O leitor escreve
Filhos da terra?
Sobre a carta referindo-se ao vestibular da UEL, do deputado estadual Moysés Leônidas, publicada no dia 29 de julho: antes de colocar-se no lugar de um pai ou mãe londrinense que tem um filho ou a filha fazendo vestibular, Leônidas deveria investir uma pequena parte do seu tempo legislativo para em pouco tempo tornar-se observador mais atento da realidade que nos cerca. O futuro não reside na providência atrasada, infeliz e abjeta de garantirmos um percentual (na UEL) para os estudantes de nossa região como forma de investirmos nos filhos da terra.
O senhor, como homem público, com declarações que beiram a ingenuidade, nem parece ter-se formado na UEL, contrariando princípios básicos até mesmo do Direito Romano. Em sua carta, o senhor nos lembra que a cidade é invadida (aspas suas, denotando sua perspicácia no contexto) por pessoas de fora. Em seguida nos informa que estudantes abastados é que estariam ocupando vagas dos filhos da terra, ignorando o fato fartamente noticiado de que a própria UEL dispõe de um cursinho.
Ora, senhor advogado, se está na hora de alguma coisa, primeiramente temos que unir esforços infatigáveis para tentarmos reverter o atraso mental de nossas elites. Aprendemos cedo a chamar de pioneiros aqueles homens, mulheres e crianças de fora, que aqui chegavam na década de 30, quase ontem. Sucessivas levas de pessoas de fora criaram o espetáculo civilizatório e palco dos acontecimentos que acostumamos a chamar de Londrina. Substituímos a leva inicial jardineira-lama pelos nossos pioneiros avião-asfalto.
Fico em dúvida. Qual a relação entre local de nascimento e vagas na UEL? Nascermos em Londrina (ou São Paulo) nos torna divinos, com algum aval de boa procedência? Vale lembrar que as pessoas mais queridas daqui, em sua acachapante maioria são e foram justamente aquelas que adotaram ou foram adotadas por esta próspera comunidade, ou é mera impressão? Que maravilhoso espetáculo teríamos se os melhores, os mais aptos, os mais lúcidos e talentosos estudantes do Brasil e do mundo aqui convergissem, supostamente fazendo com que nossos filhos perdessem suas vagas na UEL. Em cinco anos teríamos um celeiro exportador da matéria-prima mais valiosa, que realmente interessa, e que mais faz falta no Brasil de hoje: cérebros. Muitos aqui ficariam.
Nenhum país do mundo (ou cidade) cresceu, prosperou ou melhorou, fechando as fronteiras. E ainda temos que conviver com essas propostas simplistas, de caráter ligeiramente proto-nazistas, como se a cidade não fosse mais uma metrópole de meio milhão de habitantes, mas sim um obscuro povoado rural, perdido num ponto do mapa.
- CHRISTIAN STEAGALL-CONDÉ, arquiteto, Londrina
Face da Polícia
Em recente reportagem exibida no programa Paraná TV foram apresentadas denúncias contra policiais civis e militares que estariam envolvidos em diferentes delitos. Matérias jornalísticas como essa têm aparecido com certa frequência na imprensa em geral. São conhecidos casos de policiais envolvidos em homicídios de modo a impressionar a população, denegrindo inevitavelmente a imagem da Polícia no Brasil. Algo que muitas vezes não é devidamente esclarecido está no fato de que a porcentagem de policiais envolvidos na criminalidade representa insignificante minoria, considerando milhares de homens e mulheres que compõem os efetivos dos quartéis da Polícia Militar, bem como as delegacias espalhadas pelo país inteiro.
Essa minoria não pode ser considerada de forma tal a denegrir o conceito de toda a corporação das polícias Civil e Militar. Profissionais desonestos, descomprometidos com a boa ética de suas funções poderão ser encontrados em qualquer segmento da sociedade. O desvio de conduta não é exclusividade da Polícia. Seria interessante que a imprensa também exibisse com frequência histórias de policiais que arriscaram a vida no exercício de suas funções. Observando melhor a realidade do policial no Brasil, o que encontramos na imensa maioria das vezes são trabalhadores conscientes de suas obrigações, pais de família e outras pessoas de bem. Profissionais nem sempre remunerados de forma condizente com a nobre tarefa de proteger seus semelhantes e preservar a paz social.
- ROBERTO CARLOS SIMÕES GALVÃO, Londrina
Epesmel
Há 23 anos a Epesmel presta serviço à comunidade de Londrina. Atende, hoje, 1.009 crianças e adolescentes em situação de carência, oferecendo, além de profissionalização, alimentação, atendimento odontológico e psicológico. A Zona Azul é um dos projetos de entidade, que contempla o emprego de 257 adolescentes. Estes jovens participam de treinamento na área de atendimento ao público e relações humanas. Sabemos da importância de trabalhos como este de profissionalização, para evitar que estes meninos se desenvolvam sem referência formativa.
Conforme especifica a Lei 5.313/92, Artigo 5º, a exigência de preço para estacionamento de veículos não acarretará, ao município ou à permissionária do serviço, a obrigação de guardá-los ou vigiá-los, nem responsabilidade por acidentes, roubos, furtos ou danos de qualquer espécie que estes ou seus usuários vierem a sofrer (como citam leitores desta seção). A demanda de veículos que circula pelas ruas centrais de Londrina é muito grande, e o estacionamento rotativo facilita o acesso dos usuários aos diversos serviços oferecidos. A Epesmel é uma entidade aberta à comunidade, e gostaríamos de convidar, não só as pessoas que tenham dúvidas sobre a prestação dos serviços, mas a comunidade como um todo a visitar os projetos e até se engajar nesta luta em defesa da criança e do adolescente.
- LUCIANE DE FÁTIMA WALICHEKI, Londrina
Lixo no prato
Verduras, frutas, ovos, o trigo do nosso pão de cada dia, o leite das crianças, quase tudo o que necessitamos como alimento não tem origem nos corredores de um higiênico supermercado; sua origem é na zona rural. É da lavoura que vem o alimento e é lá que se origina a qualidade de nossa água. Se é do campo que vem o alimento de uma sociedade, deveria ser do interesse da sociedade manter o campo o mais limpo possível, livre de contaminação. Uma sociedade que tenta resolver seus problemas com resíduos sólidos depositando o lixo na zona rural produtiva, age de maneira no mínimo imediatista e irresponsável. Com certeza existem nesse moderno mundo globalizado em que vivemos soluções mais sensatas para administração e deposição do lixo do que colocar o lixo no prato em que comemos.
- RUTH BARBARA STEIDLE, Rolândia
Golpe
Em dia de jogo de futebol da Seleção Brasileira, anúncio de aumento dos combustíveis me traz à mente o governo militar ditatorial, que aproveitava os momentos de festa e de grandes emoções para na calada da noite aplicar seus golpes (aumentos).
- MANOEL JOAQUIM DE OLIVEIRA, Astorga
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





