O leitor escreve
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Salário dos deputados
Sempre fomos advertidos por nossos corregedores que o povo jamais separa a pessoa no seu dia-a-dia do cargo que ela ocupa. Mas hoje quero tornar pública a minha opinião, pois eu também sou povo, e convivo rotineiramente com a miséria e o crime. Confesso que fiquei enojado, ao ver a reportagem onde o corregedor da Câmara Federal, Severino Cavalcante, afirma que o deputado que vive para o Parlamento, não tem outra fonte de renda, não entra em esquemas, nem vende o seu voto, mas está em dificuldades financeiras. Este é o deputado ideal, longe do real, mas esta afirmação é a prova mais contundente de que nossos políticos não conhecem, ou fingem não conhecer a realidade da vida do nosso sofrido povo.
Se um deputado com um salário de R$ 8.000 (por baixo) está em dificuldade financeira, todos os trabalhadores que ganham salário mínimo deveriam estar mortos já há muito tempo. E se o salário mínimo, segundo a Constituição, é capaz de atender às necessidades básicas do trabalhador e às de sua família, com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, não vejo o porquê de um deputado ganhar mais que o salário mínimo, uma vez que ele concluiu que R$ 136 é capaz de atender a todas essas necessidades.
Sugiro que todos os políticos façam greve e permaneçam alguns dias parados, protestando por melhores salários. A sua paralisação será de fato uma grande contribuição para a Nação. E se os seus vencimentos não forem aumentados, façam greve de fome por tempo indeterminado até que consigam o tal aumento salarial. Por que se dependesse do povo, tal aumento nunca viria.
- CLAÚDIO MARQUES DA SILVA, delegado de polícia regional, Paranacity
Combustíveis
Quero compartilhar minha indignação com relação aos exorbitantes preços de combustíveis que estão sendo praticados em Londrina. Até quando as autoridades competentes vão fazer vistas grossas para o cartel que se formou sob suas barbas? A quem está sendo conveniente o monopólio?
Tive a infelicidade, na semana passada, de assistir a uma reportagem em rede nacional de TV, na qual vi que o combustível no Rio de Janeiro é comercializado a R$ 0,84. Não ofendam minha inteligência, senhores, justificando que o fato deve-se à proximidade da refinaria, pois a refinaria localiza-se em Paulínea, cujas distâncias praticamente se equivalem.
A propósito, o que aconteceu com o posto que foi inaugurado com tanto alarde em nossa cidade, prometendo e se comprometendo a praticar preços 30% mais baratos? Certamente esqueceu-se, encontrou facilidade e estímulo à formação de quadrilha em nossa cidade e decidiu aderir convenientemente.
Façam as contas: antes da série de aumentos dos combustíveis, estes estavam na faixa de R$ 0,80. Com todos os aumentos, considerando os índices, o preço razoável hoje seria na ordem de R$ 1,10. Desafio qualquer mortal residente em Londrina a encontrar combustível com preço inferior a R$ 1,30. Monopólio não é crime? Cadeia para os criminosos.
- SILVANA DE ALBUQUERQUE CAMARGO, Londrina
Povo sofrido
Coitado do brasileiro, este cidadão que sai às 5 horas para trabalhar e só volta para ver sua família às 18 horas. Volta dentro de uma ônibus lotado e malcheiroso, isto quando não é obrigado a voltar a pé por não ter dinheiro para pagar a passagem. A maioria não tem tempo para ler jornais ou são analfabetos, não sabendo da maneira indigna que esse presidente administra o País.
Onde está a nossa soberania? Ou o senhor presidente vai me dizer que um país auto-suficiente no petróleo precisa importar e ainda aumentar o preço da gasolina? Claro que seus amiguinhos do FMI nada têm a ver com isso.
Ora! Vamos taxar as riquezas dos mais ricos, assim este dinheiro será usado como na CPMF, para a saúde... nossa? É claro que não. Onde foi parar a nossa agricultura que o senhor prometeu, ou, onde foi a comida que alimentava nossos filhos? Talvez, presidente, a comida esteja sendo esbanjada por aqueles que o senhor socorre quando lhes ameaça o menor dos perigos; talvez, estes sejam os verdadeiros brasileiros. Mas será que tão imenso país é habitado por alguns poucos banqueiros?
Povo brasileiro, indignar-se sempre foi uma opção para cidadão de boa índole, mas agora é obrigatório para todos aqueles que se consideram brasileiros. Uma vida digna não é prêmio dos mais ricos, é direito de todos os cidadãos e garantido por princípios de quaisquer aglomerados humanos.
- ARISTEU NEVES RODRIGUES, Londrina
Assédio no trabalho
Hoje em dia, o assédio sexual e o jogo de sedução são temas altamente discutidos entre os estudiosos do direito, vez que ferem a dignidade humana. Sabemos que o assédio ocorre diariamente e corriqueiramente na relação de trabalho, onde a maioria das vítimas são as mulheres.
Surgiu no anteprojeto do novo Código Penal a inclusão do crime de assédio sexual, passível de multa, ou de prisão de 6 meses a 2 anos. Caracteriza-se o assédio sexual por palavras sexistas, verbais ou escritas, atitudes físicas, enfim, toda artimanha que vier no pensamento do assediador, para privar a pessoa assediada sexual, deixando em ambiente extremamente humilhante.
O jogo de sedução também se caracteriza por palavras sexistas, verbais ou escritas, atitudes físicas, vez que difere do assédio sexual, pois não encontraremos o ferimento da moral, da dignidade e da honra. Não priva a liberdade sexual. É o famoso convite para jantar, convite para passeio, elogio etc. Pelo contrário, às vezes torna o ambiente de trabalho, harmonioso e produtivo.
Devemos portanto, salientar que a dignidade moral e física ainda reina em nosso País, sabendo entretanto diferenciar o jogo de sedução do assédio sexual, pois o mesmo deverá ser punido criminal e também em sua atividade empregadora, fazendo com que o assediador também tenha os mesmos ferimentos deixado à pessoa assediada sexualmente; se é que esta pessoa possua alguma dignidade a ser violentada.
- ANDRÉ GUSTAVO DE SOUZA, advogado, Bandeirantes
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