O leitor escreve
Universidade do Agricultor
A proposta de criação da Universidade do Agricultor na Fazenda Mitacoré, em São Miguel do Iguaçu, está motivando intensas discussões. Segundo o grupo que defende a implantação da proposta, seriam destinados cerca de 380 hectares da fazenda. A proposta constitui-se numa grande contradição, visto que consiste na perda de mais de 40% da terra e infra-estrutura, possivelmente conquistadas pelos trabalhadores sem-terra. Na verdade, os sem-terra, que sempre estiveram excluídos dos grandes projetos de desenvolvimento, seriam excluídos novamente, com a perda da terra conquistada.
A universidade deve existir para servir aos interesses dos trabalhadores e não para ameaçá-los com propostas travestidas de interesse popular, como é o caso daquela apresentada pelo grupo formado por lideranças políticas, empresariais, agrícolas e acadêmicas, principalmente. Talvez, seria o caso dos sem-terra, da mesma forma que ocupam os latifúndios para garantir a função social da terra, pudessem também ocupar a universidade, para garantir o atendimento do interesse público.
A recusa dos sem-terra na implantação do projeto da Universidade do Agricultor justifica-se, principalmente, pelo fato de perderem o domínio e controle daquilo que estão conquistando (terra e infra-estrutura), através da luta e da dura vida de acampamento.
Numa demonstração de arbitrariedade e desrespeito aos interesses dos sem-terra, o nome da Unioeste é utilizado para impor determinados projetos, que mais agridem do que beneficiam os sem-terra. O autoritarismo e o desrespeito são observados quando os autores do projeto não consideram toda a trajetória de luta e resistência desenvolvidas pelas famílias que ocupam a Fazenda Mitacoré. Assim, quem garante que serão atendidos os interesses dos sem-terra com a criação da Universidade do Agricultor?
É preciso que a Unioeste elabore projetos de viabilidade econômica e política nos assentamentos que respeite as decisões dos trabalhadores envolvidos na luta e conquista da terra. Oxalá, todos os projetos da Unioeste possam se constituir num instrumento para atender os interesses dos excluídos, servindo a toda sociedade.
- JOÃO EDMILSON FABRINI e ANTÔNIO DE PÁDUA BOSI, Marechal Cândido Rondon
Globalização e saúde
Realizou-se em Havana (Cuba) a 1ª Conferência Ibero-Americana de Parlamentares sobre Saúde, à qual compareci como presidente da Comissão de Assuntos Trabalhistas e Previdenciários do Parlamento Latino-Americano. O pano de fundo do encontro foi o impacto da globalização sobre os sistemas de saúde, que pode ser observado sob diferentes ângulos.
O primeiro mostra o domínio da produção mundial de bens e serviços por um conjunto cada vez mais restrito de grandes empresas. O controle se manifesta tanto na produção de remédios por um pequeno grupo de grandes laboratórios farmacêuticos, como na privatização acelerada dos serviços de assistência, com a penetração de grupos financeiros internacionais nessa área, através das grandes seguradoras e seus planos de saúde. O segundo diz respeito às políticas de ajuste estrutural que vêm sendo impostas a numerosos países e cujo resultado tem sido a acelerada marginalização, empobrecimento e diminuição das redes de apoio social, ao lado da disseminação acelerada e hegemônica da racionalidade econômica de mercado na formulação das políticas sanitárias em todo o mundo.
Destaque-se, ainda, que essa mesma razão mercantil que domina a área da saúde tem levado ao acirramento da concorrência entre as grandes multinacionais de medicamentos. O resultado desta competição tem sido a venda, principalmente nos países mais pobres, de medicamentos caros e inseguros, um problema que caminha lado a lado com o aumento do comércio mundial de alimentos contaminados e outras mercadorias prejudiciais à vida, como tabaco e armas.
Constata-se, assim, a degradação mundial dos sistemas que buscavam o bem-estar social. A vida saudável é privilégio econômico em vez de direito do cidadão. Quem precisa de hospital público no Brasil sofre na carne o efeito nocivo dessas políticas desumanas, injustas para com o povo pobre e desassistido.
- ALDO REBELO, deputado federal por São Paulo e líder do bloco PC do B-PSB
Fim do mundo
E o mundo não acabou! Místicos, supersticiosos, astrólogos entre outros erraram mais uma vez. É preciso que o homem pare de acreditar em tudo que ouve ou vê. Não é dado a nós seres humanos o conhecimento sobre o dia ou hora em que o mundo vai acabar. A sagrada escritura diz que Quanto ao dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o filho, mas somente o Pai (Marcos 13-32). Cabe a imprensa sensacionalista ou não parar de anunciar com tanto ênfase acontecimentos catastróficos que ninguém tem certeza de que irão acontecer, principalmente no Brasil, onde somos levados a acreditar, por falta de educação e cultura, até na mula-sem-cabeça.
Se algum dia a Rede Globo disser que chuchu cura câncer, no outro dia você não encontrará um para salada. É preciso que nós seres humanos usemos este acontecimento para nos renovarmos interiormente. Que tal se ao invés de pensarmos em desgraças, fim do mundo ou coisas parecidas passemos a observar ao nosso lado nossos irmãos que sofrem por falta de saúde, carinho, emprego, por fome, por falta de amor, por falta de justiça? Vamos deixar de olhar para nós mesmos e passar a trabalhar em conjunto, buscando sempre o bem estar da comunidade. Se todos nós estivermos embuídos de um só pensamento, buscando a paz ao invés de guerras, de ajudar ao próximo do que a si mesmo e de preservar o nosso Planeta em vez de destruirmos, tenho certeza que faremos uma virada de milênio inesquecível e não haverá previsão pessimista que atrapalhe a chegada do novo século.
- MARCOS RICARDO GOMES, Londrina
Bloqueio
A respeito da reportagem Categoria faz operação tartaruga, publicada dia 10, em que o ministro da Justiça, José Carlos Dias, ameaça mobilizar o Exército caso os caminhoneiros realizem uma nova greve, para desbloquear as estradas: a situação do povo brasileiro chegou ao limite. Os governos não cumprem nem suas obrigações básicas e só pensam em impostos, taxas, aumentos e tantas outras ações, que somos obrigados a engolir sem ao menos poder nos defender. É um entreguismo total.
Acho que o pensamento do ministro está correto em garantir o direito do cidadão e sugiro: se ele mandar o Exército começar a desbloquear as praças de pedágios e principalmente as estradas rurais bloqueadas pelas concessionárias, obrigando o pagamento por aquilo que já pagamos em forma de IPVA, então o ministro estará mantendo o direito de ir e vir e transitar livremente pelas estradas. Estão sendo utilizados, no caso, dois pesos e duas medidas.
- MARCOS ANTONIO PEDRACCI, Cambé
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