentes crenças, tais temas não deveriam ser objeto de lei, deixando-se ao arbítrio de cada grupo religioso a sua opção, para se evitar debates jurídicos, a nível federal, estadual e municipal.
- PAULO GOMES JÚNIOR, procurador do Estado, Foz do Iguaçu
Mal das pernas
O Brasil anda mesmo mal das pernas com relação aos organismos internacionais. Dia desses foi comentado sobre o rebaixamento no índice de Desenvolvimento Humano da ONU. Agora nos chegam dados sobre as metas estabelecidas durante a Cúpula Mundial em Favor da Infância, realizada em 1990, em Nova York. Segundo recente relatório do Unicef, o Brasil irá descumprir 10 das 19 metas traçadas, embora seja uma das áreas em que o País avançou razoavelmente.
O sistema educacional brasileiro ainda precisa fazer muita coisa. A primeira delas é garantir que todas as crianças com idade escolar, de 6 ou 7 anos até 14 anos de idade, tenham garantido seu direito de ir ao colégio. Acontece, porém, que ainda faltam muitas vagas. Faltam escolas, faltam professores, faltam recursos, falta vontade política.
Principalmente nas regiões menos favorecidas, esse problema é ainda mais grave, até mesmo porque as crianças são lançadas pelos pais ao trabalho, numa tentativa de melhorar de forma imediata a renda familiar. E o desastre vai aumentando cada vez mais.
O governo bem que tenta, quando oferece uns trocados para as famílias que mandam seus filhos para a escola, mas a coisa não pode parar aí. Essas mesmas crianças que mal conseguem aprender. Além do mais, a grande maioria dos professores é leiga e, com certeza, por maior boa vontade que exista, o ensino é fraco.
Então, o governo precisa enfrentar de frente a situação. É necessário melhorar a qualidade do ensino no País, mas é necessário, também paralelamente, encarar a questão da má alimentação, da desnutrição. Sem isso, fica muito difícil querer que a criança desnutrida esteja pronta para aprender. Aí, não tem cúpula que dê jeito, não há meta a ser atingida, continuaremos mal das pernas por muito tempo ainda. Até que algum governo se convença de que o País só vai crescer se resolvermos essas questões.
- MAGNO DE AGUIAR MARANHÃO, diretor geral da Associação de Ensino Superior do Rio de Janeiro
Professor
Esta é uma aclamação feita com tradição e força. E esta tradição vem do longo tempo durante o qual ela serviu de matéria-prima básica para o estudo e o ensino a milhares de cidadãos, inclusive presidentes, governadores, senadores, deputados e outros segmentos da sociedade, nas diversas escolas do País. Sua força vem do seu conteúdo e da sua metodologia, onde não podemos esquecer que o vetor de um conteúdo completo, diversificado, atualizado, vem do professor, alicerçado na comunicação direta com o aluno.
Os professores devem apresentar propostas extremamente ricas e variadas, dando mais força ao conteúdo, enfim trabalhar perfeitamente adequado em todos os sentidos. O senhor governador Jaime Lerner deveria estar sintonizado com tais necessidades do nosso tempo, valorizando o professor ‘‘supostamente o detentor do saber’’ e não tratá-lo com o descaso que já se instalou, acentuado com o passar do tempo. Alunos e professores podem realizar um trabalho de enorme valor pedagógico, não garantido pela tradição herdada da ditadura mas, pela força que ainda temos, que pode ser melhorada, graças a uma urgente atualização salarial. Pense nisso senhor governador!
- NELSON AVILA SIMÃO, professor, Londrina
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