Adeus, pracinha
Londrina já tem aprendido a valorizar sua história e a salvar os traços do seu passado, recuperando e preservando suas construções e espaços significativos. Porém, de vez em quando, alguém tem uma recaída feia e termina destruindo riquezas extraordinárias da cidade. Foi o que aconteceu com a simpática pracinha entre o Cine Teatro Ouro Verde e o Edifício Autolon. Se você passar por lá, hoje, não vai mais ver pracinha nenhuma. Assentaram ali uma baita caixa de vidro e cimento, sufocando a praça e o projeto de se recriar, naquele local, uma ‘‘villa’’, com café, barzinho, cadeiras ao ar livre... Só que lá, onde foi o saudoso Restaurante Calloni, hoje túmulo de pedaço da história da cidade.
Sufocaram um respiradouro paisagístico que fazia parte do conjunto arquitetônico do Ouro Verde e do Autolon, tão bem equilibrado pelo grande arquiteto Villanova Artigas. O empresário que comprou aquele espaço não deve ter tido dificuldade alguma para obter autorização dos órgãos ‘‘competentes’’, pois com certeza teve tal autorização para soterrar de vez uma parte de nossa história e destruir a identidade arquitetônica do conjunto. O empresário reconhecia o valor cultural daquele espaço e algumas vezes repetiu que iria respeitá-lo e até revitalizá-lo.
Fatos como este nos revelam que corremos ainda riscos de ver, da noite para o dia, nossa cidade se modificando rapidamente para um pior irreversível. O Conselho Deliberativo da Casa de Cultura, da Universidade Estadual de Londrina (UEL) analisou a questão e decidiu manifestar-se contra essa destruição de um bem de Londrina. A sugestão que propomos é a existência de um conselho, formado por cidadãos de várias áreas, para avaliar o patrimônio arquitetônico, cultural e histórico e criar formas de protegê-los da gana sanhuda de destruição que às vezes ainda desperta num ou noutro habitante da cidade, com passado, presente e futuro que só existirá se houver os dois primeiros.
Sugerimos o aproveitamento de estudos já realizados nessa área, por exemplo, pelo IPAC e por arquitetos e pessoas que têm buscado defender os bens arquitetônicos, culturais e históricos de Londrina. A posição do Conselho Deliberativo da Casa de Cultura é de perplexidade produtiva, buscando apoio na população contra as dilapidações dos bens ainda públicos, apesar de às vezes privatizados e lamentar pela morte da simpática pracinha sepultada dias passados, sem choro nem vela e nem fita amarela.
- ALCIDES VITOR DE CARVALHO, Conselho Deliberativo da Casa de Cultura
Liberdade de expressão
O direito à liberdade de expressão, garantido pela Constituição, vem sendo desrespeitado sobejamente em nosso País, não importando se vivemos ou não sob períodos democráticos ou regimes autoritários. Os exemplos são os mais variados, atingindo todos os níveis da nossa sociedade, que só se ‘‘modernizou’’ sob o ponto de vista econômico. Porém, as prerrogativas dos cidadãos menos beneficiados pela sorte continuam sendo vilipendiadas pelo Estado.
Nem mesmo o fim da ditadura significou um avanço nas garantias individuais do brasileiro. Se nos dias de hoje ainda acontecem assassinatos de jornalistas que insistem em mostrar uma realidade que não convém às autoridades, por outro lado o Brasil ainda está longe de conquistar a autonomia que detêm, por exemplo, os jornalistas norte-americanos, que chegaram a destituir o então presidente Richard Nixon, com o célebre caso Watergate. Os extremos abomináveis que marcaram indelevelmente a memória de todos nós com a morte de Wladimir Herzog, torturado pelos militares nos porões do Doi-Codi, serviram apenas para impedir novos casos de opressão contra os que tentam zelar pelo direito à vida digna. O ser humano só se liberta através da informação independente, descompromissada dos interesses dos grupos dominantes.
Há poucas semanas, depois de quase dez anos de casa (sem faltar um dia sequer) fui demitido da CNT por fazer críticas ao governo do Estado e ao presidente da República durante o programa que eu comandava e que tinha a maior audiência da emissora, segundo pesquisas da própria televisão. Saio, porém, de cabeça erguida e, mesmo desempregado, continuo confiando no idealismo da minha profissão, ainda com mais afinco. Esta atitude demonstra que jornalistas possuem um papel cada vez mais importante nos dias de hoje, reafirmando a condição de 4º Poder para a imprensa. Cabe àqueles que acreditam na democracia e respeitam a hierarquia, sem, no entanto, serem subservientes, colaborar através da participação e discussão destes temas para que não retrocedamos ao obscurantismo.
- HOMERO BARBOSA NETO, jornalista, Londrina
Pobreza
Ao ler sobre a intenção do senador ACM de criar um imposto de combate à pobreza no País, fiquei estarrecido. Como se fôssemos tolos, ele não sabe ou não quer saber que a CPMF, criada para programas de saúde, não está dando certo e no entanto é descontada do nosso salário. A pobreza é problema complexo e multidimensional, com origem ao mesmo tempo na área nacional e internacional. Não é possível encontrar solução uniforme com aplicação universal. É fundamental que se desenvolvam programas específicos para cada região, com atividades internacionais de apoio às nacionais, com processo paralelo de ações regionalizadas. A solução não é criar novos impostos. Isso seria fomentar o desenvolvimento de currais eleitoreiros onde, por certo, campeará a corrupção eleitoral e a pobreza propriamente dita continuaria sem solução.
- LUIZINHO JAGELSKI, Barbosa Ferraz
Bloqueio
A atitude do governador paulista Mário Covas de enviar projeto de lei retirando limites de compras de empresas cadastradas no Simples comprova seu espírito democrático. E também acertou o governador Jaime Lerner em propor uma Ação Direta de Inconstitucionalidade à lei que instituiu o imposto. Parabéns aos dois, principalmente a Jaime Lerner, atento aos interesses das empresas e dos cidadãos paranaenses.
- MÁRIO CLÓVIS GASPAR, Jacarezinho
Competência
Em nome das 55 agências de propaganda que fazem parte do Sindicato das Agências de Propaganda do Estado do Paraná (Sinapro) agradeço ao companheiro Pedro Ribeiro pela nota publicada dia 4 do corrente, reforçando nosso trabalho em favor da valorização da comunicação que se faz no Paraná. Precisamos resgatar nossa auto-estima. Os profissionais que trabalham no Paraná, do marketing à propaganda, relações públicas, assessoria de imprensa, merchandising, marketing direto, promoções, fornecedores das áreas gráficas e eletrônica, veículos, enfim, todos os que, de forma direta ou indireta, ‘‘criam e produzem’’ comunicação têm reconhecida competência.
- J.D. RODRIGUES, presidente do Sinapro, publicitário, jornalista e sócio-diretor da Opus & Múltipla, Curitiba
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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