Racismo
Toda vez que ocorre um caso de prática de racismo e discriminação, em qualquer nível ou área, chama a atenção da sociedade para o fato, porém, como no Brasil não existe uma cultura voltada aos direitos e deveres, o respeito ao cidadão, a igualdade perante a lei. Estes fatos acabam gerando polêmica, em que cada pessoa se posiciona até mesmo exercendo seu direito de pensar e expressar sua opinião a favor ou contra tais fatos.
Quando um branco chama outra pessoa de negra, e se ela realmente o é, isso não constitui prática de racismo. Depende muito das circunstâncias. Prática de racismo é quando a expressão ‘‘negro’’ vem acompanhada de outros adjetivos, que na maioria das vezes têm a finalidade de diminuir ou desqualificar a pessoa enquanto ser humano, pelo simples fato de ser negro.
Expressões como ‘‘negro safado’’, ‘‘negro vagabundo’’, isto sim constitui preconceito e crime de prática de racismo, até porque a partir de tais fatos é que se reforça o estigma introjetado nas pessoas de que o negro é sub-raça, incapaz, que é burro, vagabundo e outros estereótipos, desde o Brasil colônia, e que por conta disso exclui o povo negro da sociedade, da escola, do direito à moradia, ao trabalho digno, restando o subemprego, as favelas, sem que ninguém leve em conta esses anos de opressão, violência e marginalização por parte de uma cultura que privilegia o eurocentrismo.
Recente caso, ocorrido em Londrina, envolveu a empresária Antonia Batista Bore contra o funcionário Antonio Carlos de Oliveira, testemunhado pelo ajudante geral Abel Martins Ramos. A vítima sofreu não só xingamentos, com o único objetivo de humilhar e diminuí-lo, com agressão física pelo fato da cor de sua pele ser negra.
Nós, da Associação Cultural de Negritude e Ação Popular (ACNAP), apelamos ao Ministério Público uma atitude rápida no sentido de cobrar junto à Delegacia de Polícia do 4º Distrito Policial de Londrina, na pessoa do barachel Joaquim Antonio Melo, delegado responsável pelo inquérito, e exigimos decretação imediata da prisão da acusada, uma vez que realmente houve crime de racismo e agressão física perante testemunha que confirmou o ocorrido e segundo a lei é crime imprescritível sem direito a fiança.
- PAULO BORGES, vice-presidente da ACNAP, Londrina
Abismo
É claro que é de suma importância a preocupação do governo em acabar, de uma vez por todas, com o grande abismo que existe entre os estudantes carentes e os estudantes de classe mais privilegiadas na hora de disputar uma vaga nas universidades. Daí a criar um cursinho pré-vestibular só para pobre é uma situação, a meu ver, por demais esdrúxula. Essa medida não passa de um belo paliativo para que o governo possa posar de democrata bonzinho que pensa no social. No meu modo de entender, é como colocar uma rampa de madeira frágil sobre um fosso cheio de jacarés famintos. A atitude a ser tomada é algo muito maior do que isso. Esse cursinho é uma cortina de fumaça.
Esses cursos já começaram a funcionar no Rio de Janeiro e em São Paulo, mantidos pelas comunidades em espaços públicos, com professores voluntários nos finais de semana. Mas, agora, o governo federal quer participar desse projeto, cedendo recursos, material didático e apoio técnico, sem interferir na autonomia e independência dos cursos.
Melhorar a educação como um todo fica muito mais difícil num momento em que afloram os discursos e faltam ações mais decisivas e politicamente corretas, que tragam resultados positivos mais imediatos. No entanto, ações isoladas na educação não bastariam. Seria necessário que os nossos governantes promovessem uma melhor distribuição de renda, para que as classes sociais mais carentes deixassem de ser tão carentes, para que pudessem, inclusive, alimentar-se melhor. O que o governo precisa fazer é acabar com a pobreza, com a miséria; é permitir que todos tenham as mesmas condições; é melhorar a qualidade do ensino, é respeitar o povo de uma maneira geral.
- MAGNO DE AGUIAR MARANHÃO, diretor-geral da Associação de Ensino Superior do Rio de Janeiro
Bebida alcoólica
A proibição da venda de bebidas alcoólicas não deveria se restringir apenas à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), como se anunciou há pouco, e sim a todo e qualquer estabelecimento de ensino. Em suma, bebida só em bares e botequins para maiores de 21 anos, até as 22 horas, ou em supermercados para pessoas da idade citada. Vender bebidas alcoólicas indiscriminadamente em qualquer lugar, qualquer birosca, facilita, e acaba permitindo, com todo o direito, que os traficantes vendam maconha, cocaína, LSD, haxixe, entre outras drogas atualmente proibidas, mas que muita gente usa, e são proibidas porque ainda não recolhem impostos ao ‘‘desgoverno do Brasil’’, pois se os pagassem teriam a mesma liberdade da venda que tem a cachaça e o cigarro, muito piores e milhares de vezes mais cancerígenos que a maconha e a cocaína. Isso é fato comprovado por médicos de todo mundo e contra fato não existe argumento. Ou tudo ou nada. O que não pode é discriminar um usuário de drogas daquele que enche a cara de cachaça, cai na sarjeta, e, gargalhando, movido pela bebida, ainda acende um permitido cigarro.
- FERNANDO EGYPTO, Petrópolis (RJ)
Barulho
A reportagem ‘‘É difícil viver com vizinho barulhento’’, publicada na edição de sexta-feira da Folha Curitiba, fez-me pensar nos transtornos causados por vizinhos insensíveis à privacidade alheia. Apesar de ser moradora de Londrina, cidade de médio porte, preocupo-me com o caos e males causados pelo excesso de ruídos. Cidades como São Paulo e Belo Horizonte deveriam ser tomadas como exemplo de algo que não deveria ser repetido em qualquer outro lugar. Se Curitiba já começa a apresentar sinais de desordem desse tipo, é necessário que seja tomada uma providência de máxima urgência, antes que características como a qualidade de vida dos moradores que ainda é respeitada e valorizada não sejam mais que notícias de um passado distante, visto por saudosistas curitibanos.
- DEBORA CHRISTIANE DA SILVA, Londrina
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