Trânsito
Novamente, a diretoria de Trânsito (em parceria com o Detran e o BPTran) da capital nos brinda com o programa ‘‘Cidadão no Trânsito II’’. À custa do contribuinte, esta milionária campanha reforça o já conhecido conceito - vamos falar sobre trânsito, mas não vamos educar.
A exemplo da campanha anterior, esta é bem-humorada, bem produzida. Porém, não educa, não forma, não conscientiza o cidadão e sim informa ao usuário da via pública como ele deve (e pode) xingar o próximo. Na campanha anterior foi proposto para nos xingarmos de anta, perua e rato, e nesta campanha estamos aprendendo a nos chamar de toupeira e garnisé.
Além de se gastar dinheiro, inutilmente, nesta campanha, ainda não aconteceram as ‘‘blitz’’ educativas, nas quais deveriam participar os policiais de trânsito, os agentes de trânsito, o Corpo de Bombeiros, os alunos das escolas de ensino fundamental, médio e superior, as associações de bairros, dentre outras entidades. Só se viu uma blitz, e esta foi feita para filmar o comercial desta nova campanha. Outro aspecto que incomoda é a má qualidade da tinta empregada para a marcação dos sinais na via - após um mês a tinta já começa a desaparecer - só que este serviço foi pago.
Os radares estão por aí, mas onde estão os policiais e agentes de trânsito? Será que eles só são chamados para multar e reprimir os motoristas? Ainda é comum presenciarmos estes profissionais multando e reprimindo os motoristas. Porém, orientar-nos parece não fazer parte do trabalho dos referidos funcionários públicos. Para a educação de trânsito nada, para a indústria da multa - definitivamente instalada em nossa cidade - tudo. Por que isso? A que fins vem atender esta enxurrada de multas? O que se esconde por trás disso? A quem estas multas beneficiam? Por que sempre somos mal atendidos por esses órgãos públicos?
- LUIZ ARTHUR MONTES RIBEIRO, educador, Curitiba
Novo aeroporto
Em outubro próximo, segundo o cronograma divulgado, terão início as obras do novo terminal de passageiros do Aeroporto de Londrina. A Infraero teve em torno de três anos (96-99) para realizar um detalhado estudo de todo o sítio aeroportuário e sobre ele elaborar um projeto adequado ao século XXI. Nesse tempo não foi difícil perceber que a cidade estava e está crescendo em ritmo acelerado, a ponto de englobar o aeroporto.
Há um ano, a imprensa apresentou o esboço do novo terminal. Ele agradou a todos por apresentar-se dentro dos padrões futurísticos. Para quem não se lembra, assemelhava-se em certa parte com o atual Afonso Pena - na capital. O seu ponto forte, como não foi apresentado seu interior, era a presença de dois fingers - mais conhecidos como pontes de embarque. Essas estruturas evitariam o maior desconforto conhecido pelos passageiros: transitar do edifício ao avião ou vice-versa em meio aos tratores, caminhões etc. O referido projeto era o aguardado para a apresentação oficial. Contudo, a maior lástima nos foi revelada na apresentação do projeto final. Os fingers foram abolidos em troca de mais espaços comerciais no edifício. Foi revelada aí a verdadeira preocupação da Infraero, ao priorizar aspectos comerciais.
Entretanto, o projeto final não é desmerecedor de nossos elogios, pois toda contribuição tendo em vista a reversão da atual situação crítica é válida. A postergação da ampliação da pista se deve, entre outros motivos, à demora por parte de nossos vereadores quanto à aprovação da doação das áreas já desapropriadas à Infraero. Se o atraso se deve à necessidade do relatório de impacto ambiental, o mesmo se torna dispensável se estiver vinculado à poluição sonora ou ao avanço em área verde.
O aumento da pista não incrementará de imediato o tamanho dos aviões que operam no aeroporto. Ele aumentará deveras o potencial e a segurança do campo em receber as atuais aeronaves que movimenta e, eventualmente, outras maiores. Os investimentos efetuados pelas empresas que atuam no aeroporto, na cidade e na região só terão real valor se compreendidos e apoiados por toda a sociedade e principalmente pelos administradores e políticos da nossa região.
- MARCELO T. KAWANO, estudante, Londrina
Caminhoneiros
A mídia massacrou os caminhoneiros durante o protesto, na impossibilidade de dizer que era uma greve de cunho político, coisa de comunista, de radicais do PT ou outras definições que costumam dar nesses acontecimentos. A ênfase foi para os transtornos no trânsito, no comércio, quebra-quebra, confronto com a Polícia, e prejuízos à economia do País. Pouco se falou das dificuldades dos motoristas que têm de enfrentar estradas mal conservadas, assaltos, pagar pedágios, propinas para os policiais rodoviários, aumento frequente do óleo diesel, peças e pneus.
A classe média brasileira, que apanha mas não perde o ranço conservador, e só percebe os movimentos populares quando estes afetam os serviços essenciais e o abastecimento de alimentos e alteram sua rotina, também colaborou para desmerecer uma greve justa e necessária. Teve gente preocupada porque ia faltar carne para o churrasco de fim de semana. Pela ira da imprensa, que chamou os caminhoneiros de arruaceiros, pensei que o direito de greve tivesse sido revogado no Brasil.
- JOÃO CARLOS MEASSI, Curitiba
Racismo
Deparei com o artigo do jornalista Walmor Macarini sobre a Lei Afonso Arinos e a questão do racismo, na edição de quinta-feira. Interessante por sinal, mas recheado de equívocos. Dizer que a lei tipifica o negro como inferior é tentar acobertar um problema que vai muito além do que teorizou de forma simplista o jornalista, que sabe muito bem que os iguais não são nada iguais neste País, principalmente em se tratando da questão racial.
Jamais vi um branco ofendido por ser xingado de branco. Aliás, isto dificilmente vai acontecer. O negro, quando xingado, recebe logo de cara dois adjetivos. Aliás, mesmo o negro que tem ‘‘nome’’ precisa sempre ser adjetivado quando citado: fulano de tal, ‘‘aquele negrão’’, ‘‘aquele moreno’’, e assim vai. Cansei de ouvir isso.
Quanto à lei, seria o mesmo que dizer desnecessária para proteção do meio ambiente, dos direitos da mulher, dos animais. Na verdade, as leis não foram feitas unicamente para punir quem não as cumpre, mas também para forçar uma tomada de consciência das pessoas no sentido do respeito à pessoa humana. Mas, enfim, polemizar este assunto nem sei se vale a pena. Torna-se difícil esperar isenção de quem nunca foi vítima desse maldito ranço introjetado nas entranhas de uma sociedade que há quase 500 anos vem tratando o negro como sub-raça e covardemente sempre nega isto.
- JOAQUIM BRAGA, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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